Archive for Agosto, 2009

Evangélicos Verdes?

Segunda-feira, Agosto 24th, 2009

Deus viu tudo o que havia feito.
Eis que era muito bom
Gênesis, Bíblia Sagrada.
 

 

 

Não, não falarei da irmã Marina Silva, agora não…, me aguardem, pois o farei em momento oportuno.
 

Quero falar de nós, outros evangélicos que pouco – ou nada - temos feito para cumprir a nossa responsabilidade de cuidar da criação.
 

As instituições evangélicas brasileiras têm legitimidade e potencialidade para contribuir significativamente com a sustentabilidade ambiental.
 

A crença de que a Santíssima Trindade é criadora e preservadora de todas as coisas, termina unindo a todos os evangélicos, dos liberais aos mais ortodoxos.
 

Evidentemente que a aplicação dessa profissão de fé às ações efetivas na preservação do meio ambiente ainda engatinha como tudo o mais que nos traz para a inteireza da vida e da missão. Estamos longe de pensarmos com propriedade e estratégia em ações que convertam os predadores ambientais e encorajem as iniciativas conservacionistas denunciando como pecado a omissão da maioria dos evangélicos sobre esse assunto.
 

Essa capilaridade evangélica serve tanto para o bem quanto para o mal.
 

Quando digo “para o mal”, refiro-me ao fortalecimento dos simplismos, romantismos, alienações e das visões fragmentadas e divorciadas da realidade da Vida que são alimentadas diariamente por incautos em seus impérios midiáticos.
 

Ignoramos que a Vida nunca esteve restrita a um ser – só o humano - por um determinado espaço de tempo.
 

Essa ignorância, por vezes, assume tom de alta espiritualidade. É bom lembrar que os religiosos são excelentes na transformação de ignorâncias em dogmas e de obtusidades em fervor.
 

É o que também acontece quando o assunto é Meio Ambiente. Nós somos ignorantes é achamos isso espiritual. Queremos ganhar o mundo para Jesus sem considerar a preservação ambiental como uma das posturas que corroboram a nossa pregação.
 

O contrário também traz verdades, pois quando nos esquecemos de lutar pela sustentabilidade ambiental nós revelamos a nossa limitação e incoerência. Não estamos vivendo o que pensamos pregar.
 

Resgatarmos os temas da Ecologia e indo além da etmologia, ousando ensinar sobre o casamento que deve haver entre o oikos-logos que é o tratado, o estudo sobre a Casa e a oikos-nomos que é a organização dessa Casa.
 

Ao falar da crise socioambiental sem precedentes, assim diz o ambientalista Maurício Waldmann, que foi assessor de Chico Mendes: “É neste sentido que devemos ressalvar, já nestes primeiros parágrafos, que essa crise, decorre de uma falsa dicotomia que o mundo ocidental estabeleceu entre economia e ecologia. Comumente fala-se de economia e de ecologia como fossem termos antagônicos; em decorrência, é freqüente encontrarmos discursos que estigmatizam a discussão ecológica como um tema desenvolvido por pessoas românticas, sem inserção na realidade.”
 

Penso que toda conscientização deve ser acompanhada da devida e competente articulação, que trará trocas de experiências e capacitações para aproveitarmos a nossa capilaridade evangélica para a glorificação e melhor compreensão do Criador em todas as suas intenções e ações.   
 

Agora, como trazer o tema de forma convincente sem cair no extremo dos ecochatos? Um ecochato convertido é um horror, conheço alguns?
 

Mas pior, muito pior do que a chatice do irmão verde é quando eles terminam indo para o outro extremo acreditando na sugestão obtusa de que isso tem a ver com nova era de aquário, anticristo e outras bestas, sem falar no parco argumento de que não temos que nos preocupar com ecologia, pois tudo se queimará e derreterá no fim dos tempos, como “diz” as escrituras.
 

Oro e trabalho para que a seiva de uma compreensão do todo da mensagem do evangelho chegue até a última pontinha do ramo evangélico mais distante.
 

Imaginem se começássemos campanhas articuladas ou não de conscientização dos evangélicos sobre a sustentabilidade ambiental.
 

E aqui e alhures surgissem mais igrejas feitas de pet, muitas outras fazendo campanhas pela coleta coletiva, outras participando dos Conselhos de suas cidades para que o saneamento básico seja uma das prioridades do governo local.
 

E se nos envolvêssemos com a implementação da agenda 21 em nossas cidades? Se usássemos nossos dons, talentos, recursos e influencia para apresentarmos soluções para a crise socioambiental que vivemos.
 

Tantas outras idéias poderiam surgir, imaginem séries de reflexão bíblica voltada ao tema sendo estudadas com mais frequencia? Estudos que trouxessem um projeto simples para o grupo aplicar o que aprendeu a cada ano.
 

