Archive for the 'PASTORAL da VIDA' Category

O chá de um Sábio OUTUBRO

Quinta-feira, Outubro 1st, 2009


O homem começa a morrer na idade em que perde o entusiasmo.”
Balzac
 

O Dia Internacional da Terceira Idade disputa o PRIMEIRO DE OUTUBRO com os dias comemorativos de Santa Terezinha, do Vendedor e do Vereador.
 

A festa litúrgica de Santa Teresinha do menino Jesus é celebrada no dia 1º de Outubro. Foi ela quem disse: “Farei cair uma chuva de rosas sobre o mundo!” e em outro momento: “Agora compreendo que a caridade perfeita consiste em suportar os defeitos dos outros, em não se admirar de suas fraquezas, em edificar-se com os mínimos atos de virtude que se lhes veja praticar; antes de tudo aprendi que a caridade não deve ficar estanque no fundo do coração
 

No caso do Vendedor eu registro a fala do grande BONO VOX: “Sou um exibicionista que adora pintar quadros daquilo que não vê. Um marido, um pai, amigo dos pobres, às vezes dos ricos. Um ativista vendedor ambulante de idéias. Jogador de xadrez, estrela de rock em part-time, cantor de ópera no grupo pop mais barulhento do mundo. Que tal?
 

No caso dos vereadores…., bem, só posso lembrar do Vereador em São Paulo, o Dr. Carlos Alberto Bezerra Junior. O camarada é bom mesmo, procure se informar.
 

Mas o 1º de outubro é o dia Internacional da Terceira Idade, segundo a Organização das Nações Unidas – ONU.

1o. de Outubro é o Dia do Ancião.
 

Nas culturas mais robustas em registros dignos e modelares as cãs são patentes de honra e somente em sociedades de legados fúteis é que o adultecer é doença e peso.
 

Pobre da pessoa que deixa para trás ou atropela os seniores sem considerar os entusiasmos dos crepúsculos dos humanos.
 

A tolice humana se revela numa juventude que ignora o envelhecer e a pior tolice deve estar no velho que luta contra o tempo e não vê a beleza do seu outono.
 

Considerando que infelizmente a maioria da nossa sociedade só se mobiliza quando o assunto lhe diz respeito ou afeta diretamente, a nossa maior tolice está em continuarmos ignorando o descaso dos poderes instituídos com os assuntos dos idosos.
 

Sugiro que hoje nós possamos esquentar o debate sobre os programas, projetos e ações públicas que estão sendo implementados para a melhoria da qualidade de vida desses cidadãos cada vez mais vivos em nossas cidades. 
 

No chamado Clube dos Prefeitos do ABC e em suas gestões municipais, quais políticas publicas estão sendo pelo menos debatidas para que os nossos idosos tenham as suas necessidades contempladas e as suas potencialidades estimuladas?
 

Entre os nossos doutos legisladores municipais, quais vereadores que além buscarem se aposentar como vereadores, estão de fato legislando com eficácia os temas da terceira idade?
 

Eu também pergunto a mim mesmo, de que maneira eu tenho contribuído para que um olhar mais responsável seja lançado sobre os nossos idosos?
 

Meu Deus! Que a minha longevidade nunca siga divorciada da sabedoria.
 

Termino com o ENVELHECER do Sábio Quintana:
 

Antes, todos os caminhos iam.
Agora todos os caminhos vêm.
A casa é acolhedora, os livros poucos.
E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas.
 

In Sapato Florido – Mario Quintana

Evangélicos Verdes?

Segunda-feira, Agosto 24th, 2009

Deus viu tudo o que havia feito.
Eis que era muito bom
Gênesis, Bíblia Sagrada.
 

 

 

Não, não falarei da irmã Marina Silva, agora não…, me aguardem, pois o farei em momento oportuno.
 

Quero falar de nós, outros evangélicos que pouco – ou nada - temos feito para cumprir a nossa responsabilidade de cuidar da criação.
 

As instituições evangélicas brasileiras têm legitimidade e potencialidade para contribuir significativamente com a sustentabilidade ambiental.
 

A crença de que a Santíssima Trindade é criadora e preservadora de todas as coisas, termina unindo a todos os evangélicos, dos liberais aos mais ortodoxos.
 

Evidentemente que a aplicação dessa profissão de fé às ações efetivas na preservação do meio ambiente ainda engatinha como tudo o mais que nos traz para a inteireza da vida e da missão. Estamos longe de pensarmos com propriedade e estratégia em ações que convertam os predadores ambientais e encorajem as iniciativas conservacionistas denunciando como pecado a omissão da maioria dos evangélicos sobre esse assunto.
 

