Participação Cidadã - (3a. parte)

23/12/08

Participação Cidadã (3ª. parte)
Por Levi Araújo 

 

[A terceira parte de uma edição do texto que escrevi para o LIVRO NOSSO SÉCULO XXI, sob o título “XÔ, APATIA! VAMOS FAZER A REVOLUÇÃO CIDADÃ!” ]
 

 

Fernando Pessoa, ao falar sobre o provincianismo, retrata com exatidão o cenário dos desertores dos ideários humanistas que devemos evitar. Assim disse o poeta: “O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte do desenvolvimento superior dela, em segui-la, pois, mimeticamente com uma insubordinação inconsciente e feliz”.

 

Essa insubordinação inconsciente e feliz me faz lembrar a música Admirável Gado Novo, que nos transporta criticamente para uma vida de gado onde o povo é marcado e feliz. Essa felicidade doentia e que adoece, nos leva ao status de seres normóticos. A normose dos cidadãos nos leva a um catatonismo social que por sua vez produz um marasmo perigoso no campo da atuação cidadã.

 

Pierre Weil considera como normose “..o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou de agir aprovados por um consenso ou pela maioria de determinada população e que levam a sofrimentos, doenças ou mortes, em outras palavras, que são patogênicas ou letais, e são executados sem que seus atores tenham consciência dessa natureza patológica, isto é, são de natureza inconsciente”.

 

O problema agrava-se mais ainda quando esse tipo de ética anticidadã é reforçada por alguns importantes atores formadores de opinião, com ou sem responsabilidades constitucionais, absortos em projetos pessoais e corporativistas. Na verdade, esses estelionatários da cidadania nada ou pouco fazem para mudar “o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou de agir aprovados por um consenso ou pela maioria” que são nocivos á saúde dos cidadãos. Pior, os estelionatários da cidadania terminam usando dos mesmos expedientes para se perpetuarem no poder e em seus guetos de celebridades.

 

Não estaria o nosso ativismo cidadão precisando de um divã ou de um prozac para um tratamento longo e bem feito até que uma metanóia sana nos faça trocar os otimismos das anfetaminas mal receitadas por uma esperança consistente de mentes e corações autônomos e protagonistas que seguirão atuando no presente sem medo do futuro?

 

Sem um auscultar e um olhar novo e esperançoso, só nos restará a apatia dos seres sem paixão, nos quais a coisa-minha está infinitamente acima da coisa pública. Esse nosso hedonismo ególatra nos afastará da verdadeira ética que, como diz Umberto Eco, depende da presença do outro para que exista. O que predomina é o sentimento de que a política é coisa para profissionais e a nós, pobres cidadãos, restam as obrigações de pagar impostos exorbitantes e eleger governantes.

 

Impassíveis, nós não conseguimos – nem desejamos – pensar em exercer cidadania de fato e de direito antes, durante e depois dos pleitos eleitorais. Esse danoso senso comum é alimentado pelas lupas de uma mídia ávida por escândalos, que reforça a sensação de que nada irá mudar. Com isso, terminamos assumindo uma indolência política. Assim, o desinteresse pela coisa comum termina impedindo o surgimento de novos quadros técnicos e políticos.

 

Como diz nossa poeta maior de Santo André, Dalila Teles Veras, nós precisamos auscultar a cidade. Precisamos de novos espaços – ou de mudar os auscultadores dos espaços existentes -, onde o coração e voz do cidadão sejam ouvidos e o sentimento de pertencimento à cidade e à comunidade seja mensurado.

 

Além de um novo ouvir, carecemos de um novo olhar, uma cultura do olhar cidadão, um saber que dialogue com todos os olhares da nossa complexa e rica rede de atores sociais. Uma convivência disposta não só a ouvir, mas a olhar e entender as histórias e valores das pessoas, dos grupos e movimentos sociais que interagem em nossa praça comum.

 

A redenção plena de num novo jeito de ver as pessoas e cidades, um olhar que busque a identificação e a encarnação do outro e no outro. Olhares mais respeitosos e inclusivos, olhares menos individualistas que reflitam a busca perseverante de horizontes ideais em mirantes mais nobres. Este ensaio à visão revelará algumas cegueiras pessoais, institucionais e sociais e nos fará rever algumas coisas e confirmar outras em nossa busca comum do bem coletivo.

 

A cura de nossa surdez e cegueira cidadã nos levará à rebelião necessária contra essa normose e apatia que grassam em nossa região. Insurreição que nos levará a uma nova cultura política definidora de uma dinâmica saudável para a ação protagonista do cidadão ao pensar e fazer política nas cidades e na participação direta dos processos de disputa e ocupação dos espaços de poder.

 

PARTICIPAÇÃO CIDADÃ (2a. parte)

18/12/08

PARTICIPAÇÃO CIDADÃ ( 2ª. parte ).
Por Levi Araújo

A segunda parte de uma edição do texto que escrevi para o LIVRO NOSSO SÉCULO XXI, sob o título “XÔ, APATIA! VAMOS FAZER A REVOLUÇÃO CIDADÃ!”
Segundo Cícero, na virtude – virtus – o homem atinge seu mais alto nível de excelência quando age ao lado do outro com vistas à realização do bem comum. Segundo Maquiavel, bem comum é a construção de uma ordem que evite o caos e a anarquia. O desenvolvimento humano de nossas cidades virá de um convergir virtuoso de mentalidades e esforços na construção de políticas publicas.

Os cidadãos do Grande ABC devem buscar parcerias entre atores que possuem sensibilidade e atenção para distinguir entre as forças que perpetuam a decadência e o retrocesso e as forças que preconizam a recuperação da economia regional e dos espaços urbanos priorizando pessoas e não o mercado. Parcerias de cidadania que creiam que todos os espaços da cidade em revitalização devem privilegiar o cidadão. Pessoas sensíveis que pensem na vitalidade econômica e social das cidades a partir das calçadas e sarjetas para todos os pés – sejam pés calçados com grifes ou desnudos e palmilhados por dignidade.

O prefeito Celso Daniel disse que “podemos planejar uma cidade agradável e sonhar com ela”. Precisamos de cidades agradáveis. E cidade para ser agradável tem de ser um todo conexo que agrade ao todo de todos os seus cidadãos. Em nosso torrão do Grande ABC há muita gente, e gente boa de todo gênero e gênio. Gente que é quase sempre mais gente do que todos os inteligentes formadores de mentes. Gente que são pessoas, e pessoas que mudam e promovem mudanças, apesar dos impiedosos índices desiguais de desenvolvimento humano de nossa região e do abandono dos princípios que sempre nortearam o nascedouro das nossas vanguardistas instituições regionais.

Não há como pensar o futuro das nossas cidades sem expandir a reflexão para o âmbito regional e metropolitano. Uma necessária conexão institucional entre nossos municípios ajudará a diminuir o estilo de administração marcado pela prefeiturização, em que variados grupos fazem da dinâmica político-partidária um instrumento para tomar ou manter o poder dos guetos sem programar políticas que beneficiem todas as cidades e façam com que a nossa úbere região volte a prosperar com dignidade e segurança para todos.

Assim seremos autores do nosso destino comum, construtores das instituições e realizadores da ordem social. O que vemos hoje é um triste e alienante abdicar do nobre legado humanista e solidário e das coisas dos nossos ambientes comuns.

ADVENTO

13/12/08

ADVENTO
Por Levi Araújo

 

Nós cristãos iniciamos o nosso calendário litúrgico relembrando as verdades históricas e escatológicas das vindas do nosso Deus, Senhor e Salvador Jesus Cristo. A meditação sobre o fato histórico de que ele veio e a certeza em fé de que ele virá novamente nos enche de uma esperança militante e transformadora.

Essa esperança é o mais poderoso antídoto para que a desilusão e frustração com a raça humana não nos transforme em individualistas cínicos ou desiludidos lamuriosos.