Já pensou nisso?

Vamos orar ou rezar pelas nossas autoridades políticas?

Quinta-feira, Agosto 20th, 2009

Le Déjeuner D'huitres, executada em 1734 por Jean-François de TROY, a pedido do REI LUIS XV 

 

 

Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos REIS e por TODOS que exercem AUTORIDADE, para que tenhamos uma vida pacífica com toda a PIEDADE e DIGNIDADE. Isso é bom e agradável perante Deus, nosso Salvador, que deseja que TODOS os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.”
Instruções do Apóstolo Paulo a Timóteo e aos Cristãos
 

 

Paulo ensinou que devemos orar pelas autoridades, fundamentado principalmente naquilo que ele entendeu dos ensinos de Jesus de Nazaré.
 

Coincidentemente, hoje é dia 20 e a minha meditação é no Salmo 20. O SALMO 20 é uma oração pelas AUTORIDADES, no caso, o Rei.
 

Quem não desejaria ser Rei, pelo menos só por um dia?
 

Essa oração é tão bonita, tão cheia de benquerença que eu gostaria de ser Rei principalmente por essa oração e, claro, se ela fosse atendida na íntegra.  
 

Confira quando puder o Salmo 20.
 

Lá se pede que Deus responda ao Rei no tempo de angustia e com o Seu nome o proteja. Que envie auxilio e dê apoio. Lembre-se e aceite das praticas religiosas do Rei. Que Deus conceda o desejo do coração e leve a efeito TODOS os planos do Rei.
 

Com uma oração dessas completamente respondida eu não precisaria de mais nada, nem de ser Rei.
 
Os apóstolos - os genuínos - nos ensinaram que “Toda autoridade civil é instituída por Deus” e que só podemos fazer uso da “desobediência civil” quando as autoridades se contrapuserem à nossa “Fé e convicção em Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador”.
 

Diz que devemos “nos submeter” e “não nos rebelar” contra as Autoridades governamentais, pois elas são “instituídas” por Deus e são “servas” Dele.
 

Diz que essa obediência deve se levar em conta por causa de uma possível – ou prevista – PUNIÇÃO aos desobedientes e também por conta da consciência.
 

Romanos 13 foi o texto de ouro da maioria dos lideres religiosos no Brasil para justificar as bandalheiras e opressões do Governo Militar. (Hoje descobrimos a cada dia que, no caso das bandalheiras, os governos militares não estão sozinhos)
 

O fato é que: Se nós estamos no poder: ROMANOS 13 no povo e se não estamos, vamos estudar melhor ROMANOS 13, não é bem assim, em Atos Pedro disse, “importa mais obedecer a Deus do que aos homens” Vamos estudar a Voz dos profetas e o Grito por Justiça que permeia a bíblia toda. E POR AI VAI!
 

Não são poucas as artimanhas recorrentes nos palácios do Poder e do Glamour quando o PINÁCULO é o ponto final da trajetória de qualquer que seja o poderoso, seja ele política ou não.
 

Camaradas e companheiros, convenhamos, romanos 13, CPI, PIZZA, Sarney, Totalitarismos, Denuncismos nos olhos dos outros é refresco.
 

O que tem acontecido no cenário político de nosso país é desmoralizante e desgastante, está ficando impossível fazer algumas defesas.
 

Em nome da famigerada GOVERNABILIDADE, nós estamos fortalecendo cada vez mais o desinteresse da sociedade em participar de discussões políticas sob a perspectiva republicana e democrática.
 

Estamos dando muitas razões para que os preguiçosos e acomodados em seus mundinhos individualistas, competitivos e confortáveis soltem opiniões obtusas pautadas por uma mídia nada isenta.
 

A discussão aqui vai além de Dilma, Serra ou sei lá quem em 2010.
 

Estamos falando do atraso na criação de uma nova e sustentável cultura política, onde os nossos atores sociais e as respectivas instituições civis sejam menos corporativos e mais cooperativos, sejam menos manipuladores da opinião publica e mais construtores de mentes livres e solidarias, onde o ser livre implica necessariamente em ser qualquer coisa com o Outro ou até que o outro seja um dia também conosco o que desejar ser.
 

Voltando ao Salmo 20.
 

Eu ainda assim quero orar por nossas autoridades e desejo lutar para desejar tudo de bom para eles naquilo que for bom para todos os brasileiros para que todos vivam com DIGNIDADE.
 

Apesar de tudo eu também quero como diz no salmo, “saldar e erguer bandeiras” pelas vitorias conquistadas. Que fique bem claro, não estou falando de vitórias tristes como a que aconteceu no Senado ontem. Mesmo sabendo, que a pizza de ontem, segundo algumas lógicas maquiavélicas, é a garantia da continuidade da melhoria da vida de algumas pessoas do meu país, a vitória com gosto de derrota de ontem eu sinceramente não tenho estomago para comemorar.
 

