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A construção civil em 2011 e 2012


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012 21:30 [Nenhum Comentário]
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O ano de 2011 foi positivo para a construção civil, com muitos lançamentos e vendas. Mesmo com o último trimestre, quando as empresas e o mercado puseram o pé no freio, por causa das influências pessimistas da crise europeia. Graças a bases sólidas institucionais e boas normas reguladoras o mercado tem sido otimista.

O Instituto da Alienação Fiduciária, no lugar das burocráticas hipotecas, reduziu a inadimplência em 2011 para apenas 1,4%. O crédito imobiliário representa 5,4% dos créditos dos bancos, já ultrapassando o financiamento de veículos, porém ainda é pequeno (4,6% do PIB) se comparado a outros países, como o México, por exemplo, com 12,5% do PIB.
Há recursos para financiamento como nunca houve. Só em 2011, os financiamentos chegaram a R$ 80 bilhões e o FGTS a R$ 30 bilhões, sem considerar os dois últimos meses. No ABC só a Caixa Econômica Federal financiou mais de R$ 1 bilhão até setembro de 2011. São números excelentes com recordes absolutos.

A restrição de verticalização em algumas cidades só terá efeito daqui a dois anos. Esses limites de altura não podem baixar o crescimento natural das cidades. O adensamento nos grandes centros metropolitanos do mundo é uma tendência, evitando o deslocamento das pessoas da periferia para o Centro e vice-versa. A construção civil gera emprego, renda e habitação. Cumpre o seu papel. O que falta ao longo destes anos é aplicar verbas públicas em transporte coletivo. Não podemos combater as fábricas de autos porque prejudicam o trânsito. Nem a construção civil por produzir habitação. Pelo contrário, devemos incentivá-las e planejar melhor.

Para 2012 os preços dos imóveis novos deverão ficar estáveis. O preço de terreno não baixa, a mão de obra também não. Nunca o empregado da construção civil ganhou e produziu tanto. No material pode haver alguma queda. No Brasil, o preço do concreto, por exemplo, é quase o dobro do que nos EUA. A burocracia continua forte e encarecendo o imóvel e os tributos afetam, e muito, o custo da obra. Precisam ser revistos.

O mercado residencial está caminhando cada vez mais para a média e baixa renda. O mercado de escritórios tem muito potencial de crescimento nas regiões metropolitanas. A taxa de vacância em São Paulo está em torno de 3,1%. Nos EUA é 16%. Os preços estão por volta de R$ 50 a R$ 120 o metro quadrado de locação. Há mais de 20% de casos de pré-locação, isto é, antes do habite-se, mostrando a procura.

Lastreado em bases sólidas, o mercado imobiliário, após um período de acomodação, voltará a crescer. Esse ajuste necessário é salutar para o bom desenvolvimento. Um excelente 2012 a todos.

*Milton Bigucci é presidente da Construtora MBigucci, presidente da Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC, diretor do Secovi para o Grande ABC e membro do Conselho Consultivo Nato do Secovi-SP.

Fonte: AE

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