Diferentemente do que muitos pregadores apocalípticos vociferam, a mensagem de concretização do Reino de Justiça e Paz que está presente no ideário cristão nos reveste de uma esperança consistente e infinitamente superior aos acessos de otimismo que algumas ideologias, crendices ou teorias de pensamento positivo possam fornecer.

Nós cristãos ou não que ainda temos a alma sã e resistimos a normose social, somos tentados todos os dias a sucumbir diante de tantas informações e noticias de violência.

Somos atingidos diariamente com a violência da corrupção, dos desmandos e descuido com a coisa pública, agredidos a todo o momento e em todos os lugares com a exclusão social, a precariedade na saúde e educação e o acesso diferenciado dos privilegiados a justiça, entristecidos com o racismo, discriminação, xenofobia, insensibilidade e predadorismo social e ecológico.  

Essas raízes malignas têm um ápice de horror com os estupros e assassinatos monstruosos que revelam a face mais cruel de seres desumanizados.

Diante desse terrível quadro a esperança que brota da mensagem do Avento nos faz comemorar mais um aniversário daquele que veio para nos mostrar que podemos antecipar em pensamentos, palavras e atos a sociedade justa e pacífica que virá.

Henri Nouwen ensina que “A visão maravilhosa do Reino de paz, onde toda a violência foi superada e todos os homens, mulheres e crianças vivem unidos em amor com a natureza, chama-nos a sua concretização em nossa vida cotidiana. Em vez de ser um sonho escapista, a Visão do Reino nos desafia a antecipar o que promete. Toda vez que perdoamos nosso próximo, toda vez que fazemos uma criança sorrir, toda vez que mostramos compaixão a um sofredor, toda vez que fazemos um arranjo de flores, cuidamos de animais domésticos ou selvagens, prevenimos a poluição, tornamos nossas casas e nossos jardins mais belos e trabalhamos em prol da paz e justiça entre os povos e as nações nós estamos concretizando essa visão. Temos de lembrar constantemente essa visão uns aos outros. Sempre que ela estiver viva em nós, encontraremos novas energias para vivenciá-la, exatamente onde estivermos. Em vez de escapar da vida real, essa bela visão leva a nos envolver com ela.”
A esperança nos convoca a viver o hoje com alegria e coragem porque no ontem Ele veio por todos nós e no amanhã Ele virá para estabelecer plenamente a comunidade equânime com todos aqueles que passaram a vida não só falando, mas vivendo um estilo de vida marcado pelo Venha o teu Reino hoje.

 

                             

PARTICIPAÇÃO CIDADÃ (1a. PARTE)

8/12/08

PARTICIPAÇÃO CIDADÃ ( 1ª. parte ).
Por Levi Araújo

Uma edição do texto que escrevi para o LIVRO NOSSO SÉCULO XXI, sob o título “XÔ, APATIA! VAMOS FAZER A REVOLUÇÃO CIDADÃ!”
Não teremos a vida com que sonhamos se as cidades não forem inclusivas, social e politicamente tendo nos habitantes sentimentos de pertencimento e identificação cultural. Orçamento participativo, conselhos municipais, planejamento democrático das cidades – espaços cidadãos de articulação entre governo e sociedade são imprescindíveis para toda gestão que pretende ser legitima e confiável.

O hoje dos atores sociais pragmáticos e imediatistas seria divino se não existissem os problemas comuns de ontem e os sinais caóticos do amanhã, pois o que há de pior, seja herdado ou possível, é o que poderá nos unir.

Começamos a compreender que a qualidade de vida em nossas cidades não depende somente da produtividade e competitividade econômica. Estamos aprendendo pesarosamente que o desenvolvimento deve ser humano, integrando o econômico, o social e o ambiental. O fato é que não teremos a vida com que sonhamos se as cidades não forem ambientalmente sustentáveis, inclusivas social e politicamente, tendo em todos os habitantes os vitais sentimentos de pertencimentos e identificação cultural.

