Volkswagen suspende mais 400 contratos de trabalho

A medida foi tomada seis meses após o anúncio de um plano de investimentos de R$ 520 milhões

Pela segunda vez neste ano, a Volkswagen decidiu suspender temporariamente postos de trabalho em sua fábrica em São José dos Pinhais, no Paraná, para evitar demissões e se adaptar à baixa demanda do mercado.

Em fevereiro, a empresa já havia colocado 300 funcionários em layoff, como é chamada a prática. Agora, serão mais 400, afastados por quatro meses.

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Nesse período, os trabalhadores receberão o valor do salário integral (composto por seguro desemprego mais o complemento da empresa) e farão cursos de qualificação profissional. Eles têm garantia de retorno.

Com isso, o número de operários na unidade, que fabrica a linha Fox (Fox, Crossfox e Spacefox), diminuirá em cerca de 15%.

A medida foi tomada seis meses após o anúncio de um plano de investimentos de R$ 520 milhões para a ampliação da unidade, que deve se concretizar em 2015.

Procurada, a Volks não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

Mercado em Baixa

A Volks não é a única montadora a sentir os efeitos do fraco desempenho do mercado de automóveis neste ano.

A Anfavea (associação das montadoras do país) tem manifestado preocupação com queda nas vendas e especialmente com a restrição às exportações para a Argentina, fatos que têm prejudicado a indústria nacional.

Não por acaso, as exportações de veículos registraram queda de 32% no primeiro trimestre deste ano –majoritariamente em função das restrições impostas pela Argentina, segundo a Anfavea.

A situação no país vizinho, associada à fraca demanda interna, já forçou outras montadoras a paralisar a produção ou diminuir sua atividade neste ano.

A Renault, no Paraná, interrompeu a fábrica por cinco dias nesta semana para reduzir estoques. A Fiat também concedeu férias coletivas a 800 funcionários de sua fábrica em Betim (MG) na semana passada, assim como a General Motors e a Mercedes-Benz.

No total, a produção de veículos nacionais caiu 8,4% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o ano passado.

As empresas avaliam que, além das restrições da Argentina, o fim do desconto no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e a introdução obrigatória de airbag e freio ABS nos veículos nacionais aumentou os preços dos automóveis e impactou as vendas.

No final de março, o estoque de veículos nos pátios e concessionárias, segundo a Anfavea, era o maior desde a crise mundial de 2008. Estavam parados 387 mil automóveis, o equivalente a 48 dias de vendas. (Folhapress)

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