Este texto tem por objetivo abordar o comportamento ético de professores que têm sob sua tutela alunos que serão futuramente profissionais da área educacional ou de outras áreas, mas que, de um modo ou de outro, não poderão prescindir da ética.
1 – Nada há de mais omisso do que um professor omitindo dados e informações no sentido de obstruir o acesso à construção do conhecimento, com receio da própria competição futura representada pelos alunos e colegas ou mesmo puro fruto da sua pequenez.
Diante da ameaça de um aluno bem informado, o professor omisso manipula dados e informações a bel-prazer no sentido sempre de desviar o aluno do acesso direto às fontes, criando permanente dependência e desestimulando inteiramente a autonomia da construção do conhecimento.
A tática é a dos velhacos que paternalmente mantêm a ignorância sob controle. Em outras palavras, o professor procura desviar os alunos da autossuficiência na busca dos dados e informações necessárias ao processo do aprendizado permanente, fazendo com que os seus alunos tenham sempre que lhe recorrer, tornando-os cativos de um conhecimento manipulado com o implícito sentido de não representar futura ameaça alguma à sua posição de professor “sabichão”.
Existem alguns casos de professores em sala de aula que, diante de uma pergunta que poderia demandar um pleno esclarecimento para todos sobre a questão, manipulam inteiramente a discussão no sentido de desviar o foco para outras possibilidades descabidas, deixando o aluno à mercê de suas dúvidas, confundindo-o ainda mais, mas com o artifício criminoso de ter explicado algo satisfatório, enganando aquela mente sedenta de conhecimento.
Diante de tal quadro, esse professor aniquila a possibilidade de autonomia do aluno em busca da construção do conhecimento, o que lhe é plenamente desejável diante da psicose de competição futura que o aluno possa representar para si. Tal atitude, não raro, se dissemina para a própria turma, na qual o aluno omite dados e informações dos colegas, temendo também a competição, verdadeira fobia cultivada na sala de aula.
O resultado é o desestímulo da atitude cooperativa da construção do conhecimento como um bem coletivo.
O desejável e o correto é cultivar o espírito permanente de parceria para construção do conhecimento na lida cotidiana com os dados e as informações que nos chegam à sala de aula e fora desta.
2 – Nada há de mais deplorável do que um professor fingindo conhecimento que não possui.
Diante de tal falácia, alunos ficam inteiramente à mercê da mentira em lugar de ciência e o que se produz é o desconhecimento e a mediocridade.
A tática é o uso obsessivo de apostilas, apontamentos, transparências, seminários, data show, questionários e outras formas de ocultação da incompetência e risco de exposição teórica diante dos alunos.
Existem casos até em que alunos mais ousados, percebendo tal manobra por parte do professor, sorrateiramente subtraem seus apontamentos antes do início da aula, causando verdadeiro embaraço para o “mestre”, que desconversa e muda inteiramente o rumo da aula no sentido de criar um ponto de fuga capaz de dissimular a sua incapacidade para uma aula sem recorrer às “colinhas professorais”.
Assim, o próximo passo é inaugurar em sala de aula e no ambiente escolar a prática do fingimento.
O resultado dispensa comentários.
O desejável e o correto é procurar estudar sempre, porque ninguém estuda mais do que o professor: permanente aluno.
Sérgio Simka e Ítalo Meneghetti são professores mestres do curso de letras das Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP).