Educação financeira deve ser tratada desde a infância, recomenda especialista

Com a alta nas taxas de juros e a popularização das compras online, o endividamento das população brasileira só cresceu. Um dos principais indicativos para o avanço é a falta de educação financeira que, segundo o professor do curso de Gestão Financeira da Universidade Metodista de São Paulo, Klaus Suppion, essa cultura deve começar a ser tratada na infância, para que as crianças já entendam a importância de organizar as finanças desde cedo.

Em entrevista ao RDtv, Klaus afirma que o que antes costumava ser um tabu, como pais ou responsáveis compartilharem com as crianças sobre o orçamento mensal, hoje teve ser visto como alternativa para economizar. “É importante que os adultos apresentem para os pequenos os problemas, mostrem quais gastos não mudam, quais podem ser diminuídos e quais são desnecessários. Acredito que ao incentivar que as crianças entendam como tratar o próprio dinheiro seja o melhor jeito de evitar que, no futuro, ela acabe se endividando”, reforça o professor, que faz doutorado sobre educação financeira.

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Crianças devem estar envolvidas em conversas relacionadas a gastos para que elas aprendam e evitem cometer erros no futuro

Suppion diz que países mais desenvolvidos já tratam da educação financeira há anos e no Brasil só se tornou importante com a pandemia e a grande alta na inflação. “A maior parte da população brasileira está endividada, com a contratação de crédito ou requerimento de empréstimos nos bancos. Também estamos em um momento em que emprego e renda não correspondem com o mercado de valores, o que aumenta ainda mais o risco de adquirir dívidas”, alerta.

O professor da Metodista destaca que, para os adultos que já estão com dívidas, a melhor estratégia é o planejamento. “Apesar de ser considerado antigo, colocar no papel o quanto você ganha, o quanto deve ser destinado para o pagamento de contas essenciais e quanto deve ser utilizado para lazer. Sabemos cortar custos se sabemos onde esse dinheiro está sendo gasto, a maioria dos brasileiros não sabe enxergar onde está gastando e, por isso, planejar o orçamento mensal é importante”, ressalta.

As compras online, popularizadas na pandemia, trouxeram maior praticidade e até maiores descontos nas compras, mas apesar dos benefícios, o e-commerce é um dos maiores vilões do endividamento. “Em uma questão mais psicológica, as pessoas estão consumindo mais em uma tentativa de diminuir a ansiedade. Da mesma maneira que procuramos um doce quando estamos ansiosos, gastamos com coisas fúteis e, muitas vezes, nos arrependemos desta compra ao receber a fatura do cartão”, conta.

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