Direitos humanos, cinema, tudo para reativar o blog

E então a grande imprensa, que há 7 anos faz uma oposição à direita do Governo Lula, de repente começou a fazer uma oposição à esquerda dele. Não estão em jogo as verbas publicitárias, as privatizações versus as estatizações nem a posse de José Serra na presidência. O que está em jogo é um assunto tão batido quanto ainda misterioso: a punição aos torturadores do Regime Militar.
Se você não leu: o governo tentou lançar mais um Programa de Direitos Humanos que investigasse, enfim, os torturadores. A resistência veio dos setores de praxe: militares anônimos e direitistas empedernidos. Lula, sempre conciliador, está ensaiando uma volta atrás para não encurralar o setor, que certamente teria expostos os numerosos e gigantescos esqueletos em seus armários. A imprensa agora não reclama do programa de Lula, mas dessa volta atrás. O secretário ameaça com sua demissão, coisa que afligiria pouca gente.
Para punir os torturadores, seria necessário revolver os tais arquivos secretos, que alguns sabem onde estão, mas não falam. As desculpas para não abri-los vão desde os segredos de Estado que deixariam o Brasil vulnerável até o volume de bens e recursos saqueados por nosso país varonil na Guerra do Paraguai, lá se vai um século e meio.
A tortura – todos sabem, mas ninguém fala – é uma prática constante de setores oficiais desde que o Brasil é Brasil, ou desde que a humanidade existe. Depois do Golpe de 1964, as armas tiveram cursos com agentes franceses e americanos para aprender a torturar direito, e, como sói acontecer, nem assim aprenderam.
Mas a tortura, do ponto de vista pragmático, deu certo, e vem dando certo, de novo, desde que o mundo é mundo. Deu certo porque continua sendo prática corriqueira em corrós, em delegacias e em batalhões do mundo todo, Brasil inclusive. As vítimas nem sempre cometeram crime nenhum e quase sempre são pobres. Algumas confessam os crimes que não cometeram, outras os que cometeram, mas seus advogados, quando têm, quase sempre conseguem a sua libertação na Justiça, já que elas confessaram sob coação. A tortura é muitas vezes desculpa para não investigar.
Nesse meio tempo, há centenas de famílias que estão há 30 anos sem saber o que aconteceu com seus parentes. A questão não é tão política quanto se prenuncia. É humana, eis tudo.
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Se você procura algo mais do que escapismo no cinema, não se deixe enganar pelo que têm dito alguns críticos: Avatar é puro lixo tecnológico. Aliás, é mais do mesmo do que seu diretor, o poderoso James Cameron, faz há 20 anos. Investe pesadamente nos efeitos especiais e não liga muito para bobagens como enredo, atuação, essas coisas.
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Por outro lado, Atividade Paranormal é um exercício de tensão como há muito não se via no cinema. Compare o quanto seus produtores gastaram para fazer o filme com o quanto foi gasto com Avatar. A palavra “desperdício” vem logo à mente.
Sou um fã de (bons) filmes de terror e de fantasia. Faço listas, vejo filmes antigos, baixo os que não foram lançados no Brasil. Breve, aqui, haverá uma lista dos melhores filmes em qualquer gênero na década, segundo eu, e outra dos melhores filmes de horror da década, segundo idem. Foi um ótimo período para o medo. Teve O Chamado, O Grito, Rec e algumas pérolas independentes. Desde os anos 1970 não tínhamos uma lista tão boa.
12/01/10 às 6:31
Grande Camarada Léo!
Que bom ler os seus textos.
Em um mar de textos jornalisticos pífios, você não pode passar muito tempo sem nos brindar com as suas linhas.
Valeu camarada!
Ótimo ano!
Na Jornada,
Levi
12/01/10 às 10:54
até que enfim alguém falou algo que eu também achava, mesmo sem ver o filme; Avatar - mesmo sem ver, deve ser um abacaxi daqueles. rsss
12/01/10 às 10:57
Tem toda a razão sobre a tortura, e tão ruim quanto, é a batatada da volta da censura que querem atrelar ao plano.
13/01/10 às 12:31
Levi, muito obrigado. Acho que eu tirei férias do blog sem perceber.
E Edu: a história da volta da censura é a mesmíssima que a mídia nos brindou para tentar derrubar a conferência de comunicação. Essas horas eu viro militante: no pasarán. Já tô até meio barbudo.
Abraços