Dobra número de lançamentos no ABC, mas setor imobiliário ainda vive crise

Os números do setor imobiliário na região começaram a dar sinais de recuperação diante da crise vivida nos últimos três anos. Em termos de lançamentos a região deu um salto positivo passando das 536 unidades no primeiro semestre do ano passado para 1062 apartamentos lançados nos primeiros seis meses deste ano, uma alta de 98%. O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (10/09) pela Acigabc (Associação dos Construtores e Imobiliárias do Grande ABC), que considera que, apesar da alta, o número de lançamentos no ABC ainda não estão nem perto da média de lançamentos para um primeiro semestre que é de 2.370 unidades.

Santaguita avalia que a recuperação do setor já teve início, mas resultados positivos somente no próximo ano. (Foto: George Garcia)

Para o presidente da Acigabc, Marcus Santaguita, o estoque de imóveis a espera de comprador reduziu e o salto no número de lançamentos caminha para equilibrar o mercado. “O estoque de unidades prontas é de 98, na planta são 610 e em construção 1.121, num total de 1829 unidades o que mostra que as construtoras venderam a maior parte do seu estoque e estão investindo em lançamentos e vendendo os imóveis em construção. A gente percebe que o pessoal está comprando de novo. No caso de unidade pronta é a hora certa de comprar porque está acabando”. Outro dado do levantamento da associação é que 70% dos imóveis comercializados no período são aqueles comprados na planta.

Quanto às vendas o desempenho ainda é negativo. No primeiro semestre de 2018 foram vendidas 1.462 unidades contra 763 no mesmo período deste ano uma queda de 47,8%. Santaguita avalia que a recuperação do mercado deve se consolidar no segundo semestre, mas números positivos somente no próximo ano. “Tradicionalmente o segundo semestre sempre é melhor. Com um cenário político mais favorável, a confiança está sendo retomada, a gente acredita que os empresários voltem a lançar em um volume maior. Mas a recuperação efetiva vai se dar em 2020, a expectativa é muito boa, a tendência é tirar o projeto da gaveta”, analisa.

Números apontam que os lançamentos ainda estão muito abaixo da média. (Foto: Reprodução)

O resultado mais positivo da região foi o de Santo André, que teve alta de 234% no número de lançamentos, passando de 272 unidades para 908 no comparativo entre os primeiros semestres dos dois anos. O resultado também foi positivo em vendas em 47,5% (de 301 unidades comercializadas para 443)  e em volume de movimentação financeira com alta de 98,7% (de R$ 154 milhões no primeiro semestre de 2018, para R$ 306 milhões).  “A cidade oferece um ambiente melhor para negócio do que as outras cidades”, avalia o presidente da Acigabc.

Diadema vem na sequência, mas com um tímido resultado de alta de 6,9% nos lançamentos – de 144 para 154  unidades, porém em volume de vendas a queda foi de 78,5% (de 669 unidades para 144). Mauá não teve lançamentos neste primeiro semestre, nos primeiros seis meses do ano passado tinham sido lançadas apenas 120 unidades. Desempenho pior somente São Bernardo que não teve lançamento nos dois períodos.  Em Mauá a TCU foi revisada e a vice-prefeita Alaíde Damo (MDB) sancionou a alteração na lei antes de deixar o cargo, o que para o setor é tido como positivo.

“Não podemos afirmar 100% que é isso, mas há um forte indício de que as leis tem influenciado o baixo número de lançamentos. Mauá tem o TCU (Termo de Compensação Urbanístico), que a prefeitura criou uma taxa de 10% que inviabilizou. São Caetano, com a ideia de reduzir a verticalização baixou o coeficiente para uma vez a área a ser construída, e em São Bernardo o coeficiente caiu de 4 para 1,5 a área do terreno. O mercado não tem fronteira então as construtoras vão para outros lugares. Os empresários estão indo para Santo André, porque a lei é favorável”.

Em nota a prefeitura de São Caetano informou que a legislação tem exatamente o objetivo de frear a verticalização. “A legislação municipal regulamentou a construção de condomínios residenciais após o boom imobiliário, fenômeno que ocorreu em todo o país no final da década passada e início desta.  A Prefeitura, no sentido de garantir o desenvolvimento sustentável da cidade, quer o crescimento equilibrado do município, além de garantir a oferta e a qualidade dos serviços públicos, mas sem prejudicar a atuação das empresas de construção civil”, informou sobre o coeficiente da área construída.

São Bernardo disse que estuda mudanças no Plano Diretor. “A prefeitura de São Bernardo informa que busca estudos técnicos para revisão do plano diretor da cidade, que estabelece regras para o desenvolvimento urbanístico. A meta é flexibilizar os limites para verticalização no município até o final deste ano, em áreas cuja infraestrutura acomode o aumento da demanda populacional”, informou em nota..

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