Escola particular garante estar pronta para a volta e não sobrevive mais tempo fechada

As escolas particulares garantem o cumprimento de todos os protocolos de segurança e que estão prontas para a reabertura. O setor, um dos mais penalizados durante a pandemia, teve que conceder descontos, perdeu muitos alunos, investiu na adaptação das instalações e tinha a expectativa de retorno em setembro, mas essa projeção caiu por terra.

Nesta terça-feira (11/08) em reunião no Consórcio Intermunicipal, os prefeitos da região definiram que os colégios privados só vão voltar quando as escolas públicas também voltarem, e os chefes do Executivo de quatro das sete cidades (Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra) já definiram que o retorno das aulas presenciais só ocorrerá no próximo ano.

A decisão veio como uma bomba para o segmento que está acumulando prejuízos e já começou a demitir. O RDtv desta terça-feira (11/08) ouviu mantenedoras muito desapontadas com a decisão regional. Participaram do programa Mariana Dianes, diretora da Escola Vereda, que tem unidades em São Bernardo, Santo André e no bairro paulistano da Moóca; Oswana Fameli, presidente da AESP-ABC (Associação das Escolas Particulares do ABC); e Lucineia Sarti, diretora da Escola Pingo de Gente, de Santo André.

Apesar da decisão dos prefeitos, Mariana Dianes ainda trabalha com a possibilidade de retorno em 7 de outubro. A Escola Vereda fez uma pesquisa com os pais, onde 62% disseram que não se sentem seguros em mandar os filhos para o colégio. “Vamos manter o ensino híbrido, ou seja os pais que optarem pelo não presencial vão poder continuar como estão, com o aulas online”, explicou a diretora da escola Vereda, que tem 1,6 mil alunos nas três unidades.

Da mesma forma, Lucinéia Sarti, diz que o investimento foi feito e a escola Pingo de Gente também está pronta para receber os alunos. “A escola é grande, não vamos voltar com o número de alunos que tínhamos antes, pois muitos saíram, então estamos prontos para a volta. Não fizemos pesquisa porque há bastante contradição nelas. Têm pais que não se sentem seguros em mandar os filhos para a escola, mas têm outros que precisam que ela volte pois estão trabalhando e não têm com quem deixar as crianças”, conta a mantenedora da escola que atende somente educação infantil.

A decisão veio como uma bomba para o segmento que está acumulando prejuízos e já começou a demitir.

Para a presidente da Aesp-ABC, Oswana Fameli o retorno é necessário para os alunos, para os pais e para as escolas também. “A partir do momento que autorizarem vamos voltar com responsabilidade. Entendemos que saúde é assunto sério, mas precisamos cuidar das famílias em que os pais voltaram a trabalhar e não têm onde deixar seus filhos. Me preocupam os estabelecimentos clandestinos de cuidadores, que não são escolas. Tem também a saúde emocional dos alunos, que precisam de socialização, de convivência. Para nós já é difícil responder a algumas perguntas, que dirá as crianças; essa carga emocional grande precisa ser trabalhada”, aponta.

Oswana é mantenedora do Colégio Paineiras, que tem com 500 alunos, diz que todos os protocolos já são conhecidos e que o álcool em gel, água, sabão e máscara são indispensáveis em todos os ambientes e os colégios estão prontos para a volta seja qual for a orientação. “A escola está fechada há cinco meses, não trancamos o vírus lá dentro, não tem nada vivo lá dentro. A escola não tem vida sem aluno. O trabalho online tem fluído muito bem, mas a gente também percebe uma aflição das famílias. Ninguém quer a insegurança dos alunos, mas tem que ter o mesmo juízo de valor de quem está na praça, no shopping ou no supermercado onde tem aglomeração”, desabafa. “A gente ainda aguarda a recomendação de como será esse retorno, a minha preocupação particularmente é com a educação infantil, e com os pais não tem com quem deixar os filhos”, continua a presidente da Aesp-ABC.

As finanças das instituições seguem com uma sangria muito grande. A receita diminui, as despesas até aumentaram e não há perspectiva de melhora a curto prazo. “A inadimplência no ABC ficava em torno de 6%, hoje a média é de 28%, tem escolas que estão com 58% e sofrem mais as instituições de ensino superior. Espero que não seja (a volta) uma decisão política, mas que seja o melhor para a sociedade, levando em conta o quanto a escola particular desonera o Estado, distribui emprego e renda. A escola talvez seja o único segmento que foi obrigado a conceder desconto; como se consegue sobreviver oferecendo desconto e com a inadimplência grande? Haverá demissão em massa”, prevê Oswana Fameli.

A proprietária da escola Pingo de Gente, disse que perdeu 50% dos seus alunos, mesmo negociando com os pais individualmente. “Tivemos demissões e se continuar como está não sei como vai ficar; à minha volta cinco escolas já fecharam. Estamos diante de um caos”, desabafa Lucinéia.

Mariana disse que a escola Vereda não demitiu e conseguiu controlar a inadimplência com dificuldade. “Temos atendido caso a caso e a gente percebe essa angústia dos pais e também o movimento de migração para a escola pública”, relata. Para a presidente da Aesp-ABC, essa migração pode ter um efeito muito ruim. “Não sei se a rede pública consegue atender”, finaliza Oswana Fameli.

Públicas

A decisão de parear a volta das escolas públicas com as particulares tomada pelos prefeitos no Consórcio Intermunicipal foi baseada em pesquisa regional sobre a intenção de retorno dos alunos às aulas presenciais. Em um total de 87.609 pais entrevistados, 83% se manifestaram contra a retomada das aulas presenciais neste ano.

A rede municipal de ensino do ABC é composta de 645 escolas nas setes cidades, com mais de 200 mil alunos matriculados, 13,2 mil professores e 9,8 mil funcionários. A decisão colegiada segue orientação dos Grupos de Trabalho (GTs) Educação e Saúde da entidade regional, que reúnem representantes das pastas das sete cidades.

O presidente do Consórcio e prefeito de Rio Grande da Serra, Gabriel Maranhão (Cidadania), ressaltou que o objetivo é garantir a segurança e a saúde de estudantes, professores, servidores e trabalhadores da área, bem como dos familiares de todos que integram o segmento. “A decisão dos prefeitos tem como objetivo assegurar que o retorno às aulas seja responsável, cuidadoso e seguro, de forma a garantir prevenção e segurança a alunos, professores e funcionários tanto das redes pública quanto da privada de ensino”, afirmou Maranhão.

Quatro cidades da região já definiram que as aulas não voltam mais este ano, são elas: Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. As cidades de São Bernardo, São Caetano e Diadema só devem definir uma posição após 30 de setembro.

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