A declaração de visão do PROJETO CIDADE FUTURO – AGENDA DO MILÊNIO, que é o planejamento estratégico e participativo a médio e longo prazo de Santo André, reza que desejamos ser “uma cidade integrada e planejada, com desenvolvimento sustentável e justiça social”. Nesse contexto é que o conceito e a implementação do planejamento democrático das cidades vão além de serem meras ferramentas administrativas.

Sendo ou não estratégico, situacional, orientado, automatizado, urbano…, enfim, do planejamento clássico ao familiar, o que precisamos de fato é criar ambientes onde as pessoas possam perceber a realidade, considerando os caminhos e jornadas e edificando um cenário coletivo aprazível e possível para todos. Portanto, se desejamos um desenvolvimento realista e objetivo em nossa sociedade, precisamos resistir á endêmica ausência de uma cultura de planejamento na vida das pessoas e instituições.

Com autonomia e liberdade, esses novos sujeitos e atores sonham em poder decidir os destinos da cidade fazendo jus aos mais altos ideais democráticos e certos de que sempre haverá uma bendita expectativa capaz de nos conduzir em direção oposta àqueles ensimesmados que não passam de massa acrítica e alienada.

Estamos falando de novos cidadãos que tenham capacidade de produzir (ou construir), a partir de seus interesses, um interesse maior.

II Asamblea General – Coalición Latinoamericana y Caribeña de Ciudades contra El racismo, La discriminacion y La Xenofobia.

19/11/08

II Asamblea General – Coalición Latinoamericana y Caribeña de Ciudades contra El racismo, La discriminacion y La Xenofobia.
Por Levi Araújo

É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.”
Solange Ferrarezi citando Albert Einstein no inicio de sua apresentação.

 

De 17 a 19 desse mês de Novembro, Santo André sediou a II Assembléia Geral da Coalizão Latino Americana e Caribenha de Cidades contra o Racismo, a Discriminação e a Xenofobia, um projeto idealizado e construído pela UIBA - União Ibero-americana de Colégios e Agrupamentos de Advogados -, UNESCO e a Intendência de Montevidéu.

Sob a coordenação da Pedagoga Solange Ferrarezi, a equipe do Núcleo de Políticas de Gênero, Raça, Geração e Pessoas com deficiência da Secretaria de Governo da Prefeitura Municipal de Santo André me proporcionaram uma oportunidade impar para que eu pudesse aprofundar os temas relacionados ao Dia da Consciência Negra.

Estou falando de um encontro que contou com representantes, especialistas e políticos da Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Espanha Paraguai, Peru e Uruguai.

As autoridades das Nações Unidas, Mercocidades e Instituições de Direitos Humanos e de Promoção da Igualdade Racial definiram uma importante estratégia de fomentar a participação dos Governos Locais, em nosso caso os municípios, na implementação de políticas emergenciais de médio e longo prazo na busca do respeito à dignidade, autonomia e alteridade de todas as pessoas.

O respeito e sensibilidade pela diversidade e os direitos humanos foram reveladas nas presenças de três senadores, quatro prefeitos e quatro vereadores com saudações oficiais de vários presidentes de repúblicas latino-americanos que compartilharam as suas experiências.

Por outro lado, o desrespeito e insensibilidade sobre essa temática de grande magnitude ficaram registrados pela ausência dos vereadores atuais e eleitos da cidade de Santo André, a cidade anfitriã desse importante encontro internacional.

É justo ressaltar que o Prefeito João Avamileno esteve presente na mesa de abertura do evento saudando a todos os participantes. Mais justo ainda serei em registrar o trabalho e participação das equipes das Secretárias de Governo, Educação e Desenvolvimento e Ação Regional da prefeitura Municipal de Santo André.

Foram muitas as intervenções consistentes sobre os grupos vitimados por racismo, discriminação e xenofobia e a importância de debatermos sobre as diversidades sem deixar de considerar as particularidades dos grupos sociais.

Foi com muita satisfação que ouvi várias referencias sobre a utilização do Orçamento Participativo e outros mecanismos de participação cidadã como o principal instrumento de apropriação, sensibilização da conscientização da sociedade na construção de políticas públicas contra o racismo, a discriminação e a xenofobia.

