Moradores da Vila Luzita recebem água suja nas torneiras

Água chega com coloração mais escura no bairro Vila Luzita (Foto: Arquivo pessoal)
Água chega aos tanques com coloração mais escura no bairro Vila Luzita (Foto: Arquivo pessoal)

Há mais de dois meses os moradores do bairro Vila Luzita, em Santo André, recebem água avermelhada nas torneiras de casa. Nessa região, o fornecimento é cortado durante a noite e, quando o abastecimento retorna, a água chega com impurezas que a tornam inutilizável. Não serve nem mesmo para dar descargas em vasos sanitários.

De acordo com Maria das Graças Gomes de Godói, moradora da rua Miguel Alves Viana, todo o dia a água chega imunda, com uma tonalidade mais escura. “Ela parece que vem cheia de barro ou ferrugem, parece até suco de laranja”, diz. É só na parte da tarde que a água começa a ficar com um aspecto melhor, mas mesmo assim Maria das Graças conta que a água fica bem branca, parecendo “caldo de arroz”.

Para as atividades do cotidiano na casa, a moradora conta que precisa utilizar a água do jeito que ela vem mesmo. Na caixa d’água, a aposentada diz que a sujeira fica ainda mais evidente. Como a água fica estocada por mais tempo, os resíduos se concentram no fundo do reservatório.

Maria das Graças entrou em contato várias vezes com o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) e já recebeu técnicos da autarquia, mas eles só fazem a descarga da rede (uma espécie de limpeza na rede água), mas não conseguem resolver o problema e pedem que os moradores abram um novo chamado para identificá-lo.

A aposentada Antônia Martins, de 76 anos, também critica o descaso com a população e afirma que, durante a noite, a autarquia corta o abastecimento e a água só volta às torneiras pelas manhãs, mas com uma cor bem escura. “A água sai da torneira bem amarelada, pior do que cerveja”, diz Antônia.

Para conseguir usar água limpa, a aposentada precisa deixar a torneira aberta para a sujeira sair dos canos e, por conta disso, o consumo da casa nos últimos meses teve grandes aumentos. Somente em março, a conta saiu R$ 70 mais cara. “Se fosse uma água que a gente pudesse utilizar para outra coisa até seria bom, mas água é tão suja que não dá nem para usar para descarga. A gente corre o risco de entupir o esgoto”, afirma a aposentada.

A reportagem entrou em contato com o Semasa, que informou por meio de nota que recebeu cinco reclamações sobre esse imbróglio na rua Miguel Alves Viana. Todas no mês de abril.

Segundo a nota, duas ordens de serviço para a rua não puderam ser efetivadas, já que o imóvel encontrava-se fechado no momento da vistoria. Em duas outras ordens de serviço, os técnicos vistoriaram o imóvel e após a constatação do problema, foi feita descarga na rede (que é uma espécie de limpeza na rede de água) e o problema foi solucionado.

Na outra OS (ordem de serviço), no momento da vistoria o abastecimento estava normal e a água apresentava aspecto também normal, sendo a reclamação considerada improcedente.

Ainda no início da tarde desta sexta-feira (29), o Semasa encaminhou nova equipe para vistoria da água nos imóveis da referida rua e providenciará a coleta e análise da água, buscando solucionar os problemas.

Sobre ocorrências de turbidez na água, a autarquia salienta que o morador deve abrir chamado junto ao Semasa quando identificar o problema. Os técnicos sempre realizam vistoria e quando necessário, encaminham a água para análise. O telefone é o 115.

Tem outra reclamação ou sugestão para fazer? Entre em contato com a redação do RD via WhatsApp pelo telefone 99927-5496.

Receba diariamente o RD em seu WhatsApp
Envie um WhatsApp para 11 99927-5496 para receber notícias do ABC diariamente em seu celular.

Comentários