Chef francês de carreira estelar, Robuchon morre aos 73 anos

Considerado chef dos chefs e um dos maiores detentores de estrelas do prestigioso guia Michelin, o francês Joël Robuchon (foto) morreu nesta segunda-feira, 6, aos 73 anos em decorrência de um câncer no pâncreas, informou sua assessoria. O chef havia passado há um ano por uma cirurgia por conta do tumor.

Pouco mais de seis meses depois de o seu conterrâneo Paul Bocuse morrer aos 91 anos e de há dois meses o americano Anthony Bourdain ter sido encontrado morto aos 61 anos, a morte de Robuchon causa comoção novamente no universo gastronômico por todo o mundo.

No Brasil, o francês Laurent Suaudeau, radicado no Brasil há mais de 30 anos, relembra que Robuchon esteve em São Paulo em 2003 para o concurso Gourmet Show, na Fispal, onde era naquela época escolhido o cozinheiro que iria para a França participar do Bocuse d’Or, considerada a Copa da gastronomia. “Naquela época nem o dono da feira acreditou que ele poderia vir! Sem custo. Qual desses chefs faria isso hoje só para prestigiar jovens profissionais de cozinha que ingressavam na profissão na época? Eu te garanto que nenhum faria isso hoje!”, disse Laurent.

Nascido em 1945 em Poitiers, Robuchon recebeu vários reconhecimentos ao longo de sua carreira, como o título de melhor cozinheiro do século pelo guia Gault & Millau, em 1990, que uniu-se às mais de 30 estrelas Michelin que ele já chegou a receber, somando seus restaurantes ao redor do mundo. Sua principal casa, L’Atelier de Joël Robuchon, em Paris, atualmente ostenta 2 estrelas Michelin.

Para o restaurateur Rogerio Fasano, Robuchon era o melhor chef de cozinha vivo. “Para mim era disparado o melhor chef e melhor cozinheiro do mundo! Gostava de tudo o que ele fazia!!! O L’Atelier em Paris está entre meus lugares preferidos! Como grande formador de equipes que era, seu legado permanecerá por muito tempo! Tive a privilégio de conhecê-lo. Fiquei bastante triste.”

Uma das receitas mais famosas de Robuchon, que era conhecido pelo uso ostensivo de manteiga em seus pratos, era o purê de batatas, de textura aveludada e reconhecido entre cozinheiros como o melhor purê do mundo. Além de suas casas na França, Robuchon espalhou fama entre clientes em vários cantos do planeta, tendo aberto restaurantes na Europa, na América do Norte e em muitas cidades da Ásia, como Tókio, Bangcoc, Macao e Shangai.

“Ele reinventou o conceito de restaurante com o L’Atelier”, diz Charlô Whately, do Bistrô Charlô, que já morou em Paris. De família francesa e também frequentador de casas francesas, o chef Raphael Despirite, do Marcel, elege o L’Atelier como um de seus preferidos em Paris. “Era um cara elegante, um chef anfitrião, vai fazer falta!”

Na França, a morte repercutiu desde cedo. Um dos primeiros a se despedir do mestre pelo Twitter foi o chef de cozinha do Palácio do Eliseu, Guillaume Gómez: “O maior profissional que a cozinha francesa já teve. Um exemplo para as gerações futuras de chefs.”

Apesar de tantos restaurantes em seu nome, Joël Robuchon já estava distanciado da rotina da cozinha desde os seus 50 anos, quando passou a se dedicar a livros e programas de TV. Apresentou, por quase uma década, o programa Bon Appétit Bien Sûr.

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