Tiago Oliveira
Fórum de Santo André, onde está sendo realizado julgamento de Lindemberg Alves / Foto: Pedro DiogoTerminou às 20h desta segunda-feira (13/02) o primeiro dia de julgamento de Lindemberg Alves Fernandes, acusado de matar Eloá Pimentel, em outubro de 2008. O júri começou às 10h50.
O dia foi marcado por depoimentos de pessoas que estiveram diretamente envolvidas no caso. Foram ouvidos os amigos de Eloá, que também foram feitos reféns, além do policial que iniciou as negociações para libertação das vítimas.
Retorno e invasão
Após a exibição de um vídeo com a cobertura realizada pelo programa da apresentadora Sônia Abrão na época do ocorrido, o júri começou a ouvir os depoimentos. Nayara Rodrigues foi a primeira a falar, por volta das 15h. A pedido da testemunha, Lindemberg foi retirado da sala.
Ela lembrou a relação de amizade que tinha com Eloá e os momentos de tensão vividos no apartamento da amiga.
De acordo com Nayara, Lindemberg ficou “surpreso” quando encontrou Eloá com o grupo de amigos. Ele esperava achar a ex-namorada sozinha no apartamento. Nayara, Iago e Victor estavam no local fazendo um trabalho escolar.
Em depoimento detalhado – que durou cerca de duas horas –, a amiga de Eloá Pimentel falou ainda sobre o retorno ao apartamento após ter sido libertada e sobre o momento da invasão dos policiais.
Ela revelou que, no dia da ação policial, Lindemberg prometeu que deixaria o local, mas acabou mudando de ideia. Logo após receber uma ligação, resolveu colocar uma mesa atrás da porta. Minutos depois ocorreu a invasão.
“Se tentar uma gracinha, eu atiro”
Victor de Campos foi o segundo a prestar depoimento, também sem a presença do acusado. O estudante contou que ele e o amigo Iago levaram coronhadas logo que Lindemberg invadiu o apartamento.
Segundo a testemunha, o acusado ameaçou atirar em todos por várias vezes. Após cerca de 10 horas de cárcere, Victor começou a passar mal, e acabou sendo libertado por Lindemberg.
“Se tentar alguma gracinha eu atiro nas suas costas”, teria dito Lindemberg Alves quando o estudante foi liberado.
A última música
O terceiro depoimento foi do estudante Iago Vilera de Oliveira, outro amigo de Eloá que foi feito refém. Ao contrário dos outros depoimentos, a fala de Iago foi acompanhada por Lindemberg. O estudante disse que ouviu do acusado que “Eloá não sairia viva de lá”.
Iago contou ainda que o rapaz chegou a pedir para os reféns colocarem as músicas preferidas de cada um para tocar. “Vai ser a última vez que vocês vão ouvir”, teria dito Lindemberg.
Primeiro negociador foi ouvido
O último depoimento do dia foi do sargento da Polícia Militar, Atos Antonio Valeriano. O PM foi quem iniciou as negociações com Lindemberg logo depois que o apartamento foi invadido.
Valeriano relatou os momentos que antecederam o disparo feito pelo acusado, que por pouco não acertou a cabeça do policial. Lindemberg negociava com o PM, quando pediu para que ele ficasse em lugar visível. Depois, efetuou o disparo.
Estava previsto para esta segunda-feira o depoimento do irmão de Eloá Pimentel, Ronickson. Com a suspensão dos trabalhos determinada pela juíza, ele será ouvido na manhã desta terça-feira (14/02).
VEJA TAMBÉM
Defesa questiona Nayara e fala que jovem simulou choro
Galeria de fotos do julgamento do caso Eloá