Umas notas musicais valem mais que mil palavras!

É comum a máxima: “uma imagem vale mais que mil palavras”, e depois da imagem que assisti ontem quando o Presidente da Argentina, Alberto Fernandez, dedilhando seu violão e sugerindo “precisamos cuidar um dos outros…” fiquei com a convicção que podemos ter esperanças na vida, na humanidade.

Meus amigos, esta foi a imagem política mais forte que vi nos últimos tempos, uma autoridade pública e suas notas musicais sugerindo o que o poeta Almir Sater fala de maneira tão simples … “É preciso amor pra poder cuidar”…

Pois bem, minha reação ao ver o Presidente tocando foi instantânea, compartilhei o vídeo como forma de dizer: “para de bater boca tentando compreender porque um qualquer anda por aí perguntando: “E, daí?”, sai dessa, você não muda a religião ou o time de alguém batendo boca, tá okay?!

Horas depois, voltei as redes sociais e tal a minha surpresa quando reparei que a postagem do vídeo do presidente hermano tinha recebido em minha timeline pouco mais de uma dúzia de likes.

E a minha frustração foi maior quando lembrei que no domingo, o cuscuz paulista que postei já havia superado duas centenas de likes e dezenas de comentários.

O meu viver de professor e a minha dificuldade de ser sintético me levaram a seguir pensando o tema.

Sei que o mundo não vai acabar pela falta de likes do vídeo do Presidente Argentino no facebook, mas sigo pensando sobre coisas que valem a pena.

Estou convencido que a humanidade precisa virar a chave, e muitas coisas precisam mudar, e sei que as mudanças não acontecerão apenas com palavras.

Aliás, nós vivemos um tempo do “mercado” onde tudo é medido em função do valor. A coisa é tão forte que a expressão “vale quanto pesa” pesa pouco na consciência.

Nestes tempos, onde a lei criada por Adam Smith (mercado) virou obsessão ainda me espanto quando ouço coach dizer: “Vamos pensar os valores de uma organização”, e logo as pessoas passam a dizer que “valor é a alma da organização”.

Esta conversa toda me fez rememorar um grande amigo, Jefferson Conceição, professor e escritor que admiro. Ele me disse, há tempos, que a humanidade precisava ter lucidez. O Jeff dizia, “meu caro, ser de esquerda ou de direita não é tão relevante, o mais relevante é ter lucidez”.

Pronto, a vida seguiu e fomos impactados por um vírus que sem falar uma palavra colocou a humanidade na lona. A humanidade foi para o corner do ringue, lugar de onde não tem conseguido sair.

Tenho certeza que saíra e a minha certeza tem muita relação com o meu otimismo e com uma certa dose de persistência.

Mas, espero de coração, que entre tantas transformações que precisam ocorrer, venha aquela onde as réguas de valor tenham a humanidade como elemento essencial.

Adoro epígrafes em texto, sempre penso que deixam os escritos mais elegantes, mas, desta vez, deixei-a para o final.

As coisas precisam se inverter na vida.

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo,
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

Olavo Bilac

(Artigo de Edgar Nobrega, professor e consultor, mestre em economia, doutor em ciência política)

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