Outro importante aspecto do projeto é que os colégios de advogados das cidades participantes têm a tarefa de diagnosticar as principais manifestações de racismo, discriminação e tendências xenofóbicas e fornecer a outras cidades coligadas à UIBA propostas concretas na busca de soluções para este tipo de situação. Por essa razão que a UIBA e o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil estiveram representados na pessoa da Conselheira Mona Samara EL Kutby.

De fato, complexidades e polêmicas estarão sempre presentes na reflexão e debate sobre as matérias citadas e eu pessoalmente não vejo um futuro auspicioso se não houver vontade política das autoridades municipais e dos movimentos e organizações sociais locais.

Entendo que construiremos uma metodologia realista na apropriação dessas temáticas somente através de um Planejamento Estratégico Participativo a curto, médio e longo prazo coordenado pelas governanças municipais.

Creio que a coalizão começa nos espaços de articulação das cidades onde os vários segmentos da sociedade organizada atuarão como protagonistas e nunca como coadjuvantes facilmente cooptáveis ou manipuláveis.

Registro com muita alegria e convicção que sou um defensor e promotor das ações denominadas afirmativas.

E invocando a minha fé cristã e a memória dos meus ancestrais eu quero comemorar com profundo respeito e trabalho o Feriado Municipal de 20 de novembro de 2008.

Viva Zumbi da Serra da Barriga em Alagoas, terra de meu Pai!

DE QUEM É A CULPA?

18/11/08

De quem é a culpa?
Por Levi Araújo

                             

Quando as criações de um gênio colidem com a mente de um leigo, e produzem um som vazio, há uma pequena dúvida sobre de quem é a culpa.”

Salvador Dali

Vejo novamente neste final de ano em Santo André, região, país e mundo a velha postura, a saber, a terceirização da culpa, a privatização do êxito e a socialização dos prejuízos.

De quem é a culpa pela crise mundial, pela violência urbana e pela corrupção global e local? De quem é a culpa pelo caos ecológico?

Está bem, eu serei mais especifico nesse curtíssimo texto sobre culpabilidades sem nenhuma pretensão de esgotá-lo em seu sentido religioso, juridico ou psicológico.

Quem são os culpados pela morte das crianças violentadas no Paraná, pela depredação da Escola Estadual Amadeu Amaral na Zona Leste de São Paulo e pela morte da garota Eloá no Jardim Santo André?

E no caso dos culpados pelas derrocadas políticas dos últimos meses.

De quem é a culpa pela derrota do republicano McCain e dos petistas Marta Suplicy e de Vanderlei Siraque?

Na resposta a essas perguntas é que nós encontramos quem é realmente limitado e mal informado ou medíocre e mal intencionado.

Um dos representantes dos grupos acima com certeza irá terceirizar a culpa e não assumir a sua parte e contribuição ou achar realmente que a culpa no caso da Eloá foi só do Lindemberg, no do McCain foi a sua vice Sarah Palin, no caso das derrotas da Marta e do Siraque uma pessoa ou um grupo político em específico.

Somente os incompetentes terceirizam a culpa.

Mas não é somente nos arraiais dos derrotados que nós encontramos pessoas rasas, sem fibra e conteúdo.

Entre os vencedores, o que não falta é protagonista megalômano. Nesse caso é mais fácil perceber,

Procure notar aqueles que usam com mais freqüência o “eu”, pessoas assim tem uma dificuldade enorme com o “nós”.

Somente os pedantes ridículos não compartilham os louros.

O que entristece e preocupa é que as nossas crenças, julgamentos e posturas pessoais e coletivas sobre estes e outros fatos produz cada vez mais culpa sobre os outros, personalizações do sucesso e uma hipócrita socialização dos prejuízos que nós causamos direta ou indiretamente.

Somente os melhores representantes dessa sociedade normótica e decadente insistirão em não socializar os lucros.

Somente os aspirantes às rodas das celebridades fúteis insistirão em não fazer mea culpa diante do nosso caos social.

