Ministro do Esporte da Rússia quer que punição por doping seja anulada

As autoridades internacionais devem “virar a página” e esquecer o banimento da Rússia dos Jogos Olímpicos de Tóquio, provocado pela manipulação de testes antidoping. Essa é a avaliação do ministro do Esporte russo, Oleg Matytsin, que fez esse apelo em meio à pandemia do novo coronavírus.

Em dezembro do ano passado, a Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) decidiu excluir a Rússia de todas competições oficiais por quatro anos em consequência da falsificação de dados dos controles entregues à entidade. Com a punição, o país fica impedido de disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão, adiado para 2021, e os Jogos de Inverno de Pequim-2022, na China, além de outros grandes eventos esportivos, o que inclui a Copa do Mundo de 2022, no Catar. A bandeira e o hino do país do leste da Europa não serão permitidos nesses eventos, mas os atletas que conseguirem provar que não estão contaminados pelo escândalo de doping poderão competir sob uma bandeira neutra.

A Rússia está no processo de recorrer da suspensão imposta pela Wada e prometeu acionar a Corte Arbitral do Esporte (CAS), na Suíça. As audiências foram adiadas em razão da crise da covid-19.

O ministro de Esporte russo disse que o surto do vírus significa que as partes envolvidas nos processos judiciais devem evitar uma decisão contra a Rússia porque isso iria “quebrar” o movimento olímpico.

“Os líderes do Comitê Olímpico Internacional (COI), da Wada e os juízes que serão responsáveis pela decisão devem entender que agora estamos vivendo em condições completamente diferentes e essa crise, que foi criada, incluindo a crise nos relacionamentos, provavelmente deveria chegar a um final. Deveríamos virar uma nova página e entender que o principal agora é estarmos juntos”, afirmou Matytsin.

Matytsin reforçou que a manutenção das sanções à Rússia prejudicaria o movimento olímpico e adicionou que, uma vez que o surto do coronavírus recuar, o país se oferecerá para ser sede de eventos esportivos internacionais se seus anfitriões não tiverem condições de fazê-lo.

“Quando você vê que todo mundo está isolado e todo mundo está em casa, a consciência muda, a mentalidade muda e as pessoas entendem que agora há prioridades e há questões que ficam em segundo plano”, disse Matytsin. “A prioridade é o futuro do movimento olímpico, é a consolidação de toda a comunidade esportiva internacional”, acrescentou.

Em 2015, a Wada já havia descredenciado o laboratório russo em Moscou. Após investigações, a agência afirmou que o laboratório escondia rotineiramente casos de doping de centenas de esportistas russos, principalmente no atletismo. A Rússia foi finalmente punida e restrições foram impostas à participação de atletas na Olimpíada de Inverno de 2018, em Pyeongchang, na Coreia do Sul.

Matytsin assumiu o cargo de ministro do Esporte da Rússia em janeiro deste ano. Ele disse que deve haver “respeito pelo direitos dos países que estão entre os principais atores no cenário internacional. A Rússia sempre foi, é e continuará sendo esse tipo de parceiro”.

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