Vereadores indicam a saída de São Bernardo do Consórcio ABC

A Câmara de São Bernardo aprovou nesta quarta-feira (7/4) uma indicação ao prefeito Orlando Morando (PSDB) para que o mesmo inicie o processo de saída da cidade do Consórcio Intermunicipal Grande ABC. O texto assinado pela maioria dos parlamentares foi feito a partir de reclamações sobre as diferenças de comportamento nas medidas restritivas para combater a pandemia da covid-19.

Fuzari criticou o Consórcio ABC chamando a entidade de “clubinho dos prefeitos” (Foto: Reprodução)

A indicação foi feita pelo vereador e vice-líder do Governo, Julinho Fuzari (DEM). Crítico da prática exercida pela entidade regional, o democrata conseguiu o apoio dos colegas para que a mensagem possa chegar ao chefe do Poder Executivo.

“Eu fiz essa comparação durante a sessão. O socialismo é muito bonito no papel, funciona é humano essa questão de fazer o bolo e dividir igualmente entre todos, mas até hoje o socialismo não funcionou e nem vai funcionar. O Consórcio Intermunicipal é a mesma coisa, é muito bom ter uma política regional, mas na prática não resultou em nada. Chegou o metrô? Que projeto chegou ao ABC?”, questionou o democrata.

A principal reclamação do momento está em torno da pandemia. Para Fuzari e os demais vereadores, existe a afirmação de que todas as cidades vão seguir os mesmos modelos de medidas, mas no final acabam gerando decretos com algumas diferenças.

São Bernardo foi a primeira cidade a indicar que faria o lockdown noturno, mas a medida foi seguida apenas por Santo André, Diadema e Mauá, sendo que está última criou mecanismos diferentes. As demais seguiram as ações impostas pela fase vermelha do Plano São Paulo.

Com o fim do feriadão, as cidades voltaram para a fase emergencial, menos Ribeirão Pires que emplacou em seu decreto a abertura do comércio, ou seja, foi até mais longe que o Governo do Estado em relação a flexibilização.

Outra reclamação são-bernardense está na fiscalização, parlamentares reclamaram da falta de um olhar claro das medidas nas áreas de medidas em que bares da cidade estão fechados e nas cidades vizinhas seguem abertos sem qualquer tipo de ação para impedir a abertura, mesmo com os decretos.

Questionado pela reportagem sobre algum tipo de conversa com Orlando Morando sobre o assunto, Fuzari afirmou que o assunto será tratado por meio da indicação e que caso o prefeito tenha a intenção de deixar a entidade, o Legislativo dará o seu apoio.

Bastidores

Segundo fontes da política de São Bernardo um possível pedido de saída será questão de tempo. A ideia é evitar o desgaste que ocorreu em outros municípios como Diadema e Rio Grande da Serra que tiveram um grande período de articulação para definir as saídas em 2017 e 2018, respectivamente.

Apesar de abertamente o assunto nunca ter sido abordado, muitos já esperavam um pedido de saída de São Bernardo em 2020, mas com o início da pandemia o assunto foi deixado de lado, principalmente com a série de reuniões que são feitas semanalmente entre os prefeitos.

Essa não é a primeira rusga com as novas gestões. Os prefeitos de Ribeirão Pires, Clovis Volpi (PL), e de Rio Grande da Serra, Claudinho da Geladeira (Podemos), chegaram a afirmar que deixariam o Consórcio. As reclamações estavam no âmbito financeiro dos municípios e também da indicação de alguns nomes para cargos dentro da entidade regional, o que desagradou principalmente Claudinho que não gostou da entrada de Akira Auriani (PSB), seu principal adversário no pleito de 2020.

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