Pandemia aumenta cuidados na ajuda a moradores de rua

ONGs buscam novas formas de ajudar moradores de rua em meio à pandemia (Foto: Divulgação/Mãos que Abençoam)

Apesar do calor dos últimos dias de agosto, este mês de 2020 será lembrado pela forte queda nas temperaturas, com recordes que levaram alguns termômetros a registrarem algo próximo de 0ºC. Somado isso à pandemia do novo coronavírus, a ajuda aos moradores de rua teve de ser reforçada tanto pelas prefeituras quanto pelas ONGs (organizações não governamentais) da região.

Segundo o levantamento feito pela reportagem junto aos governos municipais, a região conta com 1.216 registros de moradores de rua (com exceção de Rio Grande da Serra que não respondeu aos questionamentos). Mesmo sem estrutura suficiente para abrigar todos os cadastrados, os municípios tentaram reforçar abrigos e programas de atendimento desta população.

Santo André reforçou a equipe de abordagem nas ruas, que passaram não só a oferecer abrigo, cobertores e alimentação, mas também máscaras para que estes moradores de rua se protegessem da covid-19. Denominada Operação Inverno, a ação ampliou o número de vagas para 180 em abrigos, além de um espaço emergencial para aqueles que fazem parte do grupo de risco em relação ao novo coronavírus. Já foram abrigadas 35 pessoas neste processo.

No caso de São Bernardo, foi reforçada a Operação Cobertor que Salva. A cidade conta com uma casa de passagem 24 horas com 150 vagas e o serviço Moradia Provisória com mais 30 vagas, e foi criada a oportunidade para ampliação do mesmo em mais 40 vagas.

Além da abordagem com equipe técnica, São Caetano inaugurou em junho o Abrigo Emergencial. Das 30 vagas disponibilizadas, 18 foram ocupadas por quem aceitou a ajuda. Também existe a parceria com o Lar Bom Repouso, que passou por reforço das diretrizes por causa da pandemia.

Diadema mantém o Centro de Referência Especializado para a Pessoa em Situação de Rua, o Centro Pop, na região central, e parcerias com outras duas entidades para acolhimento, além da Operação Inverno. Houve também aumento das equipes para superar as barreiras colocadas pela pandemia do novo coronavírus.

Em Mauá o Centro Pop passou pela ampliação em 50% do número de vagas para os serviços de pernoite e de higiene pessoal, além da distribuição de cobertores. Em Ribeirão Pires, a Casa da Acolhida faz parceria com a Prefeitura e conta com o apoio da Guarda Civil Municipal (GCM) para realização do serviço. Houve aumento das rondas na cidade para ampliar o atendimento por causa da covid-19.

Entidades

A pandemia não foi obstáculo para a ONG Mãos que Abençoam que atua desde 2013, em São Caetano. São 87 voluntários ativos no auxílio de moradores de rua com alimentação, atendimento psicossocial, banho, resgate familiar e para dependentes químicos ofertam tratamento em clínicas de reabilitação “Antes o atendimento era feito três vezes por semana, com a chegada da quarentena começamos a atender todos os dias da semana, pois esses moradores não tinham mais bares e restaurantes para pedir alimentação”, explica Paula Maria Ribeiro do Amaral, vice-presidente da ONG e psicóloga.

Paula conta que entre março e julho a entidade ofereceu 343 banhos, 381 kits de higiene, 8.585 marmitas, 320 cobertores e 132 máscaras. “Nossa missão é contribuir para que essas pessoas em situação de rua possam ter a chance de serem protagonistas de um novo projeto de vida com base em valores éticos e morais”, conta a vice-presidente.

Voluntários reforçaram os cuidados por causa da covid-19 (Foto: Divulgação/Anjos da Sopa)

Outra ONG que prosseguiu as atividades no isolamento social foi a Anjos da Sopa, de Santo André, existente há seis anos, a entidade oferece apoio a todas as sete cidades do ABC, com 64 voluntários ativos. “Com a pandemia, invés de levar 600 refeições uma vez na semana nos municípios, resolvemos criar a ação Geladeira Solidária e alimentar todos os dias as pessoas em situação de rua”, relata Gisele Capelli, idealizadora da ação, que utilizou a garagem de casa para ofertar alimentação para quem necessita.

A entidade oferece, ainda, cobertores, máscaras, álcool em gel, roupas e, nas noites mais frias, a distribuição é intensificada.

Em relação ao poder público, Gisele conta que falta mais apoio aos moradores de rua e acha ineficazes, durante o isolamento social, ações como o Bom Prato serem paralisadas, pois desampara as pessoas que residem nas vias. “Já ouvi relato de moradores que contraíram sarna nos abrigos disponibilizados pelas cidades. As camas são próximas umas das outras, o que, além de doenças, facilita roubos. Presenciei pessoas desmaiarem de fome e andarem de Mauá até nossa sede em Santo André para se alimentar”, conta Gisele. (Colaboração: Nathalie Oliveira)

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