Essa capilaridade evangélica serve tanto para o bem quanto para o mal.
 

Quando digo “para o mal”, refiro-me ao fortalecimento dos simplismos, romantismos, alienações e das visões fragmentadas e divorciadas da realidade da Vida que são alimentadas diariamente por incautos em seus impérios midiáticos.
 

Ignoramos que a Vida nunca esteve restrita a um ser – só o humano - por um determinado espaço de tempo.
 

Essa ignorância, por vezes, assume tom de alta espiritualidade. É bom lembrar que os religiosos são excelentes na transformação de ignorâncias em dogmas e de obtusidades em fervor.
 

É o que também acontece quando o assunto é Meio Ambiente. Nós somos ignorantes é achamos isso espiritual. Queremos ganhar o mundo para Jesus sem considerar a preservação ambiental como uma das posturas que corroboram a nossa pregação.
 

O contrário também traz verdades, pois quando nos esquecemos de lutar pela sustentabilidade ambiental nós revelamos a nossa limitação e incoerência. Não estamos vivendo o que pensamos pregar.
 

Resgatarmos os temas da Ecologia e indo além da etmologia, ousando ensinar sobre o casamento que deve haver entre o oikos-logos que é o tratado, o estudo sobre a Casa e a oikos-nomos que é a organização dessa Casa.
 

Ao falar da crise socioambiental sem precedentes, assim diz o ambientalista Maurício Waldmann, que foi assessor de Chico Mendes: “É neste sentido que devemos ressalvar, já nestes primeiros parágrafos, que essa crise, decorre de uma falsa dicotomia que o mundo ocidental estabeleceu entre economia e ecologia. Comumente fala-se de economia e de ecologia como fossem termos antagônicos; em decorrência, é freqüente encontrarmos discursos que estigmatizam a discussão ecológica como um tema desenvolvido por pessoas românticas, sem inserção na realidade.”
 

Penso que toda conscientização deve ser acompanhada da devida e competente articulação, que trará trocas de experiências e capacitações para aproveitarmos a nossa capilaridade evangélica para a glorificação e melhor compreensão do Criador em todas as suas intenções e ações.   
 

Agora, como trazer o tema de forma convincente sem cair no extremo dos ecochatos? Um ecochato convertido é um horror, conheço alguns?
 

Mas pior, muito pior do que a chatice do irmão verde é quando eles terminam indo para o outro extremo acreditando na sugestão obtusa de que isso tem a ver com nova era de aquário, anticristo e outras bestas, sem falar no parco argumento de que não temos que nos preocupar com ecologia, pois tudo se queimará e derreterá no fim dos tempos, como “diz” as escrituras.
 

Oro e trabalho para que a seiva de uma compreensão do todo da mensagem do evangelho chegue até a última pontinha do ramo evangélico mais distante.
 

Imaginem se começássemos campanhas articuladas ou não de conscientização dos evangélicos sobre a sustentabilidade ambiental.
 

E aqui e alhures surgissem mais igrejas feitas de pet, muitas outras fazendo campanhas pela coleta coletiva, outras participando dos Conselhos de suas cidades para que o saneamento básico seja uma das prioridades do governo local.
 

E se nos envolvêssemos com a implementação da agenda 21 em nossas cidades? Se usássemos nossos dons, talentos, recursos e influencia para apresentarmos soluções para a crise socioambiental que vivemos.
 

Tantas outras idéias poderiam surgir, imaginem séries de reflexão bíblica voltada ao tema sendo estudadas com mais frequencia? Estudos que trouxessem um projeto simples para o grupo aplicar o que aprendeu a cada ano.
 

Já pensou nisso?

INVERNO, inferno e CHOCOLATES.

Sábado, Agosto 8th, 2009

NÃO TOQUE NESTA COISA! NÃO PROVE AQUELA! NÃO PEGUE NAQUELA! Todas essas proibições têm a ver com coisas que se tornam inúteis depois de usadas. São apenas regras e ensinamentos que as pessoas inventam. De fato, essas regras parecem ser sábias, ao exigirem a adoração forçada aos anjos, a falsa humildade e um modo duro de tratar o corpo. Mas tudo isso não tem nenhum valor para controlar as paixões que levam à imoralidade“. 
Apóstolo Paulo 
 

Há dias uma amiga assistiu novamente ao delicioso Chocolate dos produtores David Brown, Kit Golden e Leslie Holleran e, em seguida, me deixou um scrap honroso em meu Orkut.
 

- Acabei de assistir ao filme Chocolate e me lembrei de você….
 

