Evangélicos Verdes?
Segunda-feira, Agosto 24th, 2009“Deus viu tudo o que havia feito.
Eis que era muito bom”
Gênesis, Bíblia Sagrada.
Não, não falarei da irmã Marina Silva, agora não…, me aguardem, pois o farei em momento oportuno.
Quero falar de nós, outros evangélicos que pouco – ou nada - temos feito para cumprir a nossa responsabilidade de cuidar da criação.
As instituições evangélicas brasileiras têm legitimidade e potencialidade para contribuir significativamente com a sustentabilidade ambiental.
A crença de que a Santíssima Trindade é criadora e preservadora de todas as coisas, termina unindo a todos os evangélicos, dos liberais aos mais ortodoxos.
Evidentemente que a aplicação dessa profissão de fé às ações efetivas na preservação do meio ambiente ainda engatinha como tudo o mais que nos traz para a inteireza da vida e da missão. Estamos longe de pensarmos com propriedade e estratégia em ações que convertam os predadores ambientais e encorajem as iniciativas conservacionistas denunciando como pecado a omissão da maioria dos evangélicos sobre esse assunto.
Essa capilaridade evangélica serve tanto para o bem quanto para o mal.
Quando digo “para o mal”, refiro-me ao fortalecimento dos simplismos, romantismos, alienações e das visões fragmentadas e divorciadas da realidade da Vida que são alimentadas diariamente por incautos em seus impérios midiáticos.
Ignoramos que a Vida nunca esteve restrita a um ser – só o humano - por um determinado espaço de tempo.
Essa ignorância, por vezes, assume tom de alta espiritualidade. É bom lembrar que os religiosos são excelentes na transformação de ignorâncias em dogmas e de obtusidades em fervor.
É o que também acontece quando o assunto é Meio Ambiente. Nós somos ignorantes é achamos isso espiritual. Queremos ganhar o mundo para Jesus sem considerar a preservação ambiental como uma das posturas que corroboram a nossa pregação.
O contrário também traz verdades, pois quando nos esquecemos de lutar pela sustentabilidade ambiental nós revelamos a nossa limitação e incoerência. Não estamos vivendo o que pensamos pregar.
Resgatarmos os temas da Ecologia e indo além da etmologia, ousando ensinar sobre o casamento que deve haver entre o oikos-logos que é o tratado, o estudo sobre a Casa e a oikos-nomos que é a organização dessa Casa.
Ao falar da crise socioambiental sem precedentes, assim diz o ambientalista Maurício Waldmann, que foi assessor de Chico Mendes: “É neste sentido que devemos ressalvar, já nestes primeiros parágrafos, que essa crise, decorre de uma falsa dicotomia que o mundo ocidental estabeleceu entre economia e ecologia. Comumente fala-se de economia e de ecologia como fossem termos antagônicos; em decorrência, é freqüente encontrarmos discursos que estigmatizam a discussão ecológica como um tema desenvolvido por pessoas românticas, sem inserção na realidade.”
Penso que toda conscientização deve ser acompanhada da devida e competente articulação, que trará trocas de experiências e capacitações para aproveitarmos a nossa capilaridade evangélica para a glorificação e melhor compreensão do Criador em todas as suas intenções e ações.
Agora, como trazer o tema de forma convincente sem cair no extremo dos ecochatos? Um ecochato convertido é um horror, conheço alguns?
Mas pior, muito pior do que a chatice do irmão verde é quando eles terminam indo para o outro extremo acreditando na sugestão obtusa de que isso tem a ver com nova era de aquário, anticristo e outras bestas, sem falar no parco argumento de que não temos que nos preocupar com ecologia, pois tudo se queimará e derreterá no fim dos tempos, como “diz” as escrituras.
Oro e trabalho para que a seiva de uma compreensão do todo da mensagem do evangelho chegue até a última pontinha do ramo evangélico mais distante.
Imaginem se começássemos campanhas articuladas ou não de conscientização dos evangélicos sobre a sustentabilidade ambiental.
E aqui e alhures surgissem mais igrejas feitas de pet, muitas outras fazendo campanhas pela coleta coletiva, outras participando dos Conselhos de suas cidades para que o saneamento básico seja uma das prioridades do governo local.
E se nos envolvêssemos com a implementação da agenda 21 em nossas cidades? Se usássemos nossos dons, talentos, recursos e influencia para apresentarmos soluções para a crise socioambiental que vivemos.
Tantas outras idéias poderiam surgir, imaginem séries de reflexão bíblica voltada ao tema sendo estudadas com mais frequencia? Estudos que trouxessem um projeto simples para o grupo aplicar o que aprendeu a cada ano.
Já pensou nisso?