Da Redação
Foto: Reproduçãopor Ana Paula Hinz, PopTevê
O semblante sereno de Juliana Didone é um retrato fiel do seu atual estado de espírito. Depois de 10 anos na tevê, a atriz encara sua décima personagem, a Brigitte de "Aquele Beijo", com maturidade e segurança. Sem medo, ela garante que tem tentado interpretar a fashionista da loja Comprare da forma menos burocrática possível. "O trabalho do ator é mostrar o personagem mais rico do que o texto. Não adianta ficar preso só ao que tem no roteiro. É preciso preencher as entrelinhas e se arriscar de vez em quando", opina a atriz, que vê no texto de Miguel Falabella, autor da novela, a oportunidade de trabalhar da forma mais prazerosa e livre possível. "Ele gosta de ver a leitura que o ator dá para aquilo que ele escreve. Eu me sinto à vontade para viver a Brigitte espontaneamente. Acho que o Miguel gosta de se surpreender", opina.
O perfil de sua personagem tem tudo a ver com essa naturalidade. Na trama, Brigitte é uma jovem ambiciosa e independente, que sempre fala o que pensa. "Ela não tem filtros", destaca. Apaixonada pelo mundo "glamouroso" da moda, a fashionista sempre se dedicou ao trabalho e é independente e decidida. "A Brigitte é esse tipo de mulher que tem sua vida, seu carro e suas coisas e esqueceu um pouco as próprias emoções", romanceia. Nas últimas semanas, porém, Briggite começou a perceber que nutre sentimentos por Agenor, vivido pelo ator e cantor Fiuk. Mas parece ser tarde demais. Com casamento marcado com Belezinha, de Bruna Marquezine, o rapaz começou a esnobar seu antigo "affair". Mesmo assim, Brigitte não está disposta a desistir. "Antes ela achava o Agenor um 'pirralho' que não tinha onde cair morto. Agora que percebeu que gosta dele de verdade, vai lutar por isso até o fim", analisa.
Com atitudes que oscilam entre a bondade e a falta de ética, Brigitte não se enquadra nos estereótipos de mocinha ou vilã. "Acho a Brigitte muito real. Ela tem atitudes boas e ruins, é ambiciosa e ao mesmo tempo tem fragilidades", avalia a atriz, que diz receber um retorno positivo do público. "Já ouvi as pessoas dizendo que o Agenor tinha de ficar com a Belezinha. Mas nem por isso eles têm raiva da Brigitte por estar envolvida no meio da história dos dois. Ela só gosta dele", conta.
Para compor sua personagem, Juliana se inspirou no filme "Uma Garota Irresistível", de George Hickenlooper, com Sienna Miller no papel de uma modelo problemática. Além disso, começou a prestar atenção às cenas de Marília Pêra, sua chefe no folhetim. "A Brigitte faz gestos sutis e harmônicos e a Marília tem muito disso. Ela consegue deitar na cama lindamente e ter movimentos muito delicados. É uma referência para mim", derrete-se.
Mesmo tendo feito personagens de destaque em vários folhetins, Juliana tem um carinho especial por uma pequena participação que fez em "Passione". Apesar de a rebelde Lia ter sido uma experiência rápida, a atriz garante que foi esse papel que a fez descobrir a melhor forma de atuar na profissão. "Eu tive pouco tempo de preparação e bateu uma insegurança por entrar em uma novela em que todo mundo já estava afinado. Então resolvi que não ia ficar na neurose. Foi ali que percebi que o legal é sair do óbvio, se sujar e se divertir", relembra a atriz, que agora aplica essa filosofia em seu atual papel. "O ator ouve tantas críticas e avaliações sobre tudo o que faz ou não faz que acaba se retraindo. Não quero isso. Eu gosto de brincar como atriz e estou no momento de arriscar. Se eu errar tudo bem. A gente aprende com os erros", garante.