Penso que os textos do Velho Testamento, como os do Novo também, devem ser interpretados dentro das regras de hermenêutica, considerando o tempo, espaço e cosmovisão da época em que o texto foi escrito, para depois arriscar uma aplicação prática nos dias de hoje.
 

O verso 7 do salmo diz: “Alguns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós confiamos no nome do Senhor, nosso Deus”.
 

Todos nós podemos um dia cometer a tolice de confiar em carros e cavalos. Mesmo os que têm a sua “tropa de choque” devem colocar a barba ou os bigodes de molho.
 

Confiar mesmo, pra valer, só em Deus.
 

E dependendo da visão distorcida que temos d’ELE, nem nessa imagem que dizemos ser Ele nos devemos confiar porque inevitavelmente nós iremos nos frustrar.
 

MARINA Silva E AS moscas Verdes e Azuis.

Sexta-feira, Agosto 14th, 2009

Ninguém suporta ser largado às moscas por quaisquer razões, sejam elas em nome da revolução ou de um novo projeto político.

 Ninguém suporta ser abandonado às varejeiras VERDES quando se sente iludido e frustrado por companheiros e/ou camaradas AZUIS.

 Disseram-me um dia:

- Entre nós, os independentes não sobrevivem. Junte-se a um grupo ou morra.

Confirmei essa verdade asquerosa e nada republicana em alguns poucos e suficientes anos de simpatia e militância na política partidária.

Andei lendo que a nossa querida Marina Silva foi ofendida por PETISTAS e “ESQUERDISTAS” previsíveis por, na opinião comprometida deles, ser mordida pela “MOSCA AZUL”.

Sabemos muito bem quem azulou pela referida mosca.., e creio que a Irmã Marina sequer foi zumbida por ela. (e olhem que nem a conheço intimamente)

É bom lembrar que segundo o FREI do palácio, a MOSCA azul mordeu outros machos e fêmeas.

Marina Silva, preservadas as GIGANTESCAS proporções, representa a todos os companheiros e companheiros que foram abandonados e largados a todo o tipo de moscas, sejam elas azuis, verdes ou …, bem, deixa pra a história..

Eu comecei a apoiar os EPJ – EVANGÉLICOS PELA JUSTIÇA porque não suportava mais o MEP, sim o MOVIMENTO EVANGÉLICO tornar-se mais PETISTA do que PROGRESSISTA.

O “p” do MEP virou PETISTA e temo que o “p” do EPJ seja transformado em “p” de PETISTA igualmente.

QUERO REAFIRMAR A MINHA POSIÇÃO “contra TODAS as patrulhas” que apoio os irmãos e irmãs que defendem quaisquer posições além do PT e outros PARTIDOS POLÍTICOS.

ENTRETANTO, quero advertir aos irmãos e irmãs em CRISTO – nunca irmãos em Stalin, Trotski ou Lênin, só em CRISTO - que nossa concepção de JUSTIÇA vai além, bem além de qualquer outra proposta HUMANISTA. ( qualquer coisa denominada de DIREITA é de procedência MALIGNA).

Como nunca tive grupo político enquanto estive simpatizante e militante, nada assumo ao lado de camaradas e companheiros cooptados. Até porque, sem GRUPO PETISTA, por hora, só nos restarão moscas AZUIS ou VERDES.

Por hora, quero ouvir Marina Silva.

Ela merece mais do que eu dei e ofereci aos outros lideres de esquerda do meu país, nclusive o Presidente Lula, com todo o respeito que lhe é merecido. O melhor presidente até agora em minha opinião. ( não só minha opinião, diga-se de passagem)

Ela, Marina Silva, se me quiser ouvir……., eu, com muito respeito falarei.

Falarei a ela e não a pseudo- ESPECIALISTAS EM MOSCAS AZUIS que não admitem que haja muito mais moscas AZULADAS…

Por hora eu acho que Marina SILVA foi mais abandonada às MOSCAS VERDES VAREJEIRAS do que às mordidas das tão conhecidas AZUIS.

FIQUEM COM A “A mosca azul” de MACHADO DE ASSIS e pensem bem, pois no ano que vem tem eleição.

A mosca azul

MACHADO DE ASSIS

Era uma mosca azul, asas de ouro e granada,
Filha da China ou do Indostão.
Que entre as folhas brotou de uma rosa encarnada.
Em certa noite de verão.

E zumbia, e voava, e voava, e zumbia,
Refulgindo ao clarão do sol
E da lua — melhor do que refulgiria
Um brilhante do Grão-Mogol.

Um poleá que a viu, espantado e tristonho,
Um poleá lhe perguntou:
— “Mosca, esse refulgir, que mais parece um sonho,
Dize, quem foi que te ensinou?”

