Santo André enfim assina verbas para mobilidade urbana

Sem grandes obras viárias desde a década de 1990, Santo André corre para se recuperar dos transtornos da inércia do poder público e desatar o trânsito caótico em horários de pico. Um passo para amenizar o teste de paciência aos moradores ocorreu nesta segunda-feira (16), com a assinatura do convênio de financiamento de US$ 25 milhões – equivalentes a R$ 96,4 milhões – do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para mobilidade urbana.

O contrato entre o governo e a instituição financeira prevê investimentos de US$ 50 milhões – cotados em R$ 192,8 milhões – para obras e melhorias no sistema viário, com metade desse valor como contrapartida da Prefeitura de Santo André. Os recursos do BID possibilitarão intervenções nos viadutos Antônio Adib Chammas e Castelo Branco, um corredor de ônibus no Centro e a criação de um plano de mobilidade.

Paulo Serra assina convênio na sede do BID, em São Paulo. (Foto: Pedro Diogo)

Com representantes do BID e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, o prefeito Paulo Serra (PSDB) efetuou a assinatura do contrato, no escritório da instituição bancária em São Paulo, após dois anos para aprovação do financiamento. Antes do acordo, coube ao governo municipal recuperar a sua capacidade de endividamento e o convênio passar pelo aval do Senado e chancela da União, fiadora da linha de crédito.

“Seria impossível assinar um contrato dessa relevância na forma em que estavam as finanças de nossa cidade, que a gente herdou. Então isso é um marco e mostra que daqui para frente Santo André está de volta ao mercado, podendo ter projetos com a CAF (Corporação Andina de Fomento), Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China) e mais projetos com o BID”, constata o prefeito.

Adib Chammas

A proposta mais avançada é a segunda alça do viaduto Adib Chammas, inaugurado na década de 1980 na região central, visto que conta com projeto executivo finalizado. O governo deve lançar em duas semanas a licitação para contratação de uma empresa de supervisão das obras, uma das exigências do BID para liberação das verbas. Em seguida, ainda neste semestre, o Paço abrirá concorrência pública pelas intervenções, previstas em R$ 12 milhões e com prazo de conclusão de um ano.

Corredor de ônibus

Remodelação do corredor de ônibus ficará para 2019. Foto: Banco de Dados

O passo seguinte será dado no início de 2019, por meio da licitação para qualificação do corredor de ônibus de quatro quilômetros, do Terminal de Santo André Oeste até as proximidades do Parque Antônio Fláquer, mais conhecido como Parque do Ipiranguinha. Sob custo projetado em R$ 6 milhões, os trabalhos preveem reforma e rebaixamento das calçadas e novos abrigos de pontos de embarque e desembarque.

Entretanto, as ruas estreitas do Centro não possibilitarão obras mais ousadas, uma vez que não estão projetadas desapropriações. Dessa forma, haverá trechos sem segregação física nas vias de ônibus e demais veículos, além de não disponibilizar espaço para ultrapassagem entre coletivos. Uma saída para atenuar as limitações da rede é investir em sistema semafórico inteligente, a fim de privilegiar o transporte coletivo.

Castelo Branco

Obra de maior impacto prevista no financiamento do BID, a expansão do sistema viário do viaduto Castelo Branco, no bairro Santa Terezinha, terá a publicação do edital somente no próximo ano, sem previsão de data. O governo estima que a proposta chegue aos custos de R$ 80 milhões, mas ainda não há projeto executivo finalizado. O plano consiste em duas alças na via, sendo uma delas sobre o rio Tamanduateí.

Plano de mobilidade

Incluso no convênio, o plano de mobilidade estabelecerá diretrizes para investimentos e melhorias no sistema viário em Santo André para as próximas décadas. “Esse plano fará um diagnóstico, identificando pontos de congestionamento e acidentes para sabermos quais as medidas necessárias, além de uma análise na situação da rede de transporte coletivo e ditar mudanças”, diz o secretário de Mobilidade Urbana, Edilson Factori.

Sem obras

Avenida Perimetral foi inaugurada em 1972 e tem pontos de congestionamento. (Foto: Banco de Dados)

Quinta maior cidade paulista, Santo André também é ponto de passagem de moradores de outros municípios. No entanto, o crescimento da frota de veículos foi consideravelmente mais veloz que os investimentos na malha viária. Rigorosamente, a última obra entregue à população completou dez anos: o viário Cassaquera, que interliga as avenidas dos Estados e Giovanni Battista Pirelli.

No entanto, Santo André fica ainda mais atrás em obras de grande impacto, uma vez que a última nesse modelo foi a avenida José Amazonas, construída na década de 1990. Outro grande marco viário da cidade é a avenida Perimetral, disponibilizada à população em 1972. Mesmo assim, nem a engenhosidade da via resistiu ao tempo e à falta de novos projetos viários e hoje já não resiste aos crescentes congestionamentos.

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