Imagem do prefeito Paulinho Serra segundo as redes sociais

Nilton Tristão, diretor da GovNet

A primeira etapa de estudo visa aferir os conceitos a respeito da imagem do prefeito de Santo André, Paulinho Serra (PSDB), junto aos usuários de redes sociais. No decorrer da semana serão divulgados outros dados, inclusive dando dimensões estatísticas do levantamento.

Neste momento procuraremos interpretar o conteúdo das interações entre os internautas e as postagens promovidas pelo governo municipal com abordagem de cunho qualitativo. Como método de análise dividimos as menções em três categorias, a saber: positivas, neutras e negativas.

Durante o período averiguado, observamos que os principais temas debatidos foram saúde, educação, dissídio, obras, assistência social, segurança, habitação, eventos culturais, manutenção da cidade, transporte coletivo, atenção ao idoso e fornecimento de água. Percebemos que a métrica das manifestações favoráveis a Paulinho Serra circunscreve-se, em sua maioria, a textos curtos de agradecimento pelas ações realizadas, tais como: “parabéns pela iniciativa, tamos juntos, é isso aí, meu lindo, valeu prefeito, adorei, amei, super, mais um ponto para você”, etc. Tal contingência não confere valoração à identidade do chefe do executivo local; no máximo concede algum tipo de agradecimento sem densidade e expressividade ou contextualiza a gestão por notabilizar-se em promover simples gestos transformadores, que em um futuro porvindouro poderão transfigurar-se em conquistas de relevância.

Por outro lado, as manifestações críticas, circunstância natural de quem está insatisfeito com o desempenho administrativo e/ou rumos da cidade, são permeadas de considerações e sentimentos bem delineados. Nesta esfera, entre os internautas, prevalece a percepção de que o presente governo ainda não apresentou aos andreenses o corpo de gestores competentes que iriam transformar a administração municipal em um modelo de eficiência, uma vez que este público considera que a infraestrutura urbana continua degradada e os equipamentos de saúde – mais notadamente Santa Casa e UPA – permanecem lotados e sem condições de prestarem atendimento de qualidade. As UBS fechadas para reforma estão intocadas, o que precariza ainda mais o acolhimento ao usuário, tornando a espera em algo desumano e desesperador; nas farmácias dos postos de saúde perdura a falta de medicamentos.

Também foi citado que o chamamento de professores ocorre em um ritmo abaixo do esperado, há ausência de reajuste salarial para os aposentados e dissídio para o funcionalismo, entre outras questões.

Em síntese, as intervenções adotadas pela municipalidade até o momento tiveram muito mais o intuito de criar fatos pontuais para a apropriação de peças publicitárias do que de corrigir distorções ou atribuir dignidade e decência à vida do cidadão.

Ou seja, a comunicação supera o trabalho. Alguns já consideram que esse governo chegará ao final do ano com a pecha de investir os recursos públicos de maneira errática, pois atividades como o Outubro Rosa e passeios ciclísticos são como Aspirina para doentes com graves enfermidades. Frase emblemática: “Não adianta colorir a cidade de rosa se a situação da saúde em Santo André está precária. Não adianta fazer campanha contra o câncer de mama se a cidade não tem como atender as mulheres que necessitam fazer uma mamografia e uma consulta com um oncologista. Paulinho parar de aparecer em vídeos e cuidar do que é importante para a mulher com câncer de mama”. Em síntese, exames sem tratamento médico não passam de propaganda infundamentada. Em sua fanpage, Paulo Serra responde a questões protocolares ou elogios, deixando apartadas as abordagens espinhosas, fazendo com que alguns considerem que as promessas de campanha estão esvaindo-se e que foram motivadas unicamente para alcançar o êxito eleitoral.

Conclusão: caso o Prefeito Paulinho Serra não comece a dar densidade ao governo, dizendo a que veio através do patrocínio de ações estruturantes que impactem de verdade no cotidiano do município, a percepção de modernidade e arrojo que tenta vincular à sua imagem, sucumbirá em um futuro próximo.

(*Nilton Tristão é cientista político, diretor do Instituto Opinião Pesquisa e da GovNet S/A)

Confira o relatório completo:

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