Então ela, voando e revoando, disse:
— “Eu sou a vida, eu sou a flor
Das graças, o padrão da eterna meninice,
E mais a glória, e mais o amor”.

E ele deixou-se estar a contemplá-la, mudo
E tranqüilo, como um faquir,
Como alguém que ficou deslembrado de tudo,
Sem comparar, nem refletir.

Entre as asas do inseto a voltear no espaço,
Uma coisa me pareceu
Que surdia, com todo o resplendor de um paço,
Eu vi um rosto que era o seu.

Era ele, era um rei, o rei de Cachemira,
Que tinha sobre o colo nu
Um imenso colar de opala, e uma safira
Tirada ao corpo de Vixnu.

Cem mulheres em flor, cem nairas superfinas,
Aos pés dele, no liso chão,
Espreguiçam sorrindo as suas graças finas,
E todo o amor que têm lhe dão.

Mudos, graves, de pé, cem etíopes feios,
Com grandes leques de avestruz,
Refrescam-lhes de manso os aromados seios.
Voluptuosamente nus.

Vinha a glória depois; — quatorze reis vencidos,
E enfim as páreas triunfais
De trezentas nações, e os parabéns unidos
Das coroas ocidentais.

Mas o melhor de tudo é que no rosto aberto
Das mulheres e dos varões,
Como em água que deixa o fundo descoberto,
Via limpos os corações.

Então ele, estendendo a mão calosa e tosca.
Afeita a só carpintejar,
Com um gesto pegou na fulgurante mosca,
Curioso de a examinar.

Quis vê-la, quis saber a causa do mistério.
E, fechando-a na mão, sorriu
De contente, ao pensar que ali tinha um império,
E para casa se partiu.

Alvoroçado chega, examina, e parece
Que se houve nessa ocupação
Miudamente, como um homem que quisesse
Dissecar a sua ilusão.

Dissecou-a, a tal ponto, e com tal arte, que ela,
Rota, baça, nojenta, vil
Sucumbiu; e com isto esvaiu-se-lhe aquela
Visão fantástica e sutil.

Hoje quando ele aí cai, de áloe e cardamomo
Na cabeça, com ar taful
Dizem que ensandeceu e que não sabe como
Perdeu a sua mosca azul.

INVERNO, inferno e CHOCOLATES.

Sábado, Agosto 8th, 2009

NÃO TOQUE NESTA COISA! NÃO PROVE AQUELA! NÃO PEGUE NAQUELA! Todas essas proibições têm a ver com coisas que se tornam inúteis depois de usadas. São apenas regras e ensinamentos que as pessoas inventam. De fato, essas regras parecem ser sábias, ao exigirem a adoração forçada aos anjos, a falsa humildade e um modo duro de tratar o corpo. Mas tudo isso não tem nenhum valor para controlar as paixões que levam à imoralidade“. 
Apóstolo Paulo 
 

Há dias uma amiga assistiu novamente ao delicioso Chocolate dos produtores David Brown, Kit Golden e Leslie Holleran e, em seguida, me deixou um scrap honroso em meu Orkut.
 

- Acabei de assistir ao filme Chocolate e me lembrei de você….
 

Lembro-me quando em 2000 ou 2001 eu sugeri aos meus companheiros de ministério que assistíssemos ao filme. A minha intenção era provocar uma reflexão sobre a nossa espiritualidade e os seus rebotes em nossas vidas pessoais, familiares e comunitárias.
 

Entre tantas sinopses disponíveis na rede eu escolhi uma bem limitada.
 

Vianne Rocher (Juliette Binoche), uma jovem mãe solteira, e sua filha de seis anos (Victorie Thivisol) resolvem se mudar para uma cidade rural da França. Lá decide abrir uma loja de chocolates que funciona todos os dias da semana, bem em frente à igreja local, o que atrai a certeza da população de que o negócio não vá durar muito tempo. Porém, aos poucos Vianne consegue persuadir os moradores da cidade em que agora vive a desfrutar seus deliciosos produtos, transformando o ceticismo inicial em uma calorosa recepção.”
 

Este apanhado nada pega da densidade do filme onde Binoche e Alfred Molina (O Conde de Reunaud) brilham e nos encantam com as suas performances.
 

Quem não assistiu deve fazê-lo ainda neste inverno, e aqueles que degustaram essa verdadeira pregação de uma espiritualidade sadia, sugiro que se lambuze novamente com o lindo e profético Chocolate.
 
Vianne Rocher é uma extraordinária missionária, dirigida pelo Vento do Norte a cidades prisões onde existem pessoas carentes com as suas máscaras, medos, taras, violências, vícios e virtudes impostos e produzidos por uma religiosidade doentia e adoecedora.
 