Somente os umbigólatras emergentes continuarão pregando a irresponsabilidade diante do ônus e o bônus cotidiano do nosso caldo social.

FELICIDADE QUE DEPENDE DA INFELICIDADE

16/11/08

FELICIDADE QUE DEPENDE DA INFELICIDADE
Por Levi Araújo

Eu só serei feliz se você for feliz”.

Silas Tammerik

Uma semana exata após estar celebrando – quase pela ultima vez - um casamento de alguns amigos eu estive participando de outro casamento de outro amigo.

No caso de sábado passado, eu sou amigo do noivo, do pai do noivo, da mãe do noivo, da família do noivo e de alguns amigos do noivo, por isso é que fui convidado.

A cerimônia foi realmente linda e não foram poucos os momentos emocionantes e significativos, mas quando o noivo, no momento dos votos disse antes de cantar que só seria feliz se ela, a sua amada, fosse feliz…..

Ahhhhh! Eis, pra mim, o momento máximo daquela celebração.

Coisa linda pra se dizer e maravilhosa pra se viver.

Claro que os leitores céticos e empedernidos pela vida e suas experiências desalentadoras poderão dizer em tom quase amaldiçoador que “a ocasião faz o bobão”, sabe como é, jovens, primeiro casamento, emoção do momento, inexperiência, pieguice e etc.

Passando a régua sobre as montoeiras inúteis do pragmatismo existencial, na última semana eu reforcei o aprendizado de que a lógica da modernidade é (e foi) incapaz de criar um novo homem, uma nova família e uma nova sociedade.

Claro que o mínimo de informação e acesso a jornais e telejornais farão com que cheguemos à mesma conclusão sem ter que elucubrar de maneira mais requintada.

Sim, não só o casamento do Silas e da Simone, mas as nossas vidas e variados relacionamentos só poderão continuar existindo se a máxima da vida for dita e vivida, a saber: “Eu só serei feliz se você for feliz”.  É isso, só isso.

O caro leitor há de convir comigo que hoje em dia – como em todos os tempos atrás – a maioria das pessoas só consegue ser felizes com a infelicidade dos outros.

Sim senhores e senhoras têm gente que só conseguirá viver se alguém morrer, perder, for humilhado, envergonhado, abandonado e etc.

Sempre digo que há pessoas – dentre elas cristãos de carteirinha – que só vivem o céu se algumas pessoas estiverem no inferno.

Nessa última semana eu me encontrei com muitas pessoas que há muitos anos não encontrava e eu pude reforçar isso o que estou dizendo em encontros constrangedores e extremamente abençoadores e em conversas que revelaram tanto o bem quanto o mal de corações que anseiam pela felicidade.

Revi em abraços, apertos de mão e a distancia pessoas que ficam felizes em me ver feliz e só serão felizes se me virem infeliz.

Neste caso, não dá pra “ser feliz se você for feliz com a minha infelicidade”.

Note que a presente frase não tem lógica alguma, por mais que essa seja a dialética da maioria dos viventes em todos os tempos.

Assim, me permitam uma paráfrase: a felicidade vai se embora e a saudade do Jardim em meu peito ainda mora e é por isso que eu gosto lá de fora por que sei que a falsidade não vigora.
Sinceramente, se você só se dá bem quando o outro vai mal, só ganha quando o outro perde, só ri quando o outro chora, só se alegra quando o outro fica triste, eu quero uma distancia segura de você, pois eu não tenho nenhuma parte com aquele que inspira você e não quero ser feliz como você pensa que é de jeito nenhum.

O OLHAR CRISTÃO

9/11/08

O Olhar Cristão
Por Levi Araújo

Ontem à noite, após mais um susto que dessa vez me tirou de um altar para um pronto atendimento, enquanto eu recobrava o ânimo, conversei com alguns amigos sobre o Barack Obama, sonhos, crenças, convicções e desafios pessoais e coletivos.

Eles foram pacientes e carinhosos em ouvir um pouco mais sobre o meu jeito de entender o olhar cristão.

