Leandro Amaral
Especialista avalia que investimento em transporte coletivo é apenas uma medida paliativa / Foto: Marciel PeresApesar da proposta de melhoria no transporte público que a Linha 18-Bronze do Metrô pode trazer à região, Humberto de Paiva, professor adjunto de Transporte e Mobilidade Urbana do Curso de Engenharia Ambiental da UFABC (Universidade Federal do ABC) defende a mudança de comportamento dos usuários na redução de distâncias entre trabalho, escola, serviços, moradia e lazer, e na criação de espaços urbanos mais diversificados e menos dispersos como soluções.
Para o professor, investir apenas em transporte público ou mobilidade é medida paliativa para o problema do trânsito. Paiva diz que os problemas de trânsito não são de engenharia, mas de urbanismo. “A engenharia vence obstáculos, mas não a falta de estratégia”, comenta.
O engenheiro Creso de Franco Peixoto, professor de Engenharia Civil da FEI (Fundação Educacional Inaciana), defende que o transporte público, principalmente os meios que utilizam energias alternativas, garante o futuro da mobilidade nos moldes em que ela se encontra. “O carro é totalmente insustentável e está com prazo de validade” afirma.
Mestre em Transportes, Peixoto aponta alternativas para acabar com a lentidão das vias, como o BRT, que deu certo em Curitiba e Bogotá, o VLT ou metrô. “A solução, inevitavelmente, passa pelo transporte público”, acredita. Segundo o professor da FEI, hoje a média de velocidade em muitos pontos chega a 10 km/h e em alguns a 4 km/h. Isto significa que o ciclista e o pedestre têm a mesma eficácia em termos de mobilidade.
Colapso
Na opinião de Humberto de Paiva, a densidade populacional não crescerá a ponto de paralisar o sistema viário. Porém, os locais onde as vias e viajantes convergem para chegar ao destino estão no limite da capacidade. Para o professor, não existem medidas de curto prazo e a população anda em círculos. “Quando resolvermos um gargalo, surgirá outro. Não agimos segundo uma visão sistêmica”, diz.
Peixoto acredita que para melhorar o trânsito sem resvalar no transporte público e reeducação das pessoas, seria preciso reconstruir todas as vias, inviável financeiramente. “Se continuar com medidas como resolver um problema de gargalo por vez, o sistema entra em colapso ou o motorista terá que fazer uma viagem muito maior” afirma.
PPP
No início de fevereiro a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos (STM) iniciou processo de “chamamento público” para interessados na iniciativa privada apresentarem manifestação de interesse em realizar estudos de modelagem da Linha 18-Bronze do Metrô. O prazo para que as empresas façam o requerimento de autorização para a realização de estudos foi de 10 dias após a publicação do edital, em 2 de fevereiro.
A conclusão e apresentação dos estudos deverão ser feitas em um prazo máximo de 130 dias contados também a partir da publicação do edital. O monotrilho da Linha 18-Bronze será administrado pela iniciativa privada, por meio de PPP (Parceria Público-Privada).
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1 - Frota de veículos no ABC cresceu 86% em 10 anos
2 - Prefeituras do ABC planejam obras de impacto para tentar minimizar trânsito