Dólar cai com leilão de linha e exterior, mas cautela com política limita ajuste

O dólar opera em baixa nos primeiros negócios desta segunda-feira, 20, reagindo a uma realização de lucros em meio à antecipação de leilões de linha de rolagem pelo Banco Central (BC), num total de US$ 3,75 bilhões, a partir desta segunda até quarta-feira, 22, e ainda ao dólar mais fraco ante outras moedas emergentes no exterior, por causa do aumento da tensão com a guerra comercial EUA-China.

Contudo, o ajuste de baixa é limitado por um pano de fundo de cautela local, sustentado pela crise política envolvendo o presidente Jair Bolsonaro e o Congresso, em torno da tramitação da reforma da Previdência e da MP 870, que reestrutura os ministérios.

Na última sexta-feira, dia 17, o dólar registrou a terceira alta consecutiva, para R$ 4,1002 no mercado à vista – maior valor de fechamento desde 19 de setembro do ano passado (R$ 4,1308). Na semana, acumulou valorização de 3,93% ante o real – maior ganho semanal desde o fim de agosto de 2018.

Os partidos do Centrão têm imposto derrotas em série ao governo. A maioria do bloco – cujo núcleo duro é formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade e que reúne cerca de 230 dos 513 deputados – só concorda, por exemplo, em aprovar a medida provisória 870, da reforma administrativa, se o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) ficar fora da alçada do ministro Sérgio Moro. Em seu terceiro mandato como presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) se tornou o principal articulador do Centrão.

O relator na comissão especial da Câmara, Samuel Moreira (PSDB-SP), reúne-se com o ministro da Economia, Paulo Guedes, no começo da tarde de hoje (14h), após ter se encontrado no Domingo (19) com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Samuel Moreira disse que quer simplificar as regras de transição para trabalhadores que já contribuem para a Previdência. O relator afirmou que pretende apresentar o relatório final à Comissão Especial até a primeira quinzena de junho.

O mercado também olha outra rodada de piora nas previsões do boletim Focus. A alta do PIB de 2019 recuou de 1,45% para 1,24% e, para 2020, segue em 2,50%. As projeções para IPCA para 2019 passaram de 4,04% para 4,07% e para 2020, seguem em 4%. As estimativas da Selic no fim de 2019 permanecem em 6,50% ao ano e para 2020 recuaram de 7,50% para 7,25% ao ano.

Às 9h35 desta segunda-feira, o dólar à vista caía 0,29%, aos R$ 4,0878. O dólar futuro para junho recuava 0,30%, aos R$ 4,0945.

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