Crise no PSDB faz Lauro Michels disparar contra Orlando Morando

Morando e Michels disputam a influência no PSDB de Diadema. (Foto: Arquivo)

Cresce o desejo de integrantes do PSDB pela saída do partido do governo do prefeito de Diadema, Lauro Michels (PV), que por sua vez, acusa o seu homólogo de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), de interferência nos assuntos da cidade. Uma nova comissão provisória do partido será formada nesta segunda-feira (09), em reunião que deve novamente protagonizar a disputa interna entre os dois grupos políticos.

A intenção de aliados de Morando é definitivamente esvaziar a ingerência do Michels no partido em Diadema e, por essa razão, deve haver a tentativa de manter Mamede Rasou Salem como presidente interino do PSDB local. Por sua vez, o núcleo do governo diademense tenta alçar o ex-vereador e atual secretário municipal de Segurança Alimentar, Atevaldo Leitão, ao comando temporário da legenda.

Ao saber da possibilidade de manobra de esvaziamento de tucanos no governo, Michels disparou críticas a Morando. “(Essa informação) Não chegou, até porque a minha relação é com o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Respeito o presidente (estadual do PSDB) Pedro Tobias, mas aqui na cidade ele significa nada, nem o Orlando (Morando), que se mostrou um egoísta por tentar articular isso, pois a gente sabe que é ele”, diz.

Na segunda-feira (02), a direção estadual acatou uma representação em nome de Atevaldo pela anulação da atual comissão provisória em Diadema, justificando que tal determinação compete apenas à executiva nacional. O secretário diademense também teve forte lobby interno do deputado estadual Ramalho da Construção (PSDB). Dessa forma, a manobra de Morando em prorrogar o atual comando temporário por 180 dias foi derrubada.

Na próxima semana, uma nova comissão provisória será discutida com prazo provável de 90 dias, para em seguida organizar e agendar uma convenção municipal. Por essa razão, o partido não realizará a eleição interna prevista um dia antes, diferentemente de outras cidades abaixo dos 500 mil eleitores. Somente após a definição de um novo comando interino, o coro externo para o partido deixar a gestão Michels pode ganhar corpo.

A medida da ala de Morando, se acatada pela direção provisória, atingirá, além de Atevaldo, o ex-vereador e hoje assessor especial de gabinete, José Dourado (PSDB), que evitou comentar sobre uma futura pressão para deixar o governo. A respeito da definição da nova comissão provisória, o tucano prefere ponderar. “Há possibilidade do Mamede ser mantido como ser trocado pelo Atevaldo Leitão”, ameniza.

A disputa de poderes do PSDB se agravou com a rixa política de Michels e Morando, com quem Mamede tem relação próxima. A crise entre as partes resultou, inclusive, na saída de Diadema do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, presidido pelo tucano, além da aproximação do gestor diademense ao deputado federal Alex Manente (PPS), opositor ferrenho ao prefeito de São Bernardo.

Exatamente a fragilidade política do PSDB de Diadema foi a oportunidade para o grupo ligado a Morando tomar a direção municipal. O partido tinha lugar de destaque no primeiro mandato de Michels (2013-2016), com o ex-prefeito José Augusto da Silva Ramos (PSDB) no cargo de secretário municipal de Saúde e Zé Dourado na função de presidente da Câmara dos Vereadores.

Entretanto, o PSDB não elegeu vereadores em 2016, assim quebrando a representatividade no Parlamento desde a legislatura 1989-1992. Na avaliação da cúpula tucana na executiva estadual, a subserviência do diretório diademense a Michels, que no fim preteriu a sigla no posto de vice-prefeito na chapa à reeleição – que ficou com Márcio da Farmácia (PV) – colaborou para derrocada eleitoral. (Colaborou Carlos Carvalho)

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