Ações contra efeitos do coronavírus permitem 3º dia seguido de alta na Bolsa

O início dos negócios na B3 foi de alta, dando sequência ao avanço registrado nos dois últimos pregões. Ainda que as preocupações persistam, investidores locais e do externos tentam se acalmar, na esperança de que as medidas que estão sendo anunciadas ajudem a abrandar os impactos do coronavírus, de forma a permitir uma volta à normalidade o quanto antes.

No entanto, sinais renovados de enfraquecimento da economia mundial empurraram as bolsas europeias e os índices futuros de Nova York para baixo mais cedo. Esse temor ganhou força após indicadores fracos da Alemanha e do Reino Unido, além dos dados semanais do mercado de trabalho dos EUA, que tiveram o maior volume da história.

Segue no radar dos investidores a expectativa de aprovação final do pacote em torno de US$ 2 trilhões para o combate à pandemia nos EUA, amanhã, na Câmara. A ajuda já fora aprovada pelos republicados na madrugada de quarta-feira e, hoje, no Senado.

Na opinião da economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, de forma geral, os preços das ações podem ter ficado barato e, com isso, investidores estejam aproveitando. “Muitos papéis de empresas com boa situação e que podem não ser tão afetadas pela crise ficaram atrativos. Pode ser que estejamos entrando num ciclo menos perverso, menos vicioso. Porém, isso não significa que logo o Ibovespa retomará os 100 mil pontos”, avalia, completando ainda que pode ser que, para o mercado, há a perspectiva de melhora, mas não que as coisas voltarão a ficar do jeito que estavam rapidamente. “As medidas anunciadas são bem-vindas, mas é preciso esperar como afetarão a economia real”, diz Camila. Às 11h31, o Ibovespa subia 4,00%, aos 77.950,30 pontos.

Para a analista Sandra Peres, da Terra Investimentos, o cenário ainda é bem complicado, o que não impede momentos de volatilidade. Com o número de pessoas infectadas pela doença subindo principalmente nos EUA e na Itália e, agora, na Espanha falando que esse montante pode estar superando o da China, “tudo isso prejudica o humor do investidor.”

Além do mais, a analista acredita que, internamente, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de janeiro, mesmo que tenha subido, veio aquém do esperado e ainda não teve efeito do coronavírus, o que pode elevar a cautela no mercado interno. “E o Relatório Trimestral de Inflação veio em linha com os documentos anteriores, com viés de inflação e atividade baixas. Apesar disso, o Banco Central pode manter a Selic 3,75% nas próximas reuniões. Em outros países, a queda de juro parece não estar surtindo efeito. Então, o BC talvez siga nesta linha”, opina.

Com o crescimento no total de pessoas contaminadas pelo coronavírus nos EUA, a analista ressalta que talvez a economia norte-americana fique mais tempo parada do que o estimado antes. Nesta quinta, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) voltou a falar sobre o coronavírus. Afirmou que o Fed fornecerá os empréstimos que forem necessários para apoiar o crédito, mas admitiu que o país já esteja em recessão.

No Brasil, o quadro de atenção não deve ser diferente, onde os governadores tendem a continuar a adotar medidas financeiras e de isolamento da população para limitar os impactos do coronavírus, a despeito das recomendações contrárias do presidente Jair Bolsonaro que pede a abertura do comércio, por exemplo.

A despeito de ter subido 7,50%, perto dos 75 mil pontos (74.955,57 pontos), ontem, em recuperação pelo segundo dia seguido, em Live do Coffee & Stocks, comandado pelo analista Thiago Salomão, da Rico Investimentos, Fernando Ferreira, chefe da área de análise da XP Investimentos, afirmou que o Brasil precisa de um pacote mais forte para abrandar os efeitos da pandemia. Porém, lembra, que a questão fiscal é um restritivo. “Enquanto nos EUA, na Alemanha os pacotes giram torno de 10% do PIB, aqui é de cerca de 2% do PIB. É muito tímido”, avaliou.

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