Regina Duarte traça tática para retomar indicações

A atriz Regina Duarte confidenciou a interlocutores que ainda “alimenta esperanças” de nomear na Secretaria da Cultura auxiliares que estão sendo alvo de integrantes da ala ideológica do governo de Jair Bolsonaro.

Recém-empossada no cargo, Regina passou a ser criticada por aliados do presidente após dizer, em entrevista à TV Globo, no domingo, 8, que existe uma “facção” tentando comandar a área. A referência foi entendida como uma tentativa de isolar os olavistas, grupo ligado ao escritor Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo.

Entre os nomes que a atriz ainda pretende levar para o governo está a da assistente social Maria do Carmo Brant de Carvalho. Carminha, como é conhecida, chegou a ser nomeada como secretária de Diversidade Cultural na sexta-feira, 6, mas teve a indicação cancelada pelo Palácio do Planalto três dias depois e não chegou nem mesmo a tomar posse. Ela é filiada ao PSDB e ocupou um cargo no governo na gestão de Michel Temer.

Regina insiste também em ter a seu lado Humberto Braga, que tem sido apontado por olavistas como próximo do deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ), opositor a Bolsonaro. A nomeação de Braga, presidente da Funarte na gestão Temer, como secretário executivo, segundo interlocutores da atriz, já havia sido aceita por Bolsonaro, mas após o processo de fritura ela foi suspensa.
A secretária insiste que os dois – Carminha e Braga – são pessoas competentes e podem “ajudar muito” na área cultural.

Ao tomar posse, Regina Duarte disse a Bolsonaro que não se esqueceria de que tinha recebido a promessa de “carta-branca” no cargo. Em seguida, Bolsonaro afirmou que exerceria o poder de veto, como já fez em outros ministérios.

A atriz, porém, não pretende comprar novas brigas agora. No momento, a nova secretária está dizendo a auxiliares que quer “apresentar resultados” e “mostrar a que veio”.

Entrevista

Após afirmar na entrevista à Globo que uma “facção” deseja tirá-la da Secretaria de Cultura, Regina recebeu críticas públicas do ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, do escritor Olavo de Carvalho e do presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, subordinado a ela.

Apontado como um dos fiadores da entrada da atriz no governo, Ramos disse ao jornal O Estado de S. Paulo que “não foi boa” a declaração de Regina. Articulador político do Palácio do Planalto, o ministro também defendeu Camargo, chamado pela atriz de “ativista” e de “problema”, na entrevista dada à TV Globo exibida no domingo, 8.

A quem a procurou, Regina reconheceu que a palavra “facção” foi dura, mas explicou que não usou a expressão de forma pejorativa. Justificou que, no dicionário, o significado da palavra é “grupo de pessoas com opiniões diferentes”.

Para demonstrar a sua “boa vontade” e intenção de “pacificar” a área da cultura no governo, na manhã de segunda-feira, 9, a secretária mandou emissários procurarem Sérgio Camargo para acenar com uma espécie de “bandeira branca”. Até ontem, porém, não havia recebido resposta.

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