Coronavírus: Mauá deve entrar em colapso em 15 dias, projeta secretário

O sistema de saúde de Mauá pode entrar em colapso nos próximos 15 dias, uma vez que a taxa de ocupação de leitos na rede pública gira em torno de 85 a 95% e os índices de isolamento social contra o novo coronavírus (covid-19) na região seguem abaixo do esperado. A projeção foi apontada pelo secretário de saúde, Luís Carlos Casarin, em entrevista ao RDtv nesta segunda-feira (18), dia em que o município chegou a 587 casos de covid-19 e 38 óbitos em decorrência da doença.

De acordo com Casarin, em um dia da semana os leitos da unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Nardini chegou a taxa de 100% de ocupação, enquanto em outros dias, ainda que não chegue em lotação máxima, a taxa continua alta. “A média tem sido de 80% a 90% de ocupação, o que tem nos preocupado diante do que há disponível na cidade. Por isso reforçamos a necessidade de proteção com máscaras, álcool em gel além do isolamento social”, explica sobre os métodos de prevenção.

Com os níveis de isolamento social entre 45 e 50%, o secretário acredita que em poucas semanas acontecerá o colapso de saúde em toda rede hospitalar, que deve ficar profundamente comprometida. “Estamos esforçados para cumprir ações que aliviem os impactos no sistema, como transferência de pacientes detectados com sintomas para hospitais de campanha. No entanto sabemos que estamos entrando em um momento bastante delicado, o que assim como na Capital, pode causar um possível esgotamento da rede”, completa.

Novos leitos

A preocupação diante dos índices fez com que a Prefeitura de Mauá efetivasse a proposta de ampliação dos leitos de UTI no Hospital Nardini para evitar maiores impactos no SUS (Sistema Único de Saúde) do município. Nesta segunda-feira (18), o secretário de saúde informou que propôs ampliação de pelo menos 50% no número de leitos. “Temos 20 leitos exclusivos para os pacientes da covid-19, precisaríamos deste modo então ampliar em pelo menos mais 10”, afirma.

Além dos novos leitos no Nardini, Casarin aponta também que a rede de saúde ampliará o número de leitos de UTI e semi-UTI conforme demanda de pacientes. “Ainda temos alguns leitos disponíveis que vamos utilizar e aumentar gradativamente conforme necessidade e taxa de ocupação no hospital de campanha e outras unidades”, explica.

O que complica o cenário, segundo o secretário, é a estrutura insuficiente para manter todos os pacientes internados na rede hospitalar, com falta de monitor e respiradores. “Tanto o sistema público quanto o privado sofrem com as mesmas coisas, o alto número de pessoas que precisam ser tratadas ao mesmo tempo e com equipamentos insuficientes. Por isso reforçamos a necessidade de mais aparelhos”, lembra.

Isolamento social deve permanecer

Apesar da rotatividade de pacientes internados e novos leitos em adequação, o secretário reforça a necessidade de manter o isolamento social para diminuir os impactos do novo coronavírus (covid-19). “As medidas de isolamento tiveram resultados positivos, mas decresceram no ABC e são insuficientes para manter uma resposta positiva, o que pode aumentar ainda mais o pico da doença. Um isolamento mais efetivo talvez amenizasse os impactos, o que ajudaria não só o SUS mas a voltarmos à vida normal mais rapidamente”, enfatiza.

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