A sua igreja local é a loja de chocolates e lá ela faz os discipulados e atendimentos pastorais.
 

O filme chega ao seu ápice em uma mesa farta preparada em plena Paixão de Cristo para comemorar o aniversário da velha senhora Amande Voizin (Judi Dench).
 

Carne farta regada com muito chocolate e vinho e depois uma sobremesa de muita dança e alegria no barco do bom vivan Roux (Peter Stormare).
 

Os prazeres daqueles humanos provocam a inveja doida de Carolin Claimont (Carrie-Anne Moss) uma linda viúva presa ao passado e esperançosa do despertar amoroso do Conde.
 

Os excessos heréticos daquela gente enchem de fúria o coração do Conde pudico que sem perceber inspira uma loucura.
 

As imagens feitas impuras pelos olhos tenebrosos de Serge Muscat (Peter Stromare) o fazem ouvir além das palavras ditas pelo Conde e, o “algo tem que ser feito”, transforma-se em ordem para reproduzir uma inquisição onde pessoas e coisas sucumbiriam nas chamas.
 

Ando querendo ler o livro “Feridos em Nome de Deus” da jornalista Marília de Camargo César, nele ela relata os danos do assédio espiritual cometido por líderes evangélicos. Quero saber que a que tipo de feridas ela se refere.
 

O Conde de Chocolate é um líder espiritual violentado e violentador por sua espiritualidade regrada, desumana, excludente e castradora.
 

Quantos lutos são eternizados por espiritualidades anticépticas?
 

Quantos tarados estão ateando fogo em tudo e todos por causa de uma cultura religiosa que nos afasta das nossas verdades humanas?
 

Quantos líderes bem intencionados não se transformaram em estupradores espirituais em nome de Deus e de suas quarentenas sem sentido?
 

Mas no fim do filme há algumas conversões às avessas.
 

O Conde De Reynaud, após ensaiar mais um sermão com o padreco marionete, olha pela janela e vê Caroline como nova convertida na alegria naquele característico primeiro amor olhando a vitrine da igreja, ops, da loja de chocolates ao lado da Pastora Vianne.  
 

De Reynaud corre para o altar e diante do Cristo desespera-se e em seguida entra na loja pela janela, como o salteador, salteadores nunca entram pelas portas, lembram-se?
 
Vai até a vitrine e começa a destruir tudo como se estivesse exorcizando o lugar, fazendo uma limpeza espiritual.
 
Em sua fúria – para si santa - um pedacinho de chocolate cai em seus lábios.
 
Na cena só faltou o hino Eu Venho Como Estou como fundo musical. Era a conversão do Conde, e ele nem precisou levantar a mão e sair do lugar. Não havia apelos ou apelações.
 
Em seguida ele se lambuza na graça, ops, no chocolate e entre prazer, culpa, riso e muito choro, adormece como todo humano na vitrine, empanturrado de chocolate quebrando o seu tão precioso e custoso propósito espiritual de 40 dias.
 

A vitrine é o melhor lugar para essas figuras patéticas.
 
Mas o padre, logo cedo o vê e com a ajuda da missionária chocolateira, eles o preservam tirando-o da vitrine e afirmando que ninguém saberia do ocorrido.
 
Enquanto Vianne dá ao Conde um antiácido para curar-lhe a ressaca, ela lhe garante: “Beba, isso lhe fará bem. E fique tranqüilo, não contarei nada a ninguém”.
 
E naquele domingo de páscoa o Conde ressuscitou de sua religiosidade morta e esteve na igreja como nunca esteve.
 

O Padre também se converteu e pregou um sermão tocante. Não foi o seu mais eloquente sermão, mas certamente o mais humano.
 

Preferiu falar da humanidade de Deus e afirmou que bondade cristã “Não excluir nada que nós merecemos e incluir todos que achamos não merecer nada”.
 

Aquela cidade é transformada pelo poder de Deus em contraste com as fraquezas humanas.
 
E no fim do filme, a estátua do fundador da cidade com uma bexiga vermelha pendurada ao lado pareceu estar sorrindo diante de toda aquela metanóia coletiva.
 
O filme acabou enquanto eu sorria e chorava reforçando mais uma vez o agridoce sempre presente entre nós humanos e as nossas frágeis e sensíveis vidas

Aos camaradas de La Mancha

Quinta-feira, Agosto 6th, 2009

Aos Camaradas de La Mancha
Por Levi Araújo
 
 

“…para uma longínqua e inalcançável estrela”
Lady Dulcinéia (Sophia Loren) cantando ao leito de Dom Quixote (Peter O’Toole) o Cavaleiro da Triste Figura, com Sancho Pancha (James Coco) choroso do outro lado.
 