Lembro-me quando em 2000 ou 2001 eu sugeri aos meus companheiros de ministério que assistíssemos ao filme. A minha intenção era provocar uma reflexão sobre a nossa espiritualidade e os seus rebotes em nossas vidas pessoais, familiares e comunitárias.
 

Entre tantas sinopses disponíveis na rede eu escolhi uma bem limitada.
 

Vianne Rocher (Juliette Binoche), uma jovem mãe solteira, e sua filha de seis anos (Victorie Thivisol) resolvem se mudar para uma cidade rural da França. Lá decide abrir uma loja de chocolates que funciona todos os dias da semana, bem em frente à igreja local, o que atrai a certeza da população de que o negócio não vá durar muito tempo. Porém, aos poucos Vianne consegue persuadir os moradores da cidade em que agora vive a desfrutar seus deliciosos produtos, transformando o ceticismo inicial em uma calorosa recepção.”
 

Este apanhado nada pega da densidade do filme onde Binoche e Alfred Molina (O Conde de Reunaud) brilham e nos encantam com as suas performances.
 

Quem não assistiu deve fazê-lo ainda neste inverno, e aqueles que degustaram essa verdadeira pregação de uma espiritualidade sadia, sugiro que se lambuze novamente com o lindo e profético Chocolate.
 
Vianne Rocher é uma extraordinária missionária, dirigida pelo Vento do Norte a cidades prisões onde existem pessoas carentes com as suas máscaras, medos, taras, violências, vícios e virtudes impostos e produzidos por uma religiosidade doentia e adoecedora.
 

A sua igreja local é a loja de chocolates e lá ela faz os discipulados e atendimentos pastorais.
 

O filme chega ao seu ápice em uma mesa farta preparada em plena Paixão de Cristo para comemorar o aniversário da velha senhora Amande Voizin (Judi Dench).
 

Carne farta regada com muito chocolate e vinho e depois uma sobremesa de muita dança e alegria no barco do bom vivan Roux (Peter Stormare).
 

Os prazeres daqueles humanos provocam a inveja doida de Carolin Claimont (Carrie-Anne Moss) uma linda viúva presa ao passado e esperançosa do despertar amoroso do Conde.
 

Os excessos heréticos daquela gente enchem de fúria o coração do Conde pudico que sem perceber inspira uma loucura.
 

As imagens feitas impuras pelos olhos tenebrosos de Serge Muscat (Peter Stromare) o fazem ouvir além das palavras ditas pelo Conde e, o “algo tem que ser feito”, transforma-se em ordem para reproduzir uma inquisição onde pessoas e coisas sucumbiriam nas chamas.
 

Ando querendo ler o livro “Feridos em Nome de Deus” da jornalista Marília de Camargo César, nele ela relata os danos do assédio espiritual cometido por líderes evangélicos. Quero saber que a que tipo de feridas ela se refere.
 

O Conde de Chocolate é um líder espiritual violentado e violentador por sua espiritualidade regrada, desumana, excludente e castradora.
 

Quantos lutos são eternizados por espiritualidades anticépticas?
 

Quantos tarados estão ateando fogo em tudo e todos por causa de uma cultura religiosa que nos afasta das nossas verdades humanas?
 

Quantos líderes bem intencionados não se transformaram em estupradores espirituais em nome de Deus e de suas quarentenas sem sentido?
 

Mas no fim do filme há algumas conversões às avessas.
 

O Conde De Reynaud, após ensaiar mais um sermão com o padreco marionete, olha pela janela e vê Caroline como nova convertida na alegria naquele característico primeiro amor olhando a vitrine da igreja, ops, da loja de chocolates ao lado da Pastora Vianne.  
 

De Reynaud corre para o altar e diante do Cristo desespera-se e em seguida entra na loja pela janela, como o salteador, salteadores nunca entram pelas portas, lembram-se?
 
Vai até a vitrine e começa a destruir tudo como se estivesse exorcizando o lugar, fazendo uma limpeza espiritual.
 
Em sua fúria – para si santa - um pedacinho de chocolate cai em seus lábios.
 
Na cena só faltou o hino Eu Venho Como Estou como fundo musical. Era a conversão do Conde, e ele nem precisou levantar a mão e sair do lugar. Não havia apelos ou apelações.
 
Em seguida ele se lambuza na graça, ops, no chocolate e entre prazer, culpa, riso e muito choro, adormece como todo humano na vitrine, empanturrado de chocolate quebrando o seu tão precioso e custoso propósito espiritual de 40 dias.
 

A vitrine é o melhor lugar para essas figuras patéticas.
 
Mas o padre, logo cedo o vê e com a ajuda da missionária chocolateira, eles o preservam tirando-o da vitrine e afirmando que ninguém saberia do ocorrido.
 
