Dólar fecha estável com investidores de olho em Previdência e à espera do Fed

O dólar encerrou o pregão desta segunda-feira, 17, praticamente no zero a zero em meio à expectativa de investidores pelas decisões de política monetária aqui e nos Estados Unidos na quarta-feira, 19, e à avaliação de que a reforma da Previdência caminhará na Câmara a despeito da nova leva de atritos no campo político. Afora uma alta mais forte no meio da tarde, quando correu até a máxima de R$ 3,9244, na esteira de interpretações equivocadas de declarações do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o dólar trabalhou o restante do dia sem grandes sobressaltos e encerrou o pregão a R$ 3,8995, (+0,01%).

Segundo o diretor operacional da B&T Corretora, Marcos Trabbold, o mercado já incorporou tanto as notícias positivas em relação à reforma da Previdência, após a apresentação do parecer do relator na comissão especial, Samuel Moreira (PSDB-SP), na semana passada quanto a nova onda de tensão no ambiente político, com as rusgas entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Parece que agora acabou o fôlego para um lado e para o outro”, diz Trabbold, ressaltando que o dólar tende a ficar girando ao redor de R$ 3,90 se não houver novidades em relação à reforma.

Por ora, a leitura nas mesas de operação é que o pedido de demissão do presidente do BNDES, Joaquim Levy, e as críticas de Guedes aos parlamentares não abalam as expectativas de votação da reforma no plenário da Câmara ainda antes do recesso parlamentar. A postura de Maia de atacar o governo, a quem classificou de uma “usina de crises”, mas garantir o apoio à tramitação da reforma tranquilizaria os investidores.

Nesta segunda-feira, em evento do setor de etanol, em São Paulo, o ministro da Casa Civil tentou esfriar os ânimos ao elogiar o parecer de Samuel Moreira e relativizar as criticas de Guedes.

Trabbold ressalta que houve um alvoroço no meio do pregão com a fala do ministro Onyx de que “em poucas semanas teremos uma solução importante” na questão da Previdência. Essa frase teria sido interpretada como o lançamento de uma nova proposta, quando o ministro apenas reiterou a expectativa de avanço da reforma no plenário da Câmara até meados de julho. “Tirando essa questão do Onyx, que não era nenhuma novidade, o dólar operou muito de lado”, disse.

Sem novidades no front doméstico capaz de ditar o rumo do dólar, os investidores preferiram não fazer apostas mais contundentes, em meio à expectativa pela decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). A safra indicadores econômicos aquém do esperado nos Estados Unidos, como a queda do índice Empire State de atividade industrial na região de Nova York (de 17,8 em maio para -8,6 em junho), alimenta a visão de que o Fed pode sinalizar um corte de juros neste ano – o que tende a enfraquecer o dólar e carrear recursos para emergentes. No exterior, a moeda americana avançou em relação à libra, mas apresentou ligeira queda na comparação com o euro. Em relação a divisas de emergentes e exportadores de commodities, o desempenho foi misto, com alta em relação ao rand sul-africano e queda ante peso mexicano, por exemplo.

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