Diadema recebe verba de Caps 24h que fecha às 19h

Pacientes são transferidos para outro posto à noite

O governo do prefeito de Diadema, Lauro Michels (PV), recebe verbas da União para o funcionamento 24 horas do Caps (Centro de Atenção Psicossocial) III, na região do bairro Eldorado, mas desde dezembro, mantém a unidade em funcionamento somente das 7h às 19h. Além de não cumprir com a carga horária em período integral, pacientes são transferidos para outro posto à noite, o que atrapalha o tratamento em ambos os pontos.

O RD conseguiu adentrar no Caps III Sul/Oeste e no Caps III Leste, localizado na região central, que recebe pacientes do primeiro posto entre as 19h às 7h da manhã do dia seguinte. Em ambos os locais, duas constatações: a confirmação da prática adotada pela Prefeitura de Diadema e as condições deterioradas de trabalho dos servidores e tratamento dos pacientes.

Pelo Caps III Leste, a reportagem se deparou com uma guarita sem guarda e completamente vazia

Segundo funcionários, que solicitaram sigilo de seus nomes por medo de represálias do Paço, pacientes com transtornos mentais e usuário de drogas, que são transferidos do Caps III Sul/Oeste para o posto Leste, têm o tratamento prejudicado com os deslocamentos diários. “Isso atrapalha, porque um paciente toma medicação para dormir, nem sempre dorme rápido e quando dorme, precisa acordar”, relata um servidor.

De acordo com nota do Ministério da Saúde, Diadema recebe anualmente R$ 4,6 milhões para o custeio de cinco Caps. Somente entre janeiro e março deste ano, a gestão Michels recebeu R$ 1,1 milhão. Ainda em comunicado, a União esclarece que os Caps de categoria III e IV devem funcionar 24 horas por dia e o não cumprimento dessa norma pode resultar em auditoria ou em processo judicial para responsabilização de gestores.

Também chama a atenção o número reduzido de pacientes atendidos no Caps III Sul/Oeste desde dezembro. Na semana passada, a reportagem esteve no local e não havia sequer um paciente. Até o fechamento desta reportagem, houve a confirmação de uma pessoa no local. “Às 6h, acordamos o paciente (no Caps III Leste), encaminhamos para o banho e depois vem um carro com um funcionário para levá-lo para o Caps Sul, onde ele fica o dia todo”, relata uma funcionária.

Falta de diálogo

A reportagem também ouviu de funcionários de que a Prefeitura de Diadema estava em vias de viabilizar uma nova locação para a estrutura e mão de obra do Caps da região do Eldorado, e que provavelmente o imóvel seria próximo ao Centro. Entretanto, servidores reclamam da falta de diálogo por parte da coordenação do serviço, para saber como estão os trabalhadores e o tratamento de pacientes.

Atualmente, o Caps III Sul/Oeste conta com uma viatura da GCM (Guarda Civil Municipal) enquanto está em funcionamento. Uma das razões da segurança e, talvez até da interdição do funcionamento integral da unidade, seja as ameaças de traficantes de drogas nas redondezas, uma vez que há uma boca de fumo próxima.

Pelo Caps III Leste, a reportagem se deparou com uma guarita sem guarda e completamente vazia. Nas dependências, colchões rasgados, portas sem maçanetas e outros problemas estruturais fazem parte do dia a dia de quem precisa e trabalha no equipamento.

No dia 4 de abril, o RD entrou em contato com a Prefeitura para elucidar a situação dos serviços. Entre os questionamentos, a reportagem solicitou esclarecimentos sobre a razão do Caps III Sul/Oeste fechar no período noturno desde dezembro, se haveria futuramente um novo local de atendimento, quantos pacientes são atendidos e transportados ao Caps III Leste. O governo não respondeu.

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