Rifa de medalha resgata plano do Paulista, de Jundiaí, de se recuperar no futebol

Uma sala que permaneceu trancada e esquecida há anos dentro do estádio Jayme Cintra é uma das esperanças para o Paulista, de Jundiaí, começar a se reerguer após anos de insucessos no futebol e inúmeros problemas financeiros. A nova diretoria do clube encontrou no local abandonado uma série de itens antigos, em especial um pacote de 25 medalhas pelo título da equipe na Copa do Brasil de 2005. Um dos itens de premiação foi vendido em uma rifa e outros ainda devem ser leiloados para ajudar a arrecadar dinheiro.

Com 111 anos de história, o Paulista vive durante a pandemia do novo coronavírus um período de intensas transformações. O líder da torcida organizada do time, Rodrigo Alves, topou assumir como presidente gestor depois do cargo ficar vago e encontrou uma situação bastante complicada. O clube está registrado em quatro diferentes números do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJs), faz campanha ruim na Série A-3 do Estadual e acumula R$ 60 milhões em dívidas, a maior parte tributária e trabalhista.

O cenário difícil não desanimou o presidente novato. Apenas com 30 anos, ele recebeu cumprimentos de líderes de outras torcidas organizadas após tomar posse e entende ser o momento do clube se reinventar. “Nossa torcida é apaixonada e está comprando a ideia das ações que estamos fazendo durante a pandemia para arrecadar dinheiro. Tenho fé que vamos conseguir nos reestruturar”, disse ao Estadão. Em quatro sábados recentes, o Paulista fez um mutirão de vendas no estádio e conseguiu bons números de vendas: 5 mil máscaras, 250 camisas e 80 mochilas. Todas as peças trazem o escudo do clube.

Mas a ação mais notória nesta época foi justamente a rifa da medalha de campeão da Copa do Brasil. O clube vendeu cem números aos interessados a R$ 10 cada e conseguiu arrecadar R$ 1 mil para pagar algumas contas atrasadas. “As medalhas estavam em uma sala trancada dentro do estádio. Por anos ninguém abriu a porta. Eu chamei um chaveiro, entrei lá e achei um monte de camisas antigas, agasalhos sem uso e 25 medalhas da Copa do Brasil. Nós vamos nos organizar para fazer bom uso de todos esses itens”, contou o presidente.

Do pacote de medalhas, parte ficará no memorial do clube e o restante será destinada a outras ações, como leilões. Os uniformes também devem ser usados para essa finalidade. Nas últimas semanas o Paulista organizou não só o mutirão de vendas de máscaras e mochilas, como também realizou lives nas redes sociais com a presença de ex-jogadores para incentivar a participação da torcida neste novo momento.

O clube viveu o ápice entre 2005 e 2006. O título da Copa do Brasil rendeu a participação na Libertadores do ano seguinte, quando chegou a ganhar dentro de casa do poderoso River Plate. Nos anos seguintes a situação do Paulista desandou e os rebaixamentos viraram rotina. No Campeonato Brasileiro, o time chegou a disputar a Série B até 2007. No Estadual, a última presença na elite foi em 2014, para depois amargar a queda ao quarto escalão.

Em 2019 o Paulista conseguiu acesso à Série A-3, porém nesta temporada a equipe estava na lanterna antes da paralisação. “Faltam quatro jogos e quem sabe a gente precise ganhar três para não cair”, calcula o novo presidente. Outra preocupação dele é organizar o CNPJ do clube. O time está registrado na Federação Paulista de Futebol (FPF) como Paulista Ltda. e vai estudar em como unificar os cadastros.

Segundo o diretor jurídico do Paulista, Marco Antônio Zuffo, a situação difícil do clube tem conseguido ser resolvida pouco a pouco com doações da torcida. Uma loja de materiais de construção, por exemplo, bancou R$ 14 mil para reformar o vestiário do time. Outro comerciante contribuiu com produtos de limpeza para a faxina. “O clube quase chegou ao ponto de insolvência. Mas em Jundiaí as nossas ações têm mexido positivamente com a torcida”, comentou.

Zuffo contou que mesmo antes da pandemia o Paulista já havia conseguido diminuir um pouco as dívidas. O clube conseguiu usar parte da cota recebida pela FPF para quitar pendências. Em um ano, foram gastos R$ 1,2 milhões para resolver 78 processos trabalhistas.

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