Voluntariado contribui para redução de pessoas em unidades de saúde

Médico Rafael Rigo fez cerca de 700 atendimentos on-line e voluntários (Fotos: redes sociais)

Com o isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus, os profissionais de saúde – não apenas os que estão a serviço nas unidades médicas, mas também aqueles que estão afastados de seus consultórios – ajudam a reduzir a ansiedade e a tratar da saúde de quem fica em casa, evitando que essas pessoas sobrecarreguem o sistema de saúde.

Cirurgião plástico, com todas as suas cirurgias canceladas desde o último dia 18 e com seu consultório em Santo Andre também fechado, Rafael Rigo resolveu colocar a sua rede social à disposição para tirar dúvidas sobre o contágio e sobre alguns dos sintomas da Covid-19, que são como os de uma gripe. Ele fez a seguinte postagem: “Sou médico. Se alguma dúvida tiver em relação ao coronavírus (Covid-19), que possa ser resolvida sem precisar se dirigir a um Pronto Socorro ou Emergência de Hospitais, você poderá me consultar, sem custos, por mensagem no particular”. Esse texto, postado no sábado (21/3), teve mais de 1,3 mil compartilhamentos, surpreendendo o profissional. “Eu nunca postei nada que fosse compartilhado mais de 20 vezes. Me surpreendi com a confiança que depositaram em mim. Muitos me deram retorno dizendo que resolveram o problema”, espanta-se.

Rigo comentou que naquele sábado começou a responder dúvidas de pessoas conhecidas e outras que nunca tinha visto, às 9h, e seguiu atendendo até 2h do dia seguinte. “As pessoas até tinham a informação, mas não sabiam como adaptá-la à realidade delas. A maior dificuldade que as pessoas encontravam era se pertenciam ou não ao grupo de risco, outras perguntavam sobre sintomas como espirros e tosse e não sabiam o que fazer, se deviam procurar um médico ou tratar em casa, outros, ainda, perguntavam se poderiam ir trabalhar porque não estavam com sintomas”, relatou.

“A intenção foi tentar ajudar a não superlotar as unidades de saúde. Atendi entre 600 e 700 pessoas pelo Facebook e Instagram. Acredito que consegui evitar que pelo menos umas 500 pessoas saíssem de casa sem necessidade. Quanto mais informação as pessoas tiverem, menos sobrecarregado ficará o sistema”, analisa o cirurgião.

Durante os atendimentos, que continuam, mas agora em menor número, Rafael Rigo disse que esbarrou em muitas fake news, notícias falsas sobre o novo coronavírus. “Coisas que foram divulgadas como chás, medicamentos e soros que supostamente curariam ou tratariam a Covid-19 causaram muita confusão”, comentou.

Camila Vilas Boas oferece apoio psicológico 

A psicóloga Camila Vilas Boas é outra profissional que está trabalhando voluntariamente para ajudar quem está em casa. Ela integra um grupo de psicólogos que se revezam no atendimento nos horários que cada um tem disponível. “A proposta é de uma orientação psicológica breve e de caráter voluntário. Fui convidada por colegas psicólogos a participar deste trabalho e venho observando também outros profissionais da categoria se mobilizando neste sentido. A mobilização é pautada no código de ética do psicólogo, que descreve ser dever fundamental este profissional prestar serviços profissionais em situações de calamidade pública ou de emergência, sem visar benefício pessoal”, explica.

Os atendimentos são realizados pela internet e cada profissional faz um ou dois atendimentos de aproximadamente 20 minutos. “O intuito é fornecer acolhimento, escuta e orientações psicológicas a quem precise neste momento em que vivemos coletivamente esta pandemia causada pelo novo coronavírus (Covid-19). Várias pessoas já foram e estão sendo beneficiadas com este apoio psicológico pontual”, conta. Essa é a primeira vez que Camila faz atendimentos on-line. “Para mim está sendo um desafio, pois estava habituada a atender presencialmente. Ao mesmo tempo está sendo surpreendente, pois gostei muito deste formato de atendimento”, diz.

Solidão

Ansiedade por conta do medo de contágio, solidão causada pelo isolamento social e depressão são alguns dos problemas que mais são atendidos pelos psicólogos do grupo. “Claro que cada pessoa vivencia a seu modo, mas este contexto que estamos vivendo pode suscitar algumas reações emocionais específicas, como medo, insegurança, estresse e solidão. A conduta de isolamento social é de suma importância neste momento para a saúde pública, mas claro que com este contexto – e com outras variáveis decorrentes da pandemia – muitas coisas foram ou estão na iminência de serem perdidas: a rotina costumeira, o evento que estava agendado e foi cancelado, a proximidade nas relações, planos, perspectivas e mudanças no trabalho, incluindo redução de salários. Está tudo suspenso, indefinido, instável. Necessitando de replanejamentos e reorganização”, analisa a psicóloga.

Para Camila Vilas Boas, todas essas situações trazem angústia, sentimento que nem todos conseguem lidar bem. “Têm pessoas que conseguem aceitar estes novos dados da realidade e efetuar as readaptações necessárias sem ajuda psicológica, porém outras vão precisar deste auxílio.  Foi justamente por conta destas probabilidades comportamentais que a categoria se uniu para promover este apoio psicológico à população neste momento”, conclui.

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