Depois do desafio dos espetáculos online, cultura corre para garantir lei Aldir Blanc

A pandemia do novo coronavírus trouxe uma série de desafios para todos os trabalhadores, mas quem trabalha com a cultura certamente está entre os mais afetados. Sem público há cinco meses, cinemas, teatros, salas de exposição, picadeiros e outros espaços dedicados às artes estão com muitas dificuldades. No setor público, assim como em outras áreas, a migração para o meio digital foi a forma de manter as atividades nestes meses, mas com a situação muito difícil para quem vive da cultura a prioridade é fazer os recursos da lei Aldir Blanc chegarem às cidades e aos artistas.

Em entrevista ao RDTv, a secretária de Cultura de Santo André, Simone Zárate, disse que a agenda cultural da cidade, não parou, mesmo sem espetáculos presenciais. “A cultura foi um dos setores mais prejudicados, foi a primeira a parar e provavelmente será a última a retornar, o pessoal que trabalha está muito prejudicado e quem consome também. Temos quatro escolas de arte e fizemos a contratação de professores este ano, antes da pandemia; fizeram aulas online o que foi bom para eles e para os alunos”, explicou na entrevista aos jornalistas Carlos Carvalho e Leandro Amaral.

A OSSA (Orquestra Sinfônica de Santo André)  continuou trabalhando, mas online. “Não teve ensaio presencial, vamos começar a discutir agora para ver se vai ter. Fizeram da casa deles mesmo. Semana passada foi ao ar a trilogia do trancafiada; foram três curta-metragens com música e imagens. Também aconteceram micro concertos de quarentena, peças pequenas com poucos músicos e cada um na sua casa. No aniversário de Santo André também foi feito um trabalho com o hino da cidade, coisas que fogem de um trabalho clássico que reúne de 70 a 100 músicos, mas que é muito interessante também para o trabalho da orquestra”, disse Simone.

Para a secretária de cultura andreense depois da pandemia os investimentos no sentido de oferecer cultura de forma digital não ficar. “Cultura sem público não é cultura, nosso trabalho é juntar gente, ficamos felizes quando juntamos gente, então vamos nos adaptando enquanto a vacina não vem. Colocamos tudo na página da agenda. Em junho fizemos um edital emergencial, além dos acervos que nós tínhamos e juntamos tudo que era passível de mostrar no mundo digital e colocamos nessa agenda online.  A pandemia acabou forçando a cultura ir para o mundo digital, que era um caminho muito pouco utilizado, mas nada vai substituir as atividades presenciais. Essa aproximação com o meio digital traz desafios e o poder público também vai precisar reorganizar os seus recursos para investir em equipamento e em qualificação”, comenta

Aldir Blanc

Sancionada 29 de junho a Lei Aldir Blanc vem para socorrer os trabalhadores da cultura e também manter projetos. “O Governo federal soltou regulamentação na última semana, mas continuam as dúvidas. São R$ 3 bilhões para estados e municípios que repassam para os artistas. Proporcionalmente é uma quantia grande se comparar com o orçamento de prefeituras; Santo André vai recebe R$ 4,3 milhões. O entrave é que estamos em período eleitoral, então temos uma série de restrições, mas a regulamentação acaba deixando muitas dúvidas. Até o Tribunal de Contas da União tem dúvidas. Esperamos uma instrução normativa para que possa executar os recursos”, explica Simone Zárate.

É por conta destas questões técnicas que antes de setembro ninguém deve receber o auxílio. Enquanto o estado não abre um cadastro, a prefeitura de Santo André, que já discute essa situação com os artistas há um mês, está fazendo o seu próprio. “É uma forma de contatar essas pessoas. Em Santo André estamos cadastrando no Cultura AZ, mas vai levar um tempo para chegar, na melhor das hipóteses, no fim de setembro. Estamos fazendo mutirões para auxiliar as pessoas a se cadastrarem. O cadastro pode ser feito no www3.santoandre.sp.gov.br/agendacultural”, finaliza.

 

 

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