São Bernardo e Mauá descartam retiradas de radares móveis

Equipamentos móveis foram retirados das vias de Santo André (Foto Divulgação)

Após o governo do prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), anunciar a retirada dos radares móveis para acabar com a idealização da indústria das multas, nesta terça-feira (10/10), São Bernardo e Mauá não cogitam, por ora, adotar medidas similares e garantem a manutenção dos equipamentos nas ruas. Os três municípios já superaram a casa dos R$ 20 milhões em arrecadação de infrações cometidas por motoristas neste ano.

Com a retirada de operação dos seis radares móveis para dar fim às “pegadinhas” em Santo André, o RD questionou as seis prefeituras se tal procedimento é analisado para entrar em vigor futuramente. Além de São Bernardo e Mauá, as administrações de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra informaram que não contam com os dispositivos, enquanto que Diadema e São Caetano se calaram perante os questionamentos da reportagem.

Mauá é segunda cidade do ABC que mais arrecadou com multas de trânsito em 2017 e a única a superar a estimativa orçamentária a três meses do fim do ano, com a somatória de R$ 22,6 milhões. Tal valor é o mesmo atualizado em 4 de outubro no Portal da Transparência, quando o RD noticiou o ocorrido e ouviu os motoristas, que reclamaram da “indústria das multas” na cidade. Desde então a quantia não sofreu acréscimos.

Em nota, o governo do prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), informa que conta com 45 radares fixos e três móveis, sendo dois situados na avenida Jacu-Pêssego e um na avenida dos Estados. A administração garante que os equipamentos estão visíveis aos motoristas e, por isso, não há “pegadinhas”, apenas o foco em garantir a segurança do trânsito. Sob essa justificativa, não é cogitada a possibilidade de retirada desses dispositivos.

O governo do prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), não respondeu se pretende adotar a mesma medida anunciada na vizinha Santo André. Por nota, a administração diz que cumpre o que determina o CTB (Código de Trânsito Brasileiro) e utiliza os mecanismos de fiscalização com a principal função de educar, visando reduzir o número de acidentes e mortes no trânsito.

São Bernardo é a terceira cidade que mais soma recursos oriundos de infrações de trânsito no ABC. Pelo Portal da Transparência, o município somou R$ 20,4 milhões até esta terça-feira (10), valor que equivale a 88,94% da estimativa de R$ 23 milhões prevista no atual Orçamento até o fim deste ano.

Recordista

Santo André é o município que mais transferiu aos cofres públicos multas na região: R$ 23,5 milhões até esta terça-feira, quando Serra anunciou o fim da operação de seis radares móveis que operavam em 171 pontos da cidade. Segundo o governo, 27% desse valor foram oriundos desses dispositivos, resultando em quantia aproximada de R$ 6,3 milhões. Já R$ 14,1 milhões (60%) são provenientes de infrações detectados por 48 dispositivos fixos, enquanto mais de R$ 700 mil são por talões.

Todos os radares pelas vias andreenses são da CLD, terceirizada contratada pelo governo no valor aproximado em R$ 6 milhões por ano. O contrato tem validade de 12 meses e pode passar por renovações por até cinco anos de serviços – já houve o primeiro prolongamento por um ano. Por essa razão, não houve rescisão com a empresa, uma vez que o mesmo acordo opera, além dos equipamentos fixos, as seis lombadas eletrônicas.

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