Santo André chega a 79% de empregos formais no setor de serviços

Jefferson (centro) aponta para necessidade de políticas públicas para mão de obra qualificada. (Foto: Pedro Diogo)

Cada vez mais presente, o setor de serviços em Santo André empregou, em 2016, 123,2 mil trabalhadores formais, um percentual de 79% da amostra analisada pelo Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS (Universidade de São Caetano do Sul), referente a 2016. O segmento é seguido pelo ramo industrial, com 25,2 mil postos de trabalho (16,2%) e 7,4 mil (4,8%) da área da construção civil.

Chama a atenção no levantamento que em 2002, o número de postos de trabalho no ramo de serviços em Santo André era 62,6 mil, número que praticamente dobra em 2016. Em termos percentuais, o setor preenchia 66% do mercado de trabalho. As indústrias empregavam, no início do século, 28,5 mil pessoas (30,1%) e a construção civil 3,6 mil (3,8%).

“No ABC, verifica-se a queda da participação da indústria (no mercado de trabalho). Mas me parece que essa situação é um pouco maior em Santo André se comparado em São Bernardo, Diadema e Mauá. Essa é uma tendência quando comparamos os números”, pontua o coordenador do Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS e assessor da pró-reitoria, Jefferson Conceição.

O êxodo gradual de trabalhadores do setor industrial para o ramo de serviços também desperta a necessidade de políticas públicas para qualificação profissional, segundo Jefferson. “Recomendaria uma política público-privada no sentido de qualificar a mão de obra nessa transição e para os novos segmentos, inclusive de alta tecnologia. É preciso que as escolas técnicas, segundo grau e universidades, sentem-se à mesa e estudem uma grade de qualificação para os serviços de ponta”, completa.

O setor de serviço também representou 77,9% do PIB (Produto Interno Bruto) de Santo André em 2015, o que representa em valores absolutos R$ 17,6 bilhões, ante a R$ 5 bilhões do ramo industrial, o que correspondeu a 22,1% do quadro de R$ 22,6 bilhões da soma no município.

Os indicadores evidenciam que Santo André cada vez muda mais o perfil mercadológico, com ascensão de postos de trabalho e geração de riqueza oriundos do ramo de serviços, enquanto o setor industrial segue caminho inverso. “É possível ver Santo André se voltar mais aos serviços se comparada a outras cidades, e isso foi norteando o desenvolvimento do município. Um fator para isso é a logística, afinal, o Rodoanel (Mário Covas) ainda é recente e a cidade não é cortada pelas rodovias Imigrantes e Anchieta, que exercem um papel importante na flexibilidade de logística” justifica Jefferson.

Reduzir a malha industrial também pode implicar em novas oportunidades de crescimento econômico, por outro lado, além de ter avanços à preservação ambiental. Nesse contexto, o município passa a ter novos horizontes para a indústria de alta tecnologia.

“Santo André pode exercer esse protagonismo nessa mudança de rumo no ABC. Mas sugiro um inventário tecnológico da cidade, que não temos hoje. Assim teremos, por meio da gestão pública, uma análise detalhada das demandas tecnológicas na cidade, de forma que a gente consiga saber quantas empresas contam com certificados, que laboratórios que nós temos na cidade, que tipo de serviços prestam”, analisa o especialista.

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