Natália Fernandjes
Foto: Stock.xchngAo contrário do que a maior parte das pessoas passou a acreditar nos últimos anos, estudo inédito feito pela Fundação Espaço Eco mostra que a sacola de plástico não é a grande vilã do meio ambiente, já que, em alguns casos, é a melhor opção para os consumidores. Encomendada pela Braskem, empresa do ramo petroquímico, a pesquisa analisou o ciclo de vida de oito tipos de sacolas para que o consumidor possa escolher aquela mais ecoeficiente de acordo com seu perfil.
Foram avaliadas as sacolas descartáveis produzidas a partir de plástico verde (polietileno de cana-de-açúcar), tradicional e oxidegradável (aditivadas com promotor de oxibiodegradação), além das retornáveis feitas de papel, TNT, plástico tradicional, tecido e ráfia, todas utilizadas apenas para transportar compras do mercado até a casa do consumidor. O melhor resultado para cada tipo de pessoa vai depender da quantidade de vezes que vai ao supermercado, do volume de compra feita no mês, da capacidade de carga, do custo de cada sacola e recursos utilizados em sua produção, por exemplo.
De forma geral, pode-se dizer que para aqueles que vão com frequência ao mercado (consomem cerca de oito cestas básicas por mês) e descartam muito lixo (três vezes por semana), a melhor opção são as sacolas descartáveis. Já os que descartam pouco lixo (no máximo duas vezes por semana) devem optar pelas sacolas retornáveis. “Quebramos aquele mito de que a sacola de algodão é sempre alternativa mais ecoeficiente”, comenta Emiliano Graziano, gerente de ecoeficiencia da Fundação Espaço Eco.
Outro mito desvendado pela pesquisa, segundo Graziano, é de que o papel é o aliado do meio ambiente. “Se a gente analisar o ciclo de vida do material, percebemos que o processo de produção envolve muitas árvores, alto consumo de energia e nem sempre é reutilizável”, comenta.
Consumo consciente
A discussão sobre o tema tem como foco motivar a sociedade quanto a necessidade do consumo consciente, segundo Graziano. “As pessoas precisam formar essa nova visão de consciente coletivo. Todos fazemos parte de um ciclo, por isso, nossas ações têm impacto ambiental somados aos das outras pessoas”, observa.
Santo André está a um passo de proibir item
A tradicional ação de colocar as compras em sacolinhas descartáveis para transportar para casa pode estar com os dias contados em Santo André. Na última quinta-feira (11), foi aprovado em primeira discussão projeto de lei, de autoria do vereador José Ricardo (PSB), que prevê o fim do uso de sacolas plásticas distribuídas nos supermercados e demais estabelecimentos comerciais.
A proposição foi obrigada a atravessar por novo debate, porque a mesa diretora não havia solicitado o parecer das comissões de
justiça, finanças e saúde. Se passar por segundo crivo dos parlamentares e em seguida sancionada pelo prefeito Aidan Ravin (PTB), as microempresas e empresas pequenas (classificação conforme Estatuto Nacional de Microempresa e de Empresa de Pequeno Porte) teriam três e dois anos, respectivamente, para se adequarem à nova legislação, enquanto as demais teriam um ano. O não cumprimento da lei pode resultar em multas aos estabelecimentos comerciais.
Proibição não é viável, defende especialista
Murilo Valle, coordenador do curso de Engenharia Ambiental da FSA (Fundação Santo André) destaca que o projeto de lei não tem caráter operacional. “Esse tema teria que ser avaliado sob prisma regional, porque as pessoas podem passar a comprar nos supermercados dos outros municípios do ABC”, diz.
Além disso, os consumidores eliminarão de sua vida um produto que tem ciclo de vida útil - utilizado para carregar produtos e depois como sacola de lixo – e terão de comprar sacos de lixo para descartar seus resíduos. “A melhor solução é a aplicabilidade da Lei Federal 12.305 que determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos”, acredita Valle.