E como eu e algumas pessoas estamos dispostas a refletirmos e agirmos semanalmente sobre o tema “Quem tem o outro como Causa não precisa de novas causas”, eu resolvi escrever um pouco mais sobre como, em minha opinião o Cristão deve olhar todas as pessoas.

O Outro sob o saber e olhar cristão é digno, autônomo, altero, alvo do amor de Deus e a razão do único mandamento que um Cristão deve obedecer.

O Outro - seja quer for deve ser respeitado e amado.

Seja homem, mulher, embrião, bebê, infante, criança, juniores, pré-adolescentes, adolescentes, jovens, adultos, idosos ou finados.

O Outro - tenha o que tiver deve ser respeitado e amado.

Tenha essa pessoa somente uma vida em frangalhos e alguns trapos ou tenha muita coisa na vida como súdito e prisioneiro das griffes.


O Outro - faça o que fizer deve ser respeitado e amado.

Faça só para si e o seu prazer ou faça para o bem comum com ou sem intenções no hoje e no além.

O Outro – creia em quem quiser deve ser respeitado e amado.

Creia na Santíssima Trindade do jeito católico romano ou não, em crença muçulmana, judaica ou qualquer uma das orientais.

Creia em todas as anteriores, algumas ou nenhuma delas.

Não fomos chamados para ser o que o outro é, ter o que o outro tem, não existimos para fazer o que o outro faz, não fazemos a paz crendo no que o outro crê e nem precisamos concordar ou gostar do que o outro gosta e pratica.

Nós somos chamados e existimos para olhar o outro como Cristo vê, a saber, todas as pessoas são dignas, autônomas e alteras.

Fomos chamados para nos relacionarmos com todas as pessoas com a convicção de que elas são alvo do amor de Deus e a razão do único mandamento que um Cristão deve obedecer.

ARRUMANDO A CASA

5/11/08

ARRUMANDO A CASA
Por Levi Araújo

Eu não quero perder tempo com quem não quer ajuda, mas com aquela pessoa que deseja ajuda, com essa eu quero ter o tempo todo do mundo.” 

Silvia Cappellette

Eram quase 20 horas e a casa estava feito formigueiro em horário de pico.

Todos na casa estavam com a mão na massa e com massa da cabeça aos pés, mas não havia só massa, tinta, cimento e suor naquelas pessoas, elas estavam alegres, felizes.

Assim foi o prelúdio de nosso encontro de ontem na Casa Nova Chance.

Depois fomos até a sala e nos ajeitamos para conversarmos um pouco sobre o objetivo dos nossos encontros e ouvimos um pouco o Macarrão e a Silvia.

Falei várias vezes e repito que eu conheço pessoas que se parecem com Jesus de Nazaré, o meu Deus e Senhor, e essas pessoas são esses dois camaradas malucos.

Você que não os conhece, não fique esperando que sejam pessoas do tipo certinhas, quase anjinhos celestes flutuando com aureolas douradas e com vernáculo divinal que utiliza o “Glória a Deus” como vírgula.

Não, eles são pudicos sem perder a autenticidade, sérios, mas com naturalidade e espirituais sem deixar de ser humanos.

Alguns dizem que uma conversa espiritual entre eu e o Macarrão, só mesmo Deus pode entender. (e às vezes perdoar)

Não concordo com algumas radicalizações deste louco varrido, mas eu o respeito demais conhecendo que ele é falho e pecador como qualquer outra pessoa. Aliás, quando o assunto é pecado, ele é como qualquer outro ser humano, mas quando o assunto é serviço e amor a Jesus e ao próximo, não é qualquer pessoa que é igual ao Macarrão.

Eis a razão porque eu e a Simone nos comprometemos em nos aproximarmos mais do Macarrão, Silvia e Grande Família e foi isso o que me inspirou a convidar outras pessoas para refletirmos e agirmos como cristãos no contexto daquele espaço sagrado nas noites de terça do mês de novembro.

Pretendemos assimilar a verdade de que “Quem tem o outro como causa não precisa de novas causas”, meditando e procurando praticar a Parábola do Bom Samaritano.

