Inaugurada em 2013, UPA Barão de Mauá fecha as portas por um ano

Quatro anos em funcionamento, UPA Barão de Mauá sente efeitos do tempo e descaso. (Foto: Pedro Diogo)

Completados quatro anos de atividade, a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Barão de Mauá, no Jardim Maringá, em Mauá, fechará as portas a partir das 7h desta quinta-feira (09). O governo do prefeito Atila Jacomussi (PSB) alega que o posto passará por reformas e somente será entregue no fim de 2018, a fim de corrigir irregularidades no prédio, inaugurado pela gestão do antecessor Donisete Braga (PT).

O governo justifica que as intervenções na unidade servirão para implantar o serviço do Pai (Pronto Atendimento Infantil), além de uma base descentralizada do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). As obras previstas terão mão de obra própria da Prefeitura de Mauá, assim dispensando a necessidade de uma licitação pela contratação do serviço, e têm valor estimado de R$ 574 mil dos cofres públicos.

O RD esteve na UPA Barão de Mauá na tarde desta terça-feira (07) e se deparou com um cenário de abandono, apesar da sua inauguração recente, em 16 de julho de 2013. Do lado de fora, fachada pichada, janelas quebradas e uma pendurada com apenas um suporte. Na área interna, mais descaso: assentos danificados, paredes e pisos malconservados, banheiro com fechaduras quebradas, pia sem torneira e vaso sanitário sem tampa.

Na recepção da unidade, folhetos orientando os munícipes a se dirigirem às UPAs do Jardim Zaíra, Vila Assis e Vila Magini já estavam à disposição, com os três endereços e telefone de cada uma. Do lado de fora, uma faixa da Prefeitura de Mauá indicava a data do fechamento do posto. No momento em que a reportagem visitou o equipamento, praticamente todos os assentos estavam ocupados, de pessoas à espera de atendimento.

Janela pendurada com apenas um suporte na UPA Barão de Mauá. (Foto: Pedro Diogo)

Entretanto, o fechamento do posto causará dor de cabeça para quem, apesar de toda estrutura precária, ainda depende do atendimento médico oferecido no local. “O fechamento é uma grande perda. Na UPA da Vila Assis, para quem mora no (Jardim) Itapeva e (Jardim) Esperança, são necessários dois ônibus. No Zaíra, a mesma situação”, lamenta a comerciante Marisa Aparecida Assis, 52 anos, que sofre com a crise de rinite.

A massagista Elvira Teixeira Vieira Lombardi, 52 anos, dá nota cinco de dez à qualidade de atendimento da UPA Barão de Mauá. “Já fiquei aqui duas horas esperando. Também acho que precisa melhorar o atendimento de alguns profissionais. Uma vez meus filhos trouxeram o pai aqui, que tem 66 anos, e uma enfermeira não deixou que eles o acompanhassem, apesar do Estatuto do Idoso (artigo 16º da lei federal 10.741/2003, que garante esse direito para quem tem mais de 60 anos)”, lembra.

Segundo a Prefeitura de Mauá, a UPA Barão de Mauá recebe em média 250 pacientes por dia e dispõe de quatro clínicos-gerais no período diurno e outros três no noturno, além de dois pediatras no diurno e mais dois no noturno. A unidade ainda conta com 15 enfermeiros e 45 auxiliares de enfermagem. O governo diz que a readequação do quadro do posto será baseado no número de atendimentos e dimensionamento por categoria.​

Faixa da Prefeitura de Mauá anunciando data de fechamento da UPA. (Foto: Pedro Diogo)

A UPA Barão de Mauá foi a quarta unidade entregue em Mauá, pelo governo Donisete. O prédio chegou a ficar pronto um mês antes de abrir as portas para população, mas teve a inauguração adiada por duas vezes, por antes estar condicionada às participações do então ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que no fim, não ocorreram.

Outras unidades de Mauá sofrem com lotação

Com o anúncio de fechamento da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Barão de Mauá, na no Jardim Maringá, previsto a partir das 7h desta quinta-feira (09), o RD percorreu as outras três unidades da rede em Mauá: Jardim Zaíra, Vila Magini e Vila Assis. Com exceção do terceiro posto, a reclamação dos moradores que dependem dos serviços é a mesma: a lotação e a longa espera por atendimento.

Sem a UPA Barão de Mauá, o governo do prefeito Atila Jacomussi (PSB) orienta os usuários a se dirigir para os três postos da rede. Entretanto, a UPA do Jardim Zaíra já sofre com lotação. A reportagem se deparou com todos os assentos ocupados por moradores, além de pessoas que aguardavam de pé por atendimento médico, que chegava a demorar mais de duas horas.

Esse foi o caso de Tatiane Ribeiro de Aguiar, 35 anos, acompanhante do marido que sofria um sangramento no abdômen após um procedimento cirúrgico. Ambos estavam de pé. “Estou aqui há mais de duas horas esperando o atendimento ao meu marido. Ele fez cirurgia de hérnia abdominal e está sangrando. E a UPA da Vila Magini é ainda pior”, citou, ao saber que as unidades receberiam demandas da UPA Barão de Mauá.

UPA da Vila Assis é a exceção das longas filas de espera. Foto: Evandro Oliveira

A afirmação de Tatiane é confirmada por moradores que usam a UPA da Vila Magini, situada na região central de Mauá. “Aqui já foi mais rápido. Mas estou esperando ser chamado há duas horas. Com o fechamento (da UPA Barão de Mauá), vai piorar”, projeta o cabeleireiro Felipe Gleisson Fidelis, 30 anos. No local, o RD se deparou com usuários já impacientes com a demora pela assistência médica.

O governo diz que as UPAs do Jardim Zaíra e da Vila Magini têm média, cada uma, de 200 pacientes por dia, e ambas contam cada uma com cinco clínicos-gerais e quatro pediatras. O primeiro posto ainda oferece 12 enfermeiros, 40 auxiliares de enfermagem e três técnicos de enfermagem. Já a segunda unidade dispõe de 15 enfermeiros, 41 auxiliares de enfermagem e quatro técnicos de enfermagem. ​

Por ora, a UPA da Vila Assis está em situação mais tranquila. No momento em que a reportagem esteve na unidade, apenas 11 dos 39 assentos estavam ocupados na sala de espera. “Geralmente, aqui é mais vazio, por isso que o atendimento aqui costuma levar uns 50 minutos (somando a triagem e a espera pela chamada do plantonista)”, avalia a estudante Nathalia Francini, 21 anos.

De acordo com a Prefeitura de Mauá, a UPA da Vila Assis tem média de 180 pacientes por dia e conta com cinco clínicos-gerais, quatro pediatras (dois em cada turno), 15 enfermeiros, 42 auxiliares de enfermagem e sete técnicos de enfermagem.

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