Aline Bosio
Contraditoriamente, a Aquapolo admite que ainda é necessário fazer reparos no asfalto / Foto: Marciel PeresApesar de ainda faltar pintura de algumas faixas, colocação de guard-rail, ter cones espalhados em diversos pontos e muitas ondulações, a Aquapolo, que trabalha projeto de reuso de água para fins industriais em conjunto com a Odebrecht Infraestrutura, informa que as obras na Avenida dos Estados, em Santo André, estão concluídas.
Contraditoriamente, a Aquapolo admite que ainda é necessário fazer reparos no asfalto, que devem seguir até o fim do mês.
No trecho próximo à UFABC (Universidade Federal do ABC), no sentido São Paulo, é possível verificar que mesmo depois das quatro faixas serem recapeadas, uma delas recebeu uma camada adicional de asfalto. É justamente neste ponto onde é possível verificar diversas ondulações e até mesmo buracos na via. Desníveis também podem ser observados na altura dos números 4555 e 3913 da avenida.
Em nota, a Aquapolo informa que “sempre que se abrem valas em vias públicas pode ocorrer abatimento no reaterro, o que causa ondulações. A construtora já havia feito um levantamento destes trechos, tendo solicitado e recebido a autorização da Prefeitura para fazer a recuperação, que começa na próxima semana”. Ainda de acordo com o texto, a empresa informa que possui alvará para executar os trabalhos de recapeamento na via, concedido pela administração municipal, até fim de fevereiro.
Entre os pontos que ainda faltam ser finalizados está o comissionamento (processo que assegura que os sistemas e componentes estão de acordo com as necessidades e requisitos operacionais). Esta ação prosseguirá até o início do fornecimento de água ao Polo Petroquímico que, contratualmente, está previsto para ter início em agosto deste ano. Além do comissionamento, são realizados testes operacionais em todos os processos hidráulicos, mecânicos e elétricos antes do início do fornecimento da água.
Reuso de água
O projeto, denominado Aquapolo, está capacitado para produzir mil litros por segundo de água de reuso, o que corresponde a abastecimento de uma cidade de 500 mil habitantes.
Para que o fornecimento ocorra no prazo, está sendo feita uma EPAI (Estação Produtora de Água Industrial) – em fase final de construção – numa área de 15 mil m2 dentro da ETE ABC, em São Caetano. Para levar a água até o Polo (localizado em Mauá e Santo André), foi construída uma adutora de 17 km de extensão beirando as margens do Tamanduateí. As obras são de responsabilidade da Odebrecht Infraestrutura.
Ondulações poderiam ser evitadas, diz professor
As ondulações que podem ser vistas em locais por onde passou o duto da obra da Aquapolo poderiam ser evitadas. É o que aponta o professor de Engenharia Civil do Centro Universitário da FEI (Fundação Educacional Inaciana), Creso de Franco Peixoto. Segundo o especialista, é relativamente comum que o asfalto ou a terra que está sobre o duto ceda, porém é possível evitar este tipo de situação.
“Quanto mais resistente é o duto utilizado, mais a terra que virá por cima dele poderá ser compactada e, consequentemente, menor a chance do surgimento de algum tipo de depressão”, explica. “Em uma via de grande movimento de carros, o indicado é que o material utilizado seja de alta resistência, além da utilização de reforços para evitar que o asfalto ceda”, completa.
O professor explica que isso, porém, não significa, necessariamente, uma falha da empresa. “O contrato pode ter sido feito levando em consideração uma via com menor fluxo de veículo, que pode receber dutos com menor resistência. Porém, na minha opinião, a empresa poderia ter adotado meios de evitar este tipo de transtorno”, lembra.