A idéia é de fugir de passividades espiritualizadas e começarmos a desenvolver um OUVIR PROATIVO.

Estamos falando de um jeito de ouvir as pessoas que nos mova na direção das pessoas pra ajudá-las pra valer.

Nesses encontros nós começaremos ouvindo a história das pessoas da casa e permitiremos que essa história nos envolva e mova em obediência a Jesus.

Assim serão os nossos encontros: Ouvir, Orar, Meditar e Trabalhar.

Bem original, não acham? Rsrsrsrs

Vi a minha casa naquela casa, vi a minha vida naquelas vidas.

Desde pequeno, o final de ano começava em outubro quando a nossa casa ficava uma bagunça só.

Os meus pais faziam questão de arrumar a casa para o final de ano.

É verdade que as discussões não eram poucas nesse período, pois os pintores eram o meu pai e a minha mãe e sobrava tinta e tensão para todos os lados.

Mas pensando bem, toda reforma acontece do mesmo jeito. Todos os reformadores só faltam se matar. (No caso da reforma Protestante isso aconteceu literalmente, os anabatistas que o digam)

O mote da Reforma Protestante é “Igreja reformada sempre reformando” e eu fui abençoado ontem com aquela reforma na Casa Nova Chance.

É por isso que eu darei a mim mesmo uma nova chance arrumando a minha casa para que o outro, seja ele ou ela quem for e faça o que for, seja a minha causa maior.

Sobre as primeiras declarações do DR. AIDAN

1/11/08

Sobre as primeiras declarações do Dr. Aidan
Por Levi Araújo
 

As palavras não dizem tudo, mesmo que o tudo seja fácil de dizer. Com certeza fala bem melhor o MUDO se a sua atitude manifesta o que crê.” Sérgio Pimenta
 

Eu tenho um defeito enorme, eu confio demais nas pessoas.
O ideal seria confiar em poucos e desconfiar da maioria e ao mesmo tempo não dar confiança para alguns.
Claro que eu desconfio de alguns, inclusive, eu cheguei a dizer a alguns companheiros e camaradas durante a campanha que não há nada pior do que alguém ou um grupo que inspira desconfiança.
Todos nós temos as nossas maneiras e manias que justificam as desconfianças em pessoas, projetos e declarações.
Sinceramente, eu desejo muito confiar nas primeiras declarações proferidas pelo próximo prefeito de Santo André.
Os encontros e conversas que tive - mesmo durante a campanha - com o Dr. Aidan e a Dinah Zecker e os seus assessores sempre foram respeitosos e amistosos. E não poderia ser diferente para quem é republicano e democrático.
Ridículo é quem só agora começam a demonstrar respeito por eles.
Trabalhei pelo Projeto Político que para mim ainda é o melhor, mas a maioria da população decidiu diferente e isso deve ser respeitado.
Mas o que interessa agora é saber que a nova gestão municipal não irá esquecer, ignorar e desdenhar das políticas públicas estruturantes que foram implementadas com êxito reconhecido nacional e internacionalmente.
Afinal, eu jamais poderia comungar com uma gestão que desmontasse ou esvaziasse os Fóruns, Conselhos e Espaços de participação Cidadã que conquistamos enquanto sociedade civil e que fez da cidade onde nasci, cresci, estudei, ministro, trabalho e amo, uma cidade transformada.
É bom saber que o ORÇAMENTO PARTICIPATIVO, modelo para o Brasil, irá continuar, que o Projeto Cidade Futuro – AGENDA DO MILÊNIO que é a nossa conexão com o movimento mundial dos Objetivos de Desenvolvimento da ONU permanecerá e que o nosso Plano Diretor não será retalhado para beneficiar os especuladores imobiliários que estão à espreita há muito tempo para retomar a cidade que passou a ser de todos os cidadãos.
Como vocês percebem, eu estou confiando no Dr. Aidan e desejo a ele e à Dinah todo o êxito do mundo.
Que toda a Graça, Paz e Bem sejam sobre o Aidan, a Dinah e todos os seus assessores.