Acabei de assistir mais uma vez ao maravilhoso cult O Homem de La Mancha com Peter O´Toole, Sophia Loren e James Coco.  
Em lágrimas fui transportado para aquela tarde de domingo quando estive diante da estátua de Cervantes em uma de minhas viagens à Espanha.
Enquanto o vento frio avermelhava ainda mais a minha face, o meu coração ardia por lembrar-me de trechos do maravilhoso Dom Quixote de La Mancha.
Poderia ter ficado ali por um bom tempo se não fosse o compromisso para ministrar para um grupo generoso de cristãos protestantes em Alcalá de Henares.
Ah! Se eu pudesse voltar àquela praça………, mas a vida segue.
Tenho andado triste por ver tantos pragmáticos amargos e ex-sonhadores.
Tenho razões para ceder à tentação de uma mentalidade e espiritualidade esquisita que às vezes parece conseguir misturar água e óleo.
Vivemos em tempos de ventos fortes onde cristãos estão cada vez mais ateus. O pior é que são os melhores…., sim, os melhores cristãos são como o Cavaleiro dos Espelhos, o Dr. Sanson Carrasco (John Castle), aquele que mostrou a Quixote que ele não passava de um Alonso Aguijana e que a Lady Dulcinéia não passa de uma prostituta com o nome de Aldonza.
Sofro em perceber que os melhores não sonham mais e que alguns deles acham que todo sonhar é “Sonho americano” e “Capem Diem ocidental”.  Que pena!  
Façam um favor às suas almas, assistam ao Homem de La Mancha e se ainda não leu o livro, por favor, procurem lê-lo.
Antes de começarmos as eleições de 2008, um camarada que eu batizei de Ramlig me emprestou uma edição em espanhol da continuação de Dom Quixote, escrita por Avellaneda em 1614 e publicada por Cervantes um ano antes de morrer.
Eu estava muito agitado naquele momento, por isso não cuidei de ler a obra como devia, estava mais preocupado, como paranóico que sou em tentar entender a razão porque eu estava recebendo aquele livro antes do pleito eleitoral.
Sendo ou não intencional, no meio da campanha eu me deparei com muitos espelhos que me levaram ao leito de dor e frustrações onde nenhum sonho resiste.
Desde os escândalos do mensalão que eu tenho registrado um pouco das minhas tristezas e frustrações com a política partidária.
Essa é a segunda maior frustração que eu tive nos últimos 20 anos, a primeira foi com alguns dos meus camaradas que comigo compartilhavam o sonho de uma comunidade cristã relevante.
Tenho aprendido a cada dia que para frustrar alguém basta ser gente, um ser humano.  Nós nos frustramos e frustramos pessoas o tempo todo.
Enfatizo que tenho clareza cada vez maior de quantas pessoas frustrei enquanto vivi. Sinto muito mesmo.
Consolo-me com Kierkegaard quando diz: “Nostalgicamente, saúda- vos quem ele é, e não aquele que poderia ser
Mas o meu sucumbir é mais profundo e vai além das frustrações.
O que me horroriza é a possibilidade de uma cultura de não mais sonhar e do melancólico ato de “jogar a toalha”.
Posto isto meus Camaradas, eu desejo dedicar estas palavras a todos os que um dia sonharam.
Hoje eu quero ser um Sancho Pança para vocês.
Vocês que envelhecem vendo a injustiça e a trapaça triunfarem.
Repito a fala de Pança ao chegar ao leito de Dom Quixote no musical Man of La Mancha: “Eu não luto com um moinho há duas semanas.”
Duas Semanas para mim tem a ver com “O dia mau” que Paulo, o Apóstolo falou.
O dia mal, como as “duas semanas”, pode significar anos.
Por isso, eu abusarei da paráfrase e quero provocá-los e convocá-los a resistir mais uma vez: “Vamos Camaradas! Eu não luto com um moinho já faz um tempinho.”
 

 

SONHO IMPOSSÍVEL
(Versão Chico Buarque e Ruy Guerra para a peça “O Homem de La Mancha”) 1975
 

Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
 

Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite provável
Tocar o inacessível chão
 

É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
 

Não me importa saber
Se é terrível demais
 

Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
 

E amanhã este chão que eu deixei
Por meu leito e perdão
Por saber que valeu
Delirar e morrer de paixão
 

E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão
 

 

O José da Vida e o José do Poder

Quarta-feira, Agosto 5th, 2009

 

A ânsia de poder não é originada da força, mas da fraqueza”. 
Erich Fromm
 

Temam menos a morte e mais a vida insuficiente”.
Bertold Brecht
 

A batalha exemplar de nosso Vice-Presidente pela vida contrasta tremendamente da deseducadora e vexatória batalha pelo poder que encontramos no Senado Federal.
Dois homens públicos estão posicionados nesses dois campos de batalha, um está sereno e o outro tenso, um sorridente e o outro carrancudo.
Ambos sabem da importancia que o cargo de vice-presidente da república tem e marcaram a história recente de nosso noviço processo de redemocratização do país.
Ambos são Josés, um luta pela vida e o outro pelo poder.
Ambos são guerreiros, um sabe viver mesmo diante da morte e o outro não pode perder o que seria uma morte não só para ele.
Ambos são imortais, um pelo espirito de vida e outro pela letra morta.
Ambos são exemplos, um enobrece e o outro não.
Ambos são importantes para o Presidente Lula, um só ajuda e o outro começa a atrapalhar.
Ambos estão no alvo da imprensa, um é bendito e o outro maldito.
Por isso, também, que o presidente do Senado repete a velha marca de rejeição de quando estava no outro poder.
Não há dúvidas de que parte da nossa imprensa também tem os seus interesses e atos secretos, mas daí a um dos Josés ser motivo para que o Estadão e todos nós lembremos dos tempos em que Camões e as receitas da Dona Benta ocupavam espaços censurados…., isso realmente é demais.
Hoje Alencar segue lutando e construindo uma ética que o capacita a nos dar conselhos e Sarney enfrentará o Conselho de Ética do Senado.
Mais um dia para José de Alencar vencer a sua batalha se Deus quiser, no caso de José Sarney, só Deus sabe a solução que os responsáveis pelos atos secretos trarão.
Mais uma vez nós podemos confirmar que a luta pela vida engrandece, mas a luta pelo poder nos apequena.
 

O Senado Brasileiro está difícil de engolir

Terça-feira, Agosto 4th, 2009

Nessa terça-feira eu reservei a minha tarde e inicio de noite para acompanhar a volta de nossas excelências legislativas à Brasília e as previsíveis coberturas da mídia televisiva.  A grande maioria dos poucos senadores que voltaram ao primeiro dia de sessão procurou convencer a todos que as férias foram de trabalho duro e intenso. O de sempre.    

Mas o que todos esperavam era a aparição do Senador Pedro Simon na tribuna.  O Senador do mesmo partido de Sarney, o PMDB, iniciou o seu discurso esbanjando toda a sua experiência e se apresentou defendendo a renuncia do Presidente do Senado José Sarney argumentando que isso seria a melhor e mais nobre saída para o ex-presidente da república e a única oportunidade para evitar um maior desgaste da Casas do Senado e da Família Sarney.  

Iniciou em tom franciscano e angelical, quase dizendo que trazia “novas de grande alegria” através de uma mensagem de Paz e Entendimento.  No plenário estavam Renan Calheiros e Collor de Mello, alem da tropa de choque de José Sarney que demonstraram estar bem preparados para manter Sarney na presidência.  

Tirando Cristovam Buarque, Jarbas Vasconcelos e Suplicy, os outros senadores agiram como era de se esperar, ou seja, descaradamente preocupados com a opinião publica. No caso dos que disputam reeleição observou-se uma postura completamente diferente daqueles que estão em termino de mandato.  

Os tucanos, como sempre, na média, agiram de acordo com a vocação de sempre, a saber, tendo o muro como passarela e por mais estranho que possa parecer, os petistas usaram a mesma tática, desfilaram, só isso.  Calheiros usou um discurso baseado na pior versão do “você não vale nada, mas eu gosto de você”. O ex-presidente do senado chegou a declarar que “gostava de Simon”. Que lindo! 

Collor, bem, o ex-presidente da república parecia possuído enquanto, prestes a ter um colapso nervoso, sugeriu uma digestão da verborréia que o citou.  Bufando e tremendo disse que Simon era um parlapatão contumaz e que deveria engolir as palavras a ele dirigidas e as digerisse como bem lhe conviesse.  

Ambos ameaçaram Simon, Renan chegou a falar das carnes estragadas e de uma tal de Porto Sol, vociferando em insinuação agressiva que o Brasil precisava conhecer quem era o Senador Pedro Simon.  No caso da dupla Renan e Collor, o gaucho Simon, pelo menos para a maioria da opinião pública, tem mais credibilidade do que os dois juntos.  

No restante da sessão, só observei os jogos, mais previsíveis ainda, de quem é pró Sarney e contra Lula.  Simon chegou feito Zagalo: “Vocês têm que me engolir”.  

Collor reagiu e disse a Simon: “As palavras dirigidas a mim Vossa excelência terá que engolir”.  Cristovam Buarque aconselhou Simon dizendo: “Vossa Excelência não tem que engolir nada”.  

Mão Santa, que presidia a sessão, professor de fisiologia que é ou foi, disse que tudo sabe sobre o que é engolido e digerido: “Não vejo nada de errado na expressão engolir e digerir”.  Simon garantiu: “Não engulo mesmo”.  

E nós? Engoliremos essas e outras até quando? 

 

 

Geisel, o penultimo dos brandos.

Segunda-feira, Agosto 3rd, 2009

O domínio totalitário, porém, visa à abolição da liberdade e até mesmo a eliminação de toda espontaneidade humana”.
Hannah Arendt in Origens do Totalitarismo
 
Há 102 anos nascia em Bento Gonçalves, Ernesto Geisel.
Formado no Colégio Militar de Porto Alegre, apoiou a Revolução de 1930, lutou contra a Revolução Constitucionalista de 1932, participou do Golpe Militar de 1964 e, por eleição indireta, exerceu o cargo de Presidente da República do Brasil de 1974 a 1979.
A mosca que diz pousar em sopas polemizou recentemente publicando uma matéria sobre aqueles anos chamados levianamente de brandos. Talvez o suicídio inventado do jornalista Vladimir Herzog em 1975 seja uma dessas manifestações entre tantas outras branduras.
Não havia mais milagre econômico e o demônio da inflação e o fortalecimento dos movimentos sociais terminou sinalizando o fim do daqueles suaves anos.
Há quem diga que Geisel, só ele, foi realmente brando e que a maior prova de sua governança leve tenha sido a proposta de redemocratização do país, uma solução lenta, gradual e segura.
É dele a frase: “Nosso mal foi ter durado tanto tempo”.
Certo, todo regime autoritário tem a mesma característica: Uma dificuldade enorme para pedir para sair.
Termino com uma das trilhas sonoras característica da MPB da Resistência.
Leiam e se souberem cantarolar…, aproveitem a emblemática Meu Caro Amigo de Chico Buarque e Francis Hime.
 
Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando e também sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus
 

 

Mas que saudades da muléstia!

Domingo, Agosto 2nd, 2009

No dia 02 de agosto de 1989 nós chorávamos a notícia da morte do nosso glorioso Rei do Baião.
Não me canso de falar das minhas nobres raízes nordestinas, papai de Alagoas, Serra da Barriga, terra de Zumbi e mamãe de Pernambuco, Serra Talhada, terra de Lampião e conterrânea de Gonzagão.
Eita saudades da bexiga preta que eu tenho de meu pai quando falo dessas coisas.
Aprendi com papai a cantar Luiz e nunca mais me esqueci. Vixe!
 

Quando olhei a terra ardendo qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu por que tamanha judiação (2x)
 

Que braseiro, que fornalha, nenhum pé de plantação
Por falta d’água perdi meu gado, morreu de sede meu alazão (2x)
 

Inté mesmo a Asa Branca bateu asas do sertão
Entonce eu disse: adeus Rosinha, guarda contigo meu coração (2x)
 

Hoje longe muitas léguas nessa triste solidão
Espero a chuva cair de novo pra eu voltar pro meu sertão (2x)
 

Quando o verde dos teus olhos se espaiá na plantação
Eu te asseguro, não chores não, viu
Que eu voltarei, viu, meu coração (2x)
 

Meu querido amigo Gerson Borges está lançando o seu novo CD, imaginem, começa hoje uma série de lançamentos pelo mundo a fora.
Sabe o nome do CD do CABRA? Sabe não?
 

NORDESTINAMENTE!
 

Isso mesmo, Nordestinamente.
Eu ouvi umas duas músicas no Sarau da Comuna e posso garantir que, como sempre, arriégua! A música é da melhor qualidade.
Pode deixar, direi a todos aonde poderão ouvir os shows e se apaixonarem por essa peça que nos remete para o belo do nordeste e do seu povo.
Pronto! Lembrei-me de um amigo que me conheceu amassando barro em busca de justiça social, o nome dele é Januário.
Hoje Januário é seguidor - dos bons - de Jesus de Nazaré.
Quando encontro Januário ou nos falamos ao telefone, não há como resistir à deixa.
Termino essas poucas e breves linhas com a música que me lembra um companheiro – companheiro mesmo – o meu querido Januário.
Viva Luiz Gonzaga!
 

 

Respeita Januário
(Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira)
 

A
Quando eu voltei lá no sertão
                                             E
Eu quis mangar de Januário com meu fole prateado
                                              E7
Só de baixo cento e vinte, botão preto bem juntinho
              A
Como nego impariado
 

Mas antes de fazer bonito de passagem por Granito
                 E
Foram logo me dizendo:
                  B7
“De Itaboca à Rancharia, de Salgueiro à Bodocó
               E7
Januário é o maior!”
 

E foi aí que me falou mei zangado seu Jacó:
  A       B7        E                        A
“Luiz, respeita Januário, Luiz, respeita Januário!
 A7
Luiz, tu pode ser famoso mas teu pai é mais tinhoso
                   D
E com ele ninguém vai Luiz
  A       E                          A
Luiz, respeita os oito baixo do teu pai
   E                           A
Respeita os oito baixo do teu pai!”