Enquanto Vianne dá ao Conde um antiácido para curar-lhe a ressaca, ela lhe garante: “Beba, isso lhe fará bem. E fique tranqüilo, não contarei nada a ninguém”.
 
E naquele domingo de páscoa o Conde ressuscitou de sua religiosidade morta e esteve na igreja como nunca esteve.
 

O Padre também se converteu e pregou um sermão tocante. Não foi o seu mais eloquente sermão, mas certamente o mais humano.
 

Preferiu falar da humanidade de Deus e afirmou que bondade cristã “Não excluir nada que nós merecemos e incluir todos que achamos não merecer nada”.
 

Aquela cidade é transformada pelo poder de Deus em contraste com as fraquezas humanas.
 
E no fim do filme, a estátua do fundador da cidade com uma bexiga vermelha pendurada ao lado pareceu estar sorrindo diante de toda aquela metanóia coletiva.
 
O filme acabou enquanto eu sorria e chorava reforçando mais uma vez o agridoce sempre presente entre nós humanos e as nossas frágeis e sensíveis vidas

Aos camaradas de La Mancha

Quinta-feira, Agosto 6th, 2009

Aos Camaradas de La Mancha
Por Levi Araújo
 
 

“…para uma longínqua e inalcançável estrela”
Lady Dulcinéia (Sophia Loren) cantando ao leito de Dom Quixote (Peter O’Toole) o Cavaleiro da Triste Figura, com Sancho Pancha (James Coco) choroso do outro lado.
 

Acabei de assistir mais uma vez ao maravilhoso cult O Homem de La Mancha com Peter O´Toole, Sophia Loren e James Coco.  
Em lágrimas fui transportado para aquela tarde de domingo quando estive diante da estátua de Cervantes em uma de minhas viagens à Espanha.
Enquanto o vento frio avermelhava ainda mais a minha face, o meu coração ardia por lembrar-me de trechos do maravilhoso Dom Quixote de La Mancha.
Poderia ter ficado ali por um bom tempo se não fosse o compromisso para ministrar para um grupo generoso de cristãos protestantes em Alcalá de Henares.
Ah! Se eu pudesse voltar àquela praça………, mas a vida segue.
Tenho andado triste por ver tantos pragmáticos amargos e ex-sonhadores.
Tenho razões para ceder à tentação de uma mentalidade e espiritualidade esquisita que às vezes parece conseguir misturar água e óleo.
Vivemos em tempos de ventos fortes onde cristãos estão cada vez mais ateus. O pior é que são os melhores…., sim, os melhores cristãos são como o Cavaleiro dos Espelhos, o Dr. Sanson Carrasco (John Castle), aquele que mostrou a Quixote que ele não passava de um Alonso Aguijana e que a Lady Dulcinéia não passa de uma prostituta com o nome de Aldonza.
Sofro em perceber que os melhores não sonham mais e que alguns deles acham que todo sonhar é “Sonho americano” e “Capem Diem ocidental”.  Que pena!  
Façam um favor às suas almas, assistam ao Homem de La Mancha e se ainda não leu o livro, por favor, procurem lê-lo.
Antes de começarmos as eleições de 2008, um camarada que eu batizei de Ramlig me emprestou uma edição em espanhol da continuação de Dom Quixote, escrita por Avellaneda em 1614 e publicada por Cervantes um ano antes de morrer.
Eu estava muito agitado naquele momento, por isso não cuidei de ler a obra como devia, estava mais preocupado, como paranóico que sou em tentar entender a razão porque eu estava recebendo aquele livro antes do pleito eleitoral.
Sendo ou não intencional, no meio da campanha eu me deparei com muitos espelhos que me levaram ao leito de dor e frustrações onde nenhum sonho resiste.
Desde os escândalos do mensalão que eu tenho registrado um pouco das minhas tristezas e frustrações com a política partidária.
Essa é a segunda maior frustração que eu tive nos últimos 20 anos, a primeira foi com alguns dos meus camaradas que comigo compartilhavam o sonho de uma comunidade cristã relevante.
Tenho aprendido a cada dia que para frustrar alguém basta ser gente, um ser humano.  Nós nos frustramos e frustramos pessoas o tempo todo.
Enfatizo que tenho clareza cada vez maior de quantas pessoas frustrei enquanto vivi. Sinto muito mesmo.
Consolo-me com Kierkegaard quando diz: “Nostalgicamente, saúda- vos quem ele é, e não aquele que poderia ser
Mas o meu sucumbir é mais profundo e vai além das frustrações.
O que me horroriza é a possibilidade de uma cultura de não mais sonhar e do melancólico ato de “jogar a toalha”.
Posto isto meus Camaradas, eu desejo dedicar estas palavras a todos os que um dia sonharam.
Hoje eu quero ser um Sancho Pança para vocês.
Vocês que envelhecem vendo a injustiça e a trapaça triunfarem.
Repito a fala de Pança ao chegar ao leito de Dom Quixote no musical Man of La Mancha: “Eu não luto com um moinho há duas semanas.”
Duas Semanas para mim tem a ver com “O dia mau” que Paulo, o Apóstolo falou.
O dia mal, como as “duas semanas”, pode significar anos.
Por isso, eu abusarei da paráfrase e quero provocá-los e convocá-los a resistir mais uma vez: “Vamos Camaradas! Eu não luto com um moinho já faz um tempinho.”
 

 

SONHO IMPOSSÍVEL
(Versão Chico Buarque e Ruy Guerra para a peça “O Homem de La Mancha”) 1975
 

Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
 

Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite provável
Tocar o inacessível chão
 

É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
 

Não me importa saber
Se é terrível demais
 

Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
 

E amanhã este chão que eu deixei
Por meu leito e perdão
Por saber que valeu
Delirar e morrer de paixão
 

E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão
 

 

O José da Vida e o José do Poder

Quarta-feira, Agosto 5th, 2009

 

A ânsia de poder não é originada da força, mas da fraqueza”. 
Erich Fromm
 

Temam menos a morte e mais a vida insuficiente”.
Bertold Brecht
 

A batalha exemplar de nosso Vice-Presidente pela vida contrasta tremendamente da deseducadora e vexatória batalha pelo poder que encontramos no Senado Federal.
Dois homens públicos estão posicionados nesses dois campos de batalha, um está sereno e o outro tenso, um sorridente e o outro carrancudo.
Ambos sabem da importancia que o cargo de vice-presidente da república tem e marcaram a história recente de nosso noviço processo de redemocratização do país.
Ambos são Josés, um luta pela vida e o outro pelo poder.
Ambos são guerreiros, um sabe viver mesmo diante da morte e o outro não pode perder o que seria uma morte não só para ele.
Ambos são imortais, um pelo espirito de vida e outro pela letra morta.
Ambos são exemplos, um enobrece e o outro não.
Ambos são importantes para o Presidente Lula, um só ajuda e o outro começa a atrapalhar.
Ambos estão no alvo da imprensa, um é bendito e o outro maldito.
Por isso, também, que o presidente do Senado repete a velha marca de rejeição de quando estava no outro poder.
Não há dúvidas de que parte da nossa imprensa também tem os seus interesses e atos secretos, mas daí a um dos Josés ser motivo para que o Estadão e todos nós lembremos dos tempos em que Camões e as receitas da Dona Benta ocupavam espaços censurados…., isso realmente é demais.
Hoje Alencar segue lutando e construindo uma ética que o capacita a nos dar conselhos e Sarney enfrentará o Conselho de Ética do Senado.
Mais um dia para José de Alencar vencer a sua batalha se Deus quiser, no caso de José Sarney, só Deus sabe a solução que os responsáveis pelos atos secretos trarão.
Mais uma vez nós podemos confirmar que a luta pela vida engrandece, mas a luta pelo poder nos apequena.
 

Mas que saudades da muléstia!

Domingo, Agosto 2nd, 2009

No dia 02 de agosto de 1989 nós chorávamos a notícia da morte do nosso glorioso Rei do Baião.
Não me canso de falar das minhas nobres raízes nordestinas, papai de Alagoas, Serra da Barriga, terra de Zumbi e mamãe de Pernambuco, Serra Talhada, terra de Lampião e conterrânea de Gonzagão.
Eita saudades da bexiga preta que eu tenho de meu pai quando falo dessas coisas.
Aprendi com papai a cantar Luiz e nunca mais me esqueci. Vixe!
 

Quando olhei a terra ardendo qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu por que tamanha judiação (2x)
 

Que braseiro, que fornalha, nenhum pé de plantação
Por falta d’água perdi meu gado, morreu de sede meu alazão (2x)
 

Inté mesmo a Asa Branca bateu asas do sertão
Entonce eu disse: adeus Rosinha, guarda contigo meu coração (2x)
 

Hoje longe muitas léguas nessa triste solidão
Espero a chuva cair de novo pra eu voltar pro meu sertão (2x)
 

Quando o verde dos teus olhos se espaiá na plantação
Eu te asseguro, não chores não, viu
Que eu voltarei, viu, meu coração (2x)
 

Meu querido amigo Gerson Borges está lançando o seu novo CD, imaginem, começa hoje uma série de lançamentos pelo mundo a fora.
Sabe o nome do CD do CABRA? Sabe não?
 

NORDESTINAMENTE!
 

Isso mesmo, Nordestinamente.
Eu ouvi umas duas músicas no Sarau da Comuna e posso garantir que, como sempre, arriégua! A música é da melhor qualidade.
Pode deixar, direi a todos aonde poderão ouvir os shows e se apaixonarem por essa peça que nos remete para o belo do nordeste e do seu povo.
Pronto! Lembrei-me de um amigo que me conheceu amassando barro em busca de justiça social, o nome dele é Januário.
Hoje Januário é seguidor - dos bons - de Jesus de Nazaré.
Quando encontro Januário ou nos falamos ao telefone, não há como resistir à deixa.
Termino essas poucas e breves linhas com a música que me lembra um companheiro – companheiro mesmo – o meu querido Januário.
Viva Luiz Gonzaga!
 

 

Respeita Januário
(Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira)
 

A
Quando eu voltei lá no sertão
                                             E
Eu quis mangar de Januário com meu fole prateado
                                              E7
Só de baixo cento e vinte, botão preto bem juntinho
              A
Como nego impariado
 

Mas antes de fazer bonito de passagem por Granito
                 E
Foram logo me dizendo:
                  B7
“De Itaboca à Rancharia, de Salgueiro à Bodocó
               E7
Januário é o maior!”
 

E foi aí que me falou mei zangado seu Jacó:
  A       B7        E                        A
“Luiz, respeita Januário, Luiz, respeita Januário!
 A7
Luiz, tu pode ser famoso mas teu pai é mais tinhoso
                   D
E com ele ninguém vai Luiz
  A       E                          A
Luiz, respeita os oito baixo do teu pai
   E                           A
Respeita os oito baixo do teu pai!”
 
 

EMBOLORANDO

Sexta-feira, Julho 31st, 2009


Uma amiga escreveu: “Estou mofando”.
Sem evitar ser mofador, isso terminou inspirando-me a falar sobre coisas bolorentas.
Todos sabem que a mofa é uma característica desse camarada aqui, perco quase tudo, mas não perco a piada e o sarro.
Recentemente, em um blog que registrou uma de minhas palestras para um numero considerável de jovens na capital paulista, o blogueiro limitou-se a me adjetivar como irreverente e descontraído.
Ele não está errado, não, de forma alguma, eu sou assim mesmo, mas eu me pus a pensar: “Até que ponto esse meu lado debochado pegou bolor?
Sinto-me envelhecendo e corro o risco de cometer a tolice de achar que envelhecer é sinônimo de embolorar. Acho esse pecado é quase que inevitável para os novos velhos.
Ha pouco eu vi fotos de uns 20 anos atrás e fitei-me invejoso da cabeça aos pés com uma parada importante de reflexão na região abdominal.
Também participo de muitas listas de discussão, uma delas é do EPJ – Evangélicos pela Justiça, e de repente, ao reler o que escrevi, flagrei-me com tons, exemplos e histórias de um Sênior.
Falando em sênior, estou inscrito em um time de futebol, sabe o nome, Masteranos.
Vejo os meus filhos crescendo e o tempo corre sem tréguas, hoje sou um homem de cãs.
Claro que, asseverar que mofar e envelhecer não são sinônimos, não tem a menor importância para a Geração “Y”. Generalizando, eita geraçãozinha apequenada, Deus nos livre!
Aqui e acolá o meu coração se enche de esperança ao encontrar os raríssimos jovens que realmente estão clarificados.
Essa rapazeada embolorecida estão como aquele mofo cinzento que dá no coentro e no manjericão. Almas fúngicas que adoecem quem estiver por perto, os seus frutos moles e podres são bem conhecidos.
Nada de bom se pode esperar dessa turminha esverdeada pelo propósito maior de conquistar o seu primeiro milhão de dólares até os dezoito anos e o segundo milhão de verdinhas até os vinte e cinco.
Que as exceções sejam guardadas em todos os sentidos.
Há o bolor do bem, sabiam?
O que seriam daqueles ótimos queijos e de alguns medicamentos, especialmente a penicilina, se não fosse alguns fungos abençoados e abençoadores.
Bem disse Billie Burke, Idade é algo que não importa a menos que você seja queijo.
Mas queijo vai bem com vinho.
Quanto mais bem envelhecido melhor o vinho.
Mas há que se cuidar para que os tonéis e as rolhas mal conservadas não estraguem o dulçor das uvas esmagadas e feitas em vinho.
Como o vinho, nossas vidas podem ser comprometidas por defeitos provocados por um excesso de umidade causada por bactérias.
Por isso é que eu quero envelhecer e nunca embolorar.
Outro amigo me escreveu: “Você está como o vinho bom, quanto mais velho, melhor.
Fiquei feliz por serem outros lábios a dizer isso.
Pois é isso o que realmente eu quero.
Quero unir velhos amigos em novos brindes.
Quero sorrir, não, quero gargalhar com amigos velhos segurando taças chorosas de um vinho denso conservado como um tesouro.
Um tesouro que chama corações de habitantes.
Jóias pra se ver e suspirar, irretocáveis.
Quero continuar mofando sem mofar.
Quero seguir gozando da vida sem embolorar.
Quero ser bebida boa para os meus velhos e novos amigos velhos.  
 

Breves considerações sobre a declaração de Manuel Zelaya à revista BRASIL de FATO

Quinta-feira, Julho 30th, 2009

“Os hondurenhos têm o direito de pegar em armas”

Manuel Zelaya

Por ocasião da Guerra do Iraque, o Pastor Ricardo Gondim escreveu sobre um programa do Larry King onde Max Lucado, John McArthur e Bob Jones tentavam dar “justificativas cristãs” e “bases bíblicas” para as ações do irmão Bush e os ataques ao Iraque pelos Estados Unidos, o “Israel de Deus” da modernidade.

Gondim foi sistemática e terrivelmente atacado pelos nossos irmãos que defendiam aquele tipo de “pegar em armas” e que agora apóiam o governo golpista de Honduras que, por sua vez, tem usado armas para se manter.

Oro entristecido pelos hondurenhos e por Zelaya que não conseguiram impedir que tal estado de coisas se estabelecesse entre eles enquanto nação e espero que em tempo breve eles possam restabelecer o “menos ruim’ sistema político que inventamos até agora.

Sou seguidor de Jesus de Nazaré antes de qualquer outra coisa e se tiver que abandonar qualquer outra coisa, seja ela ideológica ou religiosa, o farei sem pestanejar se a tal coisa entrar em confronto direto com os princípios do Reino de Deus e a sua Justiça.

Sempre estive pronto, para que se fosse o caso, como o apóstolo Paulo, considerar como excremento qualquer outra coisa que se oponha aos princípios do Reino.

Chegou o momento de começar a questionar todo aquele que relativiza o Evangelho de Jesus Cristo e quebram ou dão nova roupagem ao Sermão da Montanha que é a nossa Constituição e a Regra de Ouro que é a nossa clausula pétrea.

A nossa Justiça é outra, não há precedentes entre qualquer ideal progressista humano por mais bem intencionada e justa que essa proposta possa ser.

Se os hondurenhos devem pegar em armas eu realmente acho que isso é assunto dos hondurenhos, mas nós, que seguimos o Mestre Jesus temos a obrigação de desestimular essa ação ou qualquer outra similar sob o risco de estarmos colocando as coisas humanas acima do Deus das coisas e dos humanos e defendendo uma justiça da terra em detrimento da justiça do Senhor de toda a terra e aqueles que nela habitam.

Era só o que faltava… nós darmos uma de Max Lucado e os demais irmãos da America que apoiaram a guerra do Iraque e o Golpe de Honduras. Sim, nós seremos iguais a eles se apoiarmos e estimularmos a convocação de Manuel Zelaya sobre o direito que o povo hondurenho tem de pegar em armas.

Eles até podem ter o direito de pegar em armas, mas nós temos o dever de ser contra esse direito.

Lixos e Luxos devolvidos.

Sábado, Julho 25th, 2009

Finalmente, em cena teatral, embora emblemática, flagraram o lixo que nos enviam.
O ministro Minc e os técnicos do IBAMA confirmaram a chegada de lixo inglês em três portos brasileiros.
Graças ao bom Pai, a internet, além dos lixos, traz luxos para aqueles que viveram quase sempre de lixo no ultimo século.
Dependendo das convicções, o luxo vira lixo e o luxo vira lixo.
Certamente que devemos cuidar para que moralismos não sejam considerados ferramentas empíricas.
Nem tudo o que vem de fora é lixo, mas há muito lixo em quase tudo o que vem de fora.
Platão não é brasileiro e está longe de ser lixo.
Agostinho não é brasileiro e está longe de ser lixo.
Kierkgaard não é brasileiro e está longe de ser lixo.
Nietzsche, Dostoievsk e Morin são tudo, menos lixo.
Há muito lixo brasileiro que nos identificam com bananas, nádegas, seios e outras práticas suculentas e tudo isso é exportado como cultura, exotismo e produto multiculturalista.
Mas, a lixarada que aqui foi flagrada com transmissão televisiva e as suas previsíveis edições vieram da Inglaterra.
O caro leitor poderia relacionar quantos lixos chegaram ao Brasil como luxos desde o século 19? Gostaria de ouvi-lo nesse quesito.
Ainda bem que esse lixo, apesar da cena, nós pegamos.
O que importa nessa minha breve reflexão não são exatamente o lixo e sim o tapete.
Pensem, somos tapetes de quais lixos?
Sim, uma nação livre não aceita ou tolera lixos.
Uma nação livre é feita de cidadãos livres e cidadãos livres não aceitam ser tapetes ou capachos de nada e ninguém.
Enquanto focamos nos lixinhos exportados dos anglo-saxônicos, o Ministro e o governo, pouco fazem para impedir o luxo – das riquezas da nossa Amazônia - que há décadas são importados pelos mesmos e outros lixeiros.
Sobre o lixo que chegou?
Sim, eu agradeço porque pelo menos esse não ficará aqui.
Sobre o luxo que partiu?
Sim, eu protesto porque pouco se fez para que a nossa riqueza não ficasse aqui.
Leitores estimados, eu entendo que saberemos se somos ou não tapetes se compreendermos minimamente o que há de lixo e luxo em nós e se aceitarmos ou não os lixos e luxos que a maioria das pessoas nos exportam.
E só assim – em minha opinião - começaremos a aprender o que realmente importa.
Comecemos devolvendo os luxos e lixos que não nos pertencem.

Em política, quase sempre o bicho é feio

Sexta-feira, Julho 24th, 2009



Bicho é melhor que gente
Dr. Ronaldo – Presidente Interventor do PHS em Santo André.
 

As minhas experiências com a política partidária não foram muito boas. Eu não sabia da real dimensão de aborrecimentos e frustrações, admito.
Alguns dirão: “Bem feito! Eu te avisei!” e outros: “Você nunca deveria ter se envolvido nisso..”
De fato, não podemos escapar das politicalhas ou politiquices no ambiente dos partidos políticos. Sinceramente, acho que em nenhum ajuntamento humano ficaremos livres dessas “qualidades” inatas a todo ser humano. (embora eu deva admitir que entre os profissionais da política a mediocridade graça.)
Todavia, a minha experiência com o Serviço Público foi boa, apesar das influencias dos grupos políticos que colocam os seus interesses acima dos partidos e a anos-luz do interesse público.
Devo declarar que conheci profissionais brilhantes e pessoas éticas enquanto trabalhei no projeto CIDADE FUTURO AGENDA DO MILÊNIO na Prefeitura Municipal de Santo André.
Participei de projetos e construções de políticas públicas em ambientes de probidade e testemunhei iniciativas de respeito – quase uma devoção - ao bem comum.
Escreverei mais sobre esses programas e projetos que foram abandonados e/ou paralisados.
A esses políticos e profissionais nobres eu apresento as minhas homenagens saudosas, aos outros….., bem, se vocês não mudarem, que a população saiba como fazer para esquecê-los.
Obviamente que devemos enquanto sociedade, vencermos a nossa normose hipócrita e preguiçosa de achar que os atos secretos são prerrogativas da classe política.
O “quase sempre” é no mínimo gentileza quando status, posses e sexualidade estão presentes e até onde sei, não há grupo humano ileso a escândalos com esses temas.
Bem disse Jesus Cristo ao responder aos hipócritas moralistas religiosos de seu tempo: “Se em vosso pensamento desejares…., pronto…”.
Sim, somos todos iguais em nossos atos e pensamentos secretos e inguém sairia ileso se tivéssemos câmeras em nossas casas e cômodos, escritórios e suas salas de reuniões decisivas.
Desconfie de quem “quase sempre” não comete erros.
Concordo com o Ronaldo, que sabe tudo de bicho, quando diz que Bicho é melhor que gente. Os grupos humanos quando se degradam e desintegram viram bicho.
Agora, eu não posso afirmar que a classe política está se desintegrando irremediavelmente.
Ser categórico nesse ponto seria uma precipitação diante dos interesses recíprocos que alimentam a mídia facilmente manipulável e o do senso comum alienado e estéril na apresentação de novas soluções.
Caro leitor, com mosca, sopa ou não, o que temos é uma mídia que em sua grande maioria é refém de suas parcerias com grupos políticos através das governanças públicas com as suas verbas gordas para anúncios institucionais e das negociatas diretas e indiretas que se revelam principalmente no tom induzido das noticias e nas pautas sonegadas diariamente.
Por hora e, lamentavelmente, o que posso dizer é que “quase sempre” a classe política brasileira é patética e mal intencionada